22/08/2026 9 minutos de leituraPor Rafael

Compartilhar:

Os agentes de IA estão cada vez mais presentes no dia a dia de quem vive imerso em tecnologia, e uma história recente mostra bem como essa tecnologia pode ser tanto o problema quanto a solução.

Brian Distelburger, de 47 anos, é cofundador de uma startup de IA chamada Windmill, voltada para avaliações de desempenho, e mora em Nova York. Ele é exatamente esse tipo de pessoa que não apenas acompanha as novidades, mas as coloca em prática antes de todo mundo. Foi um dos primeiros usuários do ChatGPT quando ele saiu, usa Claude e Codex com frequência, e chegou a construir sua própria instância de sistemas inteligentes rodando em um Mac Mini. Hoje ele mantém um sistema inteiro de agentes de IA para organizar sua rotina, desde acompanhar a temporada do time de basquete favorito, o Knicks, até garantir aquela reserva especial num restaurante badalado da cidade.

Mas foi justamente essa última missão que virou uma bagunça. Um dos agentes de IA dele recebeu acesso à conta no Resy — plataforma de reservas muito popular em Nova York — e, sem nenhum limite de comportamento configurado, começou a varrer o site de forma tão intensa que a plataforma identificou como tráfego de bot. Resultado: conta banida em menos de 48 horas, sem que o agente sequer tivesse conseguido fazer uma única reserva. 😬

O irônico de tudo isso? Foi outro agente de IA que resolveu o problema — e conseguiu deixar a conta reativada depois de semanas de tentativas frustradas. Essa história é ao mesmo tempo engraçada, real e cheia de lições importantes sobre como usar agentes de IA com responsabilidade.

Como Brian montou seu sistema de agentes de IA

Antes de chegar ao episódio do Resy, vale entender como Brian organiza sua vida com tecnologia. Ele começou explorando ferramentas mais complexas, como uma instância própria de OpenClaw, também rodando em um Mac Mini. Achou o processo complicado, especialmente nos primeiros dias, e acabou migrando para uma solução chamada Hermes, que usa há quatro ou cinco meses. Em torno dela, construiu um sistema bem completo de agentes dedicados a diferentes tarefas.

O agente principal se chama Hannah, uma homenagem à assistente executiva que trabalha com ele há cerca de 15 anos. Pense na Hannah como a CEO de todo o sistema, a agente com quem Brian realmente conversa, principalmente pelo Telegram. É ela quem coordena os subagentes, cada um com uma função específica. Um deles cuida de mantê-lo atualizado sobre esportes, o que foi especialmente útil durante a boa fase do Knicks, quando ele queria acompanhar cada jogador e cada detalhe. Outro agente, batizado de Concierge, é dedicado a eventos, restaurantes e reservas.

Um guia prático para avaliar, comparar e implementar inteligência artificial com clareza — sem desperdício de tempo ou dinheiro.

Pare de contratar ferramentas sem direção. Criamos um método estruturado para decidir qual IA realmente faz sentido para o seu negócio.

Entrega em PDF no seu e-mail · Sem spam · LGPD

🔒 Seus dados são protegidos conforme a LGPD. Você pode descadastrar a qualquer momento.

Esse nível de organização mostra como os agentes de IA já saíram do território experimental para virar parte funcional da rotina de quem entende do assunto. Mas também revela o quanto a configuração correta de cada agente faz diferença entre ter um assistente útil e criar uma dor de cabeça inesperada.

O que aconteceu de verdade com a conta no Resy

Para entender o tamanho do problema, vale contextualizar o que é o Resy e por que ele é tão importante para quem mora ou visita Nova York. A plataforma é uma das mais usadas para reservas em restaurantes de alto nível na cidade, e conseguir uma mesa em determinados lugares pelo Resy pode ser tão difícil quanto comprar ingresso para um show disputado. As reservas abrem em horários específicos, somem em segundos e quem chega atrasado fica de fora.

