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Bain projeta mercado de US$ 100 bilhões em SaaS com Agentic AI para automação corporativa

O mercado de SaaS está prestes a passar por uma das maiores transformações da última década, e a consultoria Bain & Company colocou números concretos nessa mudança.

Em seu segundo relatório de uma série de cinco sobre o setor de software na era da IA, a Bain estimou um mercado de US$ 100 bilhões só nos Estados Unidos para empresas SaaS que adotarem Agentic AI como parte do seu core.

O foco não está em substituir plataformas ou reinventar sistemas do zero.

A aposta está em um ponto muito específico: automatizar o chamado trabalho de coordenação, aquele conjunto de tarefas manuais e repetitivas que os colaboradores fazem entre diferentes sistemas corporativos todos os dias.

E a parte mais interessante?

Mais de 90% desse mercado ainda não foi tocado. 🚀

Se você acompanha o universo de tecnologia e inteligência artificial, esse número vai fazer bastante sentido ao longo deste artigo.

O que a Bain enxerga no horizonte do SaaS

A Bain & Company não é conhecida por fazer apostas levianamente. Quando a consultoria publica um relatório apontando para uma oportunidade de US$ 100 bilhões, o mercado presta atenção, e com razão. O documento em questão faz parte de uma série mais ampla que analisa como a inteligência artificial está redesenhando o setor de software como um todo, e este segundo capítulo traz um recorte muito preciso: o papel da Agentic AI dentro das plataformas SaaS já consolidadas no mercado corporativo.

A lógica por trás da projeção é direta. Empresas de software como serviço já têm base de clientes, dados históricos, integrações ativas e processos mapeados. Elas conhecem profundamente os fluxos de trabalho dos seus usuários. Isso as coloca em uma posição privilegiada para introduzir agentes de IA que não apenas sugerem ações, mas as executam de forma autônoma dentro dos sistemas existentes. A Bain identifica isso como a próxima grande onda de valor no setor, e o timing, segundo o relatório, é agora.

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O que torna essa análise ainda mais relevante é o contexto em que ela surge. O mercado de SaaS passou por um ciclo de ajustes nos últimos anos, com compressão de múltiplos, revisão de valuations e uma pressão crescente por eficiência operacional. A chegada da Agentic AI não é apenas uma resposta a esse cenário, é uma reinvenção do modelo de valor que essas empresas entregam. Em vez de vender apenas acesso a funcionalidades, a proposta passa a ser a entrega de resultados concretos e mensuráveis por meio da automação inteligente de processos.

Agentic AI: além do chatbot, a era da ação

Muito se fala sobre inteligência artificial generativa, mas a Agentic AI vai um passo além. Enquanto modelos como os grandes LLMs respondiam perguntas e geravam conteúdo, os agentes de IA executam tarefas de ponta a ponta, navegam entre sistemas, tomam decisões intermediárias e entregam resultados sem que um humano precise intervir a cada etapa. É a diferença entre ter um assistente que te diz o que fazer e ter um colaborador que simplesmente faz. Essa distinção é central para entender por que a Bain aposta tão alto nessa tecnologia dentro do ecossistema SaaS.

No ambiente corporativo, grande parte do tempo dos profissionais é gasta em tarefas de coordenação entre sistemas. Isso inclui copiar dados de um CRM para uma planilha, atualizar registros manualmente após uma reunião, disparar notificações com base em eventos específicos, consolidar informações de múltiplas ferramentas para gerar um relatório ou simplesmente garantir que dois sistemas diferentes estejam sincronizados. São atividades que parecem pequenas isoladamente, mas que consomem horas por semana quando somadas, e que, mais importante, não agregam valor estratégico a ninguém. São o custo invisível da complexidade operacional moderna.

É exatamente aí que a Agentic AI entra como protagonista. Ao integrar agentes inteligentes diretamente nas plataformas SaaS, as empresas de software conseguem eliminar esses gargalos sem que os usuários precisem migrar de ferramenta, aprender novos sistemas ou contratar mais pessoas. A automação acontece dentro do ambiente que o usuário já conhece, com o contexto que a plataforma já tem, e com uma precisão que modelos genéricos de IA dificilmente conseguiriam replicar sem esse histórico acumulado.

