A inteligência artificial deixou de ser promessa e virou o motor principal de uma das maiores transformações do mercado digital americano nos últimos dois anos.
O setor de serviços nos Estados Unidos está vivendo o seu momento mais forte em 20 meses, e grande parte desse fôlego vem de um movimento bem claro: cada vez mais empresas e pessoas dependem de software, dados e infraestrutura de nuvem para funcionar no dia a dia.
Esse cenário jogou os holofotes diretamente sobre quem está construindo essa infraestrutura, seja com modelos de linguagem, chips dedicados ou plataformas corporativas com IA embutida.
E é exatamente aí que três nomes chamam a atenção agora 👀
Vale reforçar desde já que esses três não são as únicas empresas interessantes nesse universo. Uma triagem mais ampla, feita por ferramentas de análise de mercado, levantou mais de 670 companhias conectadas ao tema de IA e automação, o que mostra o tamanho real dessa onda.
Mas essas três se destacam por razões bem diferentes entre si, o que as torna complementares quando você quer entender como o ecossistema de ações de IA está se estruturando na prática. Cada uma ocupa uma camada distinta e essencial dessa mesma engrenagem.
Bora ver o que cada uma representa e por que estão no radar bem agora.
Baidu: a aposta chinesa em modelos de linguagem e nuvem
A Baidu é mais conhecida pelo seu buscador e pelos serviços de conteúdo online na China, mas o que realmente conecta a empresa ao tema de inteligência artificial e ChatGPT é outra coisa: o ERNIE Bot, seu grande modelo de linguagem, e a plataforma Baidu AI Cloud. Juntos, eles alimentam assistentes conversacionais e hospedagem de modelos de linguagem tanto para consumidores quanto para empresas. É um posicionamento estratégico dentro do mercado chinês, que tem regras próprias e um ecossistema tecnológico bastante independente do restante do mundo.
Toda a receita da Baidu, que gira em torno de CN¥127,3 bilhões, vem do mercado chinês, dividida entre o negócio principal da empresa e o segmento de entretenimento iQIYI. Ou seja, a IA é um pilar importante de crescimento, mas ainda não é a história inteira. Com um valor de mercado de aproximadamente US$31,2 bilhões, a Baidu ocupa a faixa das grandes companhias dentro do universo de IA.
Quem olha para a Baidu hoje está, na prática, avaliando duas histórias ao mesmo tempo. De um lado, temos o ERNIE Bot, a infraestrutura de AI Cloud em rápido crescimento e os robotáxis Apollo Go. Dados recentes, como o crescimento de 50% na infraestrutura de AI Cloud e um salto bastante expressivo na receita de GPU Cloud, dão pistas de como a Baidu pode se tornar peça central na estrutura de IA da China.
Do outro lado, existe o desafio: o negócio principal de publicidade online caiu algo entre 18% e 19% na comparação anual, e o investimento pesado em IA está pressionando as margens, o que levou a rebaixamentos por parte de analistas recentemente. Se a Baidu conseguir transformar o uso do ERNIE e da AI Cloud em receita durável e de margem mais alta, ao mesmo tempo em que estabiliza a publicidade, a ação pode parecer bem diferente para quem hoje só olha para as manchetes de lucro do trimestre.
A história de IA da Baidu talvez seja maior do que os títulos desta semana sugerem. Antes de decidir como ERNIE, AI Cloud e publicidade realmente se encaixam para você, vale acompanhar as projeções de analistas e enxergar o que o mercado pode estar deixando passar.
Cerebras Systems: o hardware de IA feito sob medida
Se a Baidu representa a camada de software e serviços dentro de um mercado específico, a Cerebras Systems ocupa um lugar completamente diferente e igualmente essencial: ela constrói o hardware de IA que torna tudo isso possível em escala. A empresa é especializada em chips de escala de wafer e sistemas montados em rack, os chamados CS systems, projetados especificamente para treinar e rodar grandes modelos de linguagem e outras cargas de trabalho de IA generativa.
Toda a receita da Cerebras, cerca de US$680,7 milhões, vem de semicondutores. Os clientes vão desde hyperscalers e laboratórios de modelos fundacionais até empresas espalhadas pelos Estados Unidos, Europa, Oriente Médio e África. Com valor de mercado próximo de US$49,9 bilhões, a Cerebras figura entre as maiores companhias puramente focadas em hardware de IA.
Quem acompanha a corrida do hardware de IA deveria ter a Cerebras no radar por um motivo simples: seu wafer scale engine e as plataformas CS foram construídos diretamente para grandes modelos de linguagem e para inferência no estilo de agentes autônomos. Além disso, a empresa já está conectada a parceiros de peso, incluindo hyperscalers e provedores de modelos fundacionais. Esse tipo de posicionamento técnico não se constrói da noite para o dia.