Tudo começou com um plano simples: Brian e a esposa queriam ir ao 4 Charles para uma noite especial. Os dois já tinham ido algumas vezes, sabiam que o lugar era ótimo e queriam garantir a mesa. Foi aí que ele configurou um agente com acesso ao Resy e forneceu suas credenciais de conta, com a missão de verificar disponibilidade no 4 Charles assim que as reservas fossem liberadas. No papel, parecia genial.

O problema é que Brian cometeu um erro que muita gente que trabalha com automação já cometeu ao menos uma vez: não colocou nenhum limite de comportamento no agente. Sem essas restrições, o sistema passou a acessar o site constantemente, fazendo requisições em alta frequência. A plataforma identificou aquilo como tráfego de bot e, em cerca de 48 horas, veio o aviso de que a conta tinha sido desativada. E o mais frustrante: o agente nunca chegou a fazer nenhuma reserva.

Brian ficou bem chateado. Como ele mesmo resume, você só percebe o quanto uma conta no Resy é importante em Nova York quando fica sem ela. Para contornar a situação, ele acabou assinando o nível mais alto do Dorsia, outro aplicativo de reservas voltado para restaurantes mais sofisticados, mas que exige um compromisso mínimo e é bem caro. Isso resolveu por um tempo, embora o cardápio de opções por lá fosse mais limitado. Enquanto isso, ele e a esposa chegaram a usar a conta dela algumas vezes, com ela sendo compreensiva sobre a mania do marido de testar toda novidade tecnológica.

Um agente de IA resolve o que outro criou

A virada da história vem com uma ironia deliciosa. Brian tentou de tudo por conta própria para reverter a situação. Mandou e-mails para o Resy logo de cara, explicando o que tinha acontecido e pedindo desculpas. Enviou quatro ou cinco mensagens, mas ou não recebia resposta ou recebia respostas curtas de uma frase só. Ouviu de algumas pessoas que a plataforma costuma reativar contas depois de um mês, então tentou esperar pacientemente. O mês passou e nada mudou.

Foi então que, de forma quase bem-humorada, Brian resolveu usar a mesma tecnologia que causou o problema para tentar resolver. Ele deu à sua agente principal, a Hannah, a tarefa de redigir o melhor e-mail possível para aumentar as chances de sua conta ser reativada. A Hannah escreveu uma mensagem muito bem elaborada, com alguns parágrafos, num tom profissional e reflexivo — exatamente o tipo de comunicação que ele mesmo deveria ter enviado nas primeiras tentativas, mas não fez.

O e-mail detalhava precisamente o que ele tinha feito, por que reconhecia que aquilo foi um erro, e deixava claro que não repetiria o comportamento. Ainda por cima, a agente referenciava as políticas do próprio Resy, analisou o histórico de Brian como cliente da plataforma e até mencionou o tempo em que ele era cliente American Express Business Platinum. Depois de semanas de silêncio, essa abordagem funcionou. Em apenas dois dias, ele recebeu resposta e a conta foi reativada, com o Resy concedendo o que chamaram de reintegração de cortesia por única vez.

Brian ficou animado, aliviado e, claro, aprendeu a lição: agentes de IA precisam de limites bem definidos, porque eles podem realmente sair do controle. Desde então, ele passou a ser bem mais cuidadoso sobre como seus agentes interagem com serviços externos, inclusive consultando a equipe de engenharia da Windmill para não fazer nenhuma bobagem.

O que essa história ensina sobre agentes de IA

O episódio de Brian com o Resy não é apenas uma história engraçada para contar em encontros de tecnologia — ele toca em pontos críticos sobre o estágio atual dos agentes de IA. A primeira lição é sobre a necessidade de limites de comportamento bem definidos. Quando um agente recebe um objetivo amplo, como garantir uma reserva em um restaurante, ele vai buscar esse objetivo da forma mais eficiente que conseguir. E eficiência, sem contexto, pode significar fazer centenas de requisições por hora sem perceber que isso vai acionar alertas de segurança.