O relatório da Bain reforça que a automação baseada em regras e a RPA tradicional encontram limites importantes quando o fluxo de trabalho envolve ambiguidade e informações espalhadas por múltiplos sistemas. A Agentic AI consegue interpretar dados vindos de fontes diferentes, coordenar ações entre sistemas e operar dentro de diretrizes e guardrails de política. Isso amplia drasticamente o escopo do que pode ser automatizado em comparação com as gerações anteriores de ferramentas.

O trabalho de coordenação: a mina de ouro escondida nos sistemas corporativos

O conceito de trabalho de coordenação que a Bain detalha no relatório merece atenção especial. Estamos falando daquelas tarefas que surgem no espaço entre os sistemas corporativos: puxar dados de um ERP, comparar com informações de um CRM, interpretar mensagens não estruturadas que chegam por e-mail e decidir se a resposta correta é aprovar, escalar, responder ou simplesmente aguardar.

Esse tipo de trabalho é invisível para a maior parte das lideranças, mas consome uma parcela significativa da força de trabalho. A Bain estima que os fornecedores já estão capturando entre US$ 4 bilhões e US$ 6 bilhões desse mercado nos Estados Unidos. Quando olhamos para o total de US$ 100 bilhões, fica evidente que a janela de oportunidade ainda é enorme.

E não para por aí. Fora dos Estados Unidos, a Bain estimou que Canadá, Europa, Austrália e Nova Zelândia poderiam representar um mercado de tamanho semelhante. Isso levaria o total combinado dessas regiões mais os EUA para algo em torno de US$ 200 bilhões. Um número que coloca a Agentic AI como uma das maiores oportunidades de mercado da década para empresas de tecnologia.

90% do mercado ainda intocado: onde está a oportunidade real

O dado que mais chama atenção no relatório da Bain é que mais de 90% desse mercado potencial de US$ 100 bilhões ainda não foi endereçado. Isso significa que a corrida mal começou. As empresas SaaS que estão se movimentando agora não estão disputando fatias de um mercado maduro, estão literalmente ajudando a construir um mercado novo, definindo padrões, capturando dados iniciais e estabelecendo relacionamentos que vão ser muito difíceis de romper no futuro. No mundo de tecnologia, quem chega cedo em uma curva de adoção desse tamanho raramente perde o protagonismo com facilidade.

Para entender a profundidade dessa oportunidade, vale considerar o universo de empresas que dependem de múltiplos sistemas SaaS para operar. Uma empresa de médio porte típica utiliza dezenas de ferramentas diferentes, cada uma com sua própria lógica, interface e base de dados. A falta de integração nativa entre esses sistemas cria um trabalho manual constante que recai sobre os times de operações, TI e até sobre os próprios usuários finais. A automação via Agentic AI não resolve apenas um problema pontual, ela ataca uma dor sistêmica que existe em praticamente todos os setores da economia.

Tamanho do mercado por função corporativa

O relatório da Bain detalha como o mercado se distribui entre as diferentes funções dentro das empresas, e a divisão não é homogênea.

  • Vendas representa a maior fatia individual, com cerca de US$ 20 bilhões. Segundo a consultoria, isso se deve principalmente ao volume de profissionais atuando na área, e não a um potencial de automação excepcionalmente alto.
  • Custo de bens vendidos e operações somam aproximadamente US$ 26 bilhões. O tamanho da força de trabalho operacional faz com que mesmo taxas modestas de automação se traduzam em um mercado endereçável expressivo.
  • P&D e engenharia, suporte ao cliente e finanças representam entre US$ 6 bilhões e US$ 12 bilhões cada. São áreas com equipes robustas e alto potencial de automação em fluxos específicos.

Quando olhamos para o potencial de automação por função, o cenário fica ainda mais interessante:

  • Suporte ao cliente e P&D/engenharia lideram, com algo entre 40% e 60% das tarefas de fluxo de trabalho automatizáveis. A Bain explica que ambas as áreas possuem dados estruturados, processos padronizados e sinais de saída mais claros.
  • Finanças e recursos humanos ficam na faixa de 35% a 45%. Contas a pagar e folha de pagamento têm maior potencial, enquanto planejamento financeiro e relações com funcionários envolvem mais julgamento.
  • Vendas e TI ficam entre 30% e 40%. A Bain aponta a nuance das relações comerciais, a variação de negociação para negociação e a natureza imprevisível de incidentes de segurança como limitadores.
  • Jurídico tem o menor potencial geral, entre 20% e 30%. Revisão de contratos e compliance são repetíveis, mas as consequências de erros exigem supervisão mais rigorosa.

Os seis fatores de automação definidos pela Bain

O relatório identifica seis critérios que determinam o quanto de um fluxo de trabalho pode ser realistically tratado por um agente de IA. Esses fatores funcionam como um framework para avaliar a viabilidade de automação em cada processo:

  • Verificabilidade do resultado — fluxos com sinais claros de verificação são mais fáceis de automatizar. Exemplos incluem compilação de código, conciliação de faturas e resolução de tickets de suporte.
  • Consequência da falha — processos que envolvem risco regulatório ou financeiro exigem supervisão humana mais próxima, mesmo quando os agentes são tecnicamente capazes. Declarações fiscais, compliance legal e resposta a incidentes de segurança se encaixam aqui.
  • Disponibilidade de conhecimento digitalizado — agentes precisam de acesso a dados estruturados e contexto documentado. Muitas vezes, a lógica de decisão reside informalmente com funcionários experientes, o que dificulta a automação.
  • Variabilidade do processo — fluxos altamente variáveis são mais complexos de automatizar do que aqueles com padrões previsíveis.
  • Complexidade de integração — quando fluxos de trabalho passam por vários sistemas e APIs, com camadas de autenticação e tratamento de exceções, a automação de ponta a ponta se torna significativamente mais desafiadora.
  • Contexto de decisão entre sistemas — as áreas de maior valor estão concentradas onde nenhum sistema único controla o resultado completo do fluxo de trabalho.

David Crawford, chairman da prática global de tecnologia e telecomunicações da Bain, afirmou que empresas SaaS passaram as últimas duas décadas construindo posições em torno de sistemas de registro. A próxima fonte de vantagem competitiva será o que ele chama de contexto de decisão entre fluxos de trabalho — a capacidade de interpretar e agir em processos que transitam por múltiplos sistemas. 🎯

Empresas que já estão se movimentando

O relatório não fica apenas na teoria. A Bain citou vários exemplos concretos de empresas que estão capturando esse mercado emergente:

  • Cursor ultrapassou US$ 16,7 milhões em receita média mensal, tendo dobrado em um único trimestre.
  • Sierra cruzou a marca de US$ 150 milhões em receita anualizada.
  • Harvey passou de US$ 190 milhões em receita anualizada.
  • Glean atingiu US$ 200 milhões em receita anualizada.

Além dessas, nomes como Salesforce, ServiceNow e Workday foram mencionados na discussão sobre adoção de Agentic AI. O caso do GitHub também foi destacado como exemplo de uma empresa que utiliza dados de um fluxo de trabalho principal — colaboração entre desenvolvedores e controle de código-fonte — para expandir para áreas adjacentes como produtividade de desenvolvimento assistida por IA e automação de segurança.

A Bain identificou dois caminhos principais de expansão para empresas SaaS. O primeiro envolve automatizar fluxos de trabalho centrais, onde a empresa já possui conhecimento de domínio e confiança do cliente. O segundo caminho é mais ambicioso: automatizar fluxos adjacentes que a empresa ainda não atende diretamente. Esse segundo caminho é mais difícil de mapear, pois exige um entendimento detalhado dos fluxos dos clientes e dos dados subjacentes que sustentam as decisões.

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O que muda para o modelo de negócio do SaaS

A adoção da Agentic AI não é apenas uma atualização de produto, ela força uma revisão profunda do modelo de negócio das empresas SaaS. Historicamente, essas empresas cobram por assentos, ou seja, pelo número de usuários que acessam a plataforma. Mas quando um agente de IA passa a executar tarefas que antes demandavam múltiplos usuários humanos, esse modelo de precificação começa a perder sentido.