Ao mesmo tempo, é importante manter os pés no chão. A Cerebras ainda não é lucrativa e financia suas obrigações por meio de empréstimos externos de maior risco. Vendas recentes por parte de pessoas internas da empresa e oscilações bruscas no preço das ações reforçam como o sentimento do mercado pode virar rapidamente por aqui. Para quem consegue lidar com essa volatilidade, existe muito mais para explorar na carteira de pedidos, na transição para o modelo de nuvem e na história de avaliação da empresa do que as manchetes revelam sozinhas.
A Cerebras está construindo um hardware de IA que alguns investidores talvez ainda estejam subestimando. Para entender como o potencial de crescimento se compara a fatores como falta de lucratividade, financiamento externo e vendas internas de ações, vale mergulhar nos principais pontos fortes e nos sinais de alerta que a empresa apresenta.
Oracle: o gigante corporativo com IA embutida na nuvem
A Oracle é uma daquelas empresas globais de software e infraestrutura corporativa que praticamente todo mundo do setor conhece. Ela é famosa pelos seus bancos de dados, aplicações em nuvem e pela Oracle Cloud Infrastructure, a OCI. É justamente nessa infraestrutura que os modelos de linguagem hospedados, o Oracle Digital Assistant e os serviços de IA ancoram a ligação da empresa com o tema de ChatGPT e inteligência artificial.
A maior parte da receita da Oracle, cerca de US$58,5 bilhões, vem de nuvem e software, com contribuições menores de serviços, por volta de US$5,7 bilhões, e hardware, em torno de US$3,1 bilhões. Com valor de mercado de aproximadamente US$409,2 bilhões, a Oracle está entre os maiores provedores de software e nuvem expostos ao tema de IA no mundo.
Quem acompanha a história da IA pode querer manter a Oracle no radar porque a OCI e o Oracle Database turbinado com IA estão sendo usados para algumas das maiores cargas de trabalho de modelos de linguagem e inferência do mercado. Estamos falando de superclusters da OpenAI, além de contratos nas áreas de defesa e saúde. Não é pouca coisa: são justamente os casos de uso mais exigentes e sensíveis que colocam a robustez da infraestrutura à prova.
Por outro lado, essa investida em IA depende de gastos pesados com data centers e GPUs, alto endividamento e pressão sobre o fluxo de caixa livre, algo que os mercados de crédito vêm acompanhando de perto ao longo de 2026. A combinação de uma grande carteira de contratos de IA, agentes de IA embutidos nos sistemas Fusion e NetSuite, e acordos multi nuvem com provedores como AWS e Google cria um quadro de lucros bem diferente, desde que a Oracle consiga continuar convertendo demanda em capacidade utilizável sem esticar demais o seu balanço.
A história de crescimento em IA da Oracle está acelerando, e o ponto realmente interessante é como a carga de dívida e a construção de data centers interagem com essa oportunidade. Vale conferir o relatório de saúde financeira da empresa para enxergar o detalhe que muitos investidores podem estar deixando passar.
O que une essas três empresas nesse momento
À primeira vista, Baidu, Cerebras e Oracle parecem operar em mundos completamente diferentes, e, em certo sentido, operam mesmo. Uma domina o buscador e os modelos de linguagem dentro do mercado chinês, outra fabrica o hardware de IA que alimenta o treinamento dos modelos mais avançados, e a terceira oferece a nuvem corporativa e o software empresarial com IA embutida. Mas o que realmente as conecta é justamente essa complementaridade.
Elas cobrem camadas distintas e essenciais de uma mesma infraestrutura que está sendo construída agora, à medida que a inteligência artificial deixa de ser experimento e vira ferramenta de produção em empresas de todos os tamanhos. Chips, modelos, nuvem e aplicações formam um ecossistema em que cada peça depende das outras para funcionar de verdade.
O contexto macroeconômico americano, com o setor de serviços no seu melhor momento em quase dois anos, cria um ambiente favorável para que essa adoção acelere ainda mais. Empresas em expansão tendem a investir mais em tecnologia, e quando a tecnologia mais disponível e mais comentada é a inteligência artificial, o fluxo de capital vai naturalmente para quem está construindo essa base.
As ações de IA dessas três companhias refletem não apenas resultados passados, mas uma aposta estrutural de longo prazo de que essa infraestrutura vai continuar crescendo e se tornando mais complexa. Isso significa mais oportunidades para quem entende como cada camada do ecossistema se encaixa.
O que fica claro, olhando para esse cenário com um pouco mais de distância, é que o mercado de inteligência artificial não é uma bolha de uma única empresa ou de um único produto. Ele é um ecossistema em construção, com múltiplas camadas interdependentes, e as companhias que conseguem dominar uma dessas camadas com profundidade e consistência tendem a criar vantagens competitivas difíceis de contestar no curto e médio prazo. 🚀
Este conteúdo tem caráter informativo e geral, baseado em dados históricos e projeções de analistas com metodologia imparcial. Ele não constitui recomendação de compra ou venda de qualquer ativo e não leva em conta seus objetivos pessoais nem a sua situação financeira. A ideia aqui é trazer uma análise focada no longo prazo, orientada por dados fundamentais, lembrando que a leitura pode não considerar os anúncios mais recentes e sensíveis ao preço das empresas mencionadas.