A segunda lição é sobre o potencial dos agentes quando usados de forma intencional e responsável. O mesmo tipo de tecnologia que causou o problema foi capaz de estruturar uma comunicação mais eficaz do que o próprio humano conseguiu fazer sozinho durante semanas. Isso não significa que a IA substitui o julgamento humano — muito pelo contrário. Significa que, quando bem direcionada, ela amplifica a capacidade humana de resolver problemas complexos, especialmente aqueles que exigem paciência, organização e clareza na comunicação.

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

A terceira lição, talvez a mais importante, é sobre expectativas e responsabilidade. Como o próprio Brian aponta, a maioria dos sites e empresas ainda não definiu sua estratégia para lidar com agentes de IA acessando seus serviços. Por isso, quem usa esses sistemas precisa ficar atento aos termos de uso das plataformas. Existe uma tendência natural de tratar agentes de IA como assistentes perfeitos que vão adivinhar o que você quer sem instrução detalhada, mas a realidade é bem diferente. Esses sistemas são poderosos justamente porque seguem instruções — e quando elas são vagas ou incompletas, o resultado pode surpreender, nem sempre de forma positiva. 😅

O futuro dos agentes de IA no cotidiano

Casos como esse vão se tornar cada vez mais comuns à medida que os agentes de IA ganham espaço no dia a dia das pessoas — não só de quem trabalha com tecnologia, mas de qualquer um que comece a usar ferramentas de automação para simplificar tarefas rotineiras. Fazer reservas, agendar compromissos, monitorar preços, responder e-mails, acompanhar notificações — tudo isso já está dentro do alcance dos agentes atuais, e a tendência é que a adoção cresça rapidamente nos próximos anos. O desafio está em criar uma cultura de uso que equilibre a empolgação com a responsabilidade.

Plataformas como o Resy também precisam evoluir nessa direção. À medida que mais usuários começarem a interagir com seus sistemas via agentes de IA, a questão de como identificar e lidar com esse tipo de tráfego vai ficar cada vez mais relevante. Bloquear tudo que parece automatizado pode penalizar usuários legítimos, como aconteceu com Brian. Por outro lado, não ter nenhum mecanismo de proteção deixa a plataforma vulnerável a abusos reais. Encontrar esse equilíbrio é um problema de design que as empresas vão precisar enfrentar cedo ou tarde.

O episódio do banimento e da reativação da conta no Resy é, no fundo, um retrato fiel do momento em que estamos vivendo com a IA. Ainda estamos aprendendo as regras do jogo, testando os limites, errando e ajustando. E tudo bem que seja assim — desde que as lições sejam compartilhadas abertamente, como Brian fez ao contar sua história, para que a próxima pessoa não precise aprender do zero o que já foi descoberto na prática. 🤖

Foto de Rafael

Rafael

Operações

Transformo processos internos em máquinas de entrega — garantindo que cada cliente da Método Viral receba atendimento premium e resultados reais.

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato em até 24 horas.

Publicações relacionadas

Google AI: anúncios de Março em tecnologia e inteligência artificial

Google AI em Março: um resumo honesto sobre o que foi (e o que não foi) anunciado, e por que

IA e ROI: adoção de soluções na empresa sem hype

IA com foco em resultados: como empresas estão exigindo ROI real, reduzindo custos, aumentando produtividade e melhorando atendimento com soluções

Inteligência Artificial OpenAI: Modelos Multimodais, Automatização e Dados Unificados

Atualização semanal sobre Inteligência Artificial: notícias, agentes autônomos, modelos abertos, plataformas e impacto em marketing e produto.

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

Rafael

Online

Atendimento

Calculadora Preço de Sites

Descubra quanto custa o site ideal para o seu negócio

Páginas do Site

Quantas páginas você precisa?

Arraste para selecionar de 1 a 20 páginas

Em apenas 2 minutos, descubra automaticamente quanto custa um site sob medida para o seu negócio

Mais de 0+ empresas já calcularam seu orçamento

Fale com um consultor

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato.