Compartilhar:

20% dos trabalhadores em tempo integral nos EUA dizem que a IA já faz parte do seu trabalho

Uma nova pesquisa divulgada na última quinta-feira acaba de mostrar um número que vale parar para pensar: 1 em cada 5 trabalhadores em tempo integral nos Estados Unidos já tem parte do seu trabalho sendo feita por inteligência artificial. O levantamento revelou ainda que metade dos adultos americanos usou IA na última semana, seja para fins pessoais ou profissionais.

O estudo foi conduzido pela Ipsos em parceria com a Epoch AI, uma organização sem fins lucrativos reconhecida por sua pesquisa baseada em dados sobre o desenvolvimento e o impacto da IA no mundo. Ao todo, cerca de 2.000 adultos americanos participaram da pesquisa, respondendo sobre como e quando usam ferramentas de IA no dia a dia. E os resultados mostram um cenário bem mais avançado do que muita gente imagina.

Não estamos falando de uma tendência distante ou de algo restrito ao setor de tecnologia. A automação já está acontecendo dentro das rotinas de trabalho comuns, em funções variadas, e o ritmo de adoção está surpreendendo até especialistas em políticas públicas.

Ao mesmo tempo, um dado curioso aparece no meio disso tudo: enquanto parte dos trabalhadores perdeu tarefas para a IA, outros 15% passaram a executar novas funções que simplesmente não existiriam sem ela, com uma margem de erro de mais ou menos 2,5%. Ou seja, a IA tira de um lado e cria do outro, mas a velocidade com que cada coisa acontece é o que realmente chama a atenção nessa história. 👇

O que a pesquisa realmente revelou

Quando a Ipsos e a Epoch AI foram a campo para entender como a inteligência artificial está entrando no trabalho das pessoas, elas não esperavam encontrar um nível de penetração tão expressivo. O dado de 20% de trabalhadores em tempo integral com tarefas automatizadas por IA é especialmente relevante porque não veio de uma amostra tecnológica ou de nicho. São trabalhadores comuns, de setores variados, que hoje convivem com ferramentas de IA como parte da rotina, não como novidade ou experimento.

Caroline Falkman Olsson, que ajudou a liderar a pesquisa pela Epoch AI, afirmou que os resultados confirmaram suposições amplamente difundidas sobre o crescente impacto da IA no ambiente profissional. Segundo ela, quando se analisa o que as pessoas relatam sobre o uso de IA, fica claro que existem efeitos tanto de aumento de capacidade quanto de automação. No entanto, Olsson fez uma ressalva importante: pesquisas mais detalhadas são necessárias para entender exatamente quais tarefas estão sendo impactadas e como os ambientes e as rotinas de trabalho das pessoas estão de fato mudando.

A pesquisa também aponta que o uso da IA no ambiente de trabalho vai muito além de simplesmente digitar um prompt no ChatGPT e copiar a resposta. Muitos respondentes relataram que a IA já participa de etapas estruturais das suas funções, como triagem de dados, geração de relatórios, respostas automáticas a clientes, análise de documentos e até sugestões de decisão em tempo real. Isso representa uma mudança profunda na forma como o trabalho é organizado e executado, porque agora não é mais o colaborador que faz tudo e usa a ferramenta como apoio. Em muitos casos, a ferramenta executa, e o colaborador revisa.

Outro ponto que a pesquisa destacou com clareza é a diferença entre setores. Profissionais de áreas como jurídico, financeiro, marketing, suporte técnico e atendimento ao cliente foram os que mais relataram ter tarefas sendo executadas total ou parcialmente por sistemas de inteligência artificial. E o interessante é que muitos desses profissionais não enxergam isso como ameaça imediata, mas como uma mudança de papel dentro das suas próprias funções. Eles continuam empregados, mas fazem coisas diferentes das que faziam há dois ou três anos.

Um guia prático para avaliar, comparar e implementar inteligência artificial com clareza — sem desperdício de tempo ou dinheiro.