A tendência apontada pelo relatório da Bain é uma migração gradual para modelos baseados em resultados ou em volume de uso. Quando um agente resolve um chamado de suporte ou processa uma fatura do início ao fim, a precificação baseada em outcomes e uso se torna mais relevante do que simplesmente contar logins. Isso pode representar uma mudança estrutural nas receitas do setor.

Essa transição tem implicações importantes tanto para os vendedores de software quanto para os compradores. Do lado das empresas SaaS, há a necessidade de repensar como demonstrar e comunicar valor, já que o argumento de venda passa a ser medido em eficiência ganha e horas economizadas, não em funcionalidades disponíveis. Do lado dos clientes corporativos, a equação de ROI se torna mais clara e mais rápida de validar, o que pode tanto acelerar ciclos de compra quanto aumentar a pressão por entrega de resultados mensuráveis desde o início da adoção.

As recomendações da Bain para empresas SaaS

O relatório encerra com um conjunto de recomendações práticas para empresas que querem se posicionar nesse novo mercado:

  • Mapear fluxos automatizáveis — identificar quais processos dos clientes já podem ser automatizados com Agentic AI, avaliando a automação no nível de subprocesso e não tratando funções inteiras como igualmente automatizáveis.
  • Avaliar a qualidade dos dados — entender se os dados disponíveis são abrangentes, vinculados a resultados e utilizáveis para automação.
  • Fechar gaps de capacidade — seja por desenvolvimento interno, aquisições ou parcerias. O relatório citou o desenvolvimento in-house da plataforma Axon pela AppLovin, a aquisição da Moveworks pela ServiceNow e a parceria entre Salesforce e Workday como abordagens distintas e válidas.
  • Investir em talentos de engenharia de IA — arquitetura cloud-native para orquestração multi-agente e financiamento para treinamento de modelos e inferência são fundamentais.
  • Alinhar precificação e incentivos de vendas — migrar de modelos legados baseados em assentos para métricas orientadas a resultados de IA.
  • Construir fundações de dados e produto para fluxos agênticos — incluindo hand-offs legíveis por máquina e sistemas que capturam decisões e resultados de cada execução de fluxo de trabalho.

Crawford encerrou com um alerta sobre o senso de urgência. Segundo ele, o prazo para as empresas SaaS se posicionarem está sendo medido em trimestres, não em anos. Empresas nativas de IA estão acumulando mais dados de implantação a cada fluxo de trabalho que automatizam para seus clientes, o que cria um efeito de rede difícil de alcançar para quem demorar a agir.

O panorama geral: por que esse relatório importa agora

O relatório da Bain reforça que a vantagem competitiva nesse novo ciclo não vai estar apenas na qualidade do modelo de IA utilizado, mas na profundidade dos dados e integrações que cada plataforma já possui. Empresas SaaS com anos de histórico de uso, integrações consolidadas e um entendimento granular dos fluxos de trabalho dos seus clientes têm um diferencial que vai além da tecnologia em si. A Agentic AI potencializa o que já existe, e isso coloca os incumbentes bem posicionados em um momento em que muitos esperavam que a IA favorecesse apenas as startups nativas.

A mensagem central é clara: o mercado de SaaS não está encolhendo por causa da IA. Ele está se expandindo. A conversão de trabalho de coordenação intensivo em mão de obra para gastos com software representa uma das maiores ondas de criação de mercado desde a própria adoção do modelo SaaS. E com US$ 200 bilhões em potencial combinado entre Estados Unidos e mercados internacionais, a escala dessa oportunidade é difícil de ignorar. 🤖

Para empresas de tecnologia, investidores e profissionais que trabalham com sistemas corporativos, esse relatório funciona como um mapa de onde o valor vai se concentrar nos próximos anos. A era dos agentes inteligentes no SaaS não é uma promessa distante — ela já está gerando receita, e os números da Bain deixam isso muito evidente.

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