Pare de contratar ferramentas sem direção. Criamos um método estruturado para decidir qual IA realmente faz sentido para o seu negócio.

Entrega em PDF no seu e-mail · Sem spam · LGPD

🔒 Seus dados são protegidos conforme a LGPD. Você pode descadastrar a qualquer momento.

Frequência de uso e perfil dos usuários de IA

Um aspecto revelador da pesquisa diz respeito à frequência de uso. Entre os adultos que usaram IA na última semana, quase 50% afirmaram ter utilizado ferramentas de inteligência artificial entre dois e cinco dias na semana. Porém, quando o estudo analisou a intensidade desse uso, o cenário mostrou que a maioria — cerca de 62,5% — realizou apenas uma ou duas tarefas rápidas no dia de maior utilização. Isso contrasta com os aproximadamente 6% de respondentes que relataram uso intenso e contínuo de IA.

Esse dado é interessante porque mostra que, apesar de a adoção ser ampla, o uso ainda é relativamente superficial para a maioria das pessoas. A IA já está no cotidiano de muita gente, mas para boa parte dos usuários ela funciona mais como uma ferramenta de consulta pontual do que como um sistema integrado às rotinas de trabalho. Os chamados heavy users, que representam uma fatia pequena, são provavelmente os que mais estão experimentando os efeitos transformadores da tecnologia no dia a dia profissional.

Outro dado que chama atenção envolve quem paga pela ferramenta. A pesquisa revelou que aproximadamente metade dos adultos americanos que usaram IA para trabalho na última semana recorreram a assinaturas pessoais ou versões gratuitas dos serviços de IA, em vez de contas fornecidas pelo empregador. Isso sugere que muitas empresas ainda não formalizaram a adoção de IA em suas operações, mesmo que seus funcionários já estejam usando essas ferramentas ativamente. É um cenário em que a adoção está sendo puxada de baixo para cima, pelos próprios trabalhadores, e não de cima para baixo, pelas organizações.

Agentes de IA começam a aparecer no radar

A pesquisa também abordou o uso crescente dos chamados agentes de IA, que são sistemas capazes de realizar tarefas de forma independente, indo além de simplesmente responder perguntas. Embora a tecnologia de agentes só tenha ganhado atenção ampla da indústria nos últimos meses, os primeiros sinais de adoção já estão aparecendo nos dados.

Segundo o levantamento, 8% dos usuários de IA (com margem de erro de mais ou menos 1,5%) utilizaram um agente de IA na última semana. Para efeito de comparação, 49% dos usuários de IA (com margem de erro de mais ou menos 1,6%) usaram sistemas de IA para pesquisar na web. Ou seja, a busca por informações ainda domina o uso de IA, mas os agentes já estão conquistando espaço mesmo sendo uma tecnologia tão recente.

Renan Araujo, diretor de programas do Instituto de Política e Estratégia de IA (Institute for AI Policy and Strategy), uma organização sem fins lucrativos, destacou que esse achado sobre agentes é notável. Segundo ele, 1 em cada 12 americanos já usou um agente autônomo de IA, ou seja, um software que não apenas responde perguntas, mas toma ações em nome do usuário. Araujo ressaltou que essa capacidade simplesmente não existia há dois anos, e é impressionante ver como o uso cresceu tão rapidamente.

Para que as pessoas estão usando IA

O estudo da Epoch AI também investigou quais são os usos mais comuns da inteligência artificial entre os adultos americanos. Os resultados mostram que a IA está sendo usada de formas bastante variadas, mas algumas categorias se destacam com clareza.

Entre os adultos que usaram IA na última semana, 80% afirmaram ter usado os serviços para buscar informações ou recomendações. Logo em seguida, 59% relataram usar IA para escrever ou editar textos, e 53% disseram ter usado as ferramentas para fazer brainstorming de ideias. Esses três usos lideram com folga e mostram que a IA está se consolidando como uma espécie de assistente intelectual no cotidiano das pessoas.

Quanto às ferramentas mais populares, o ChatGPT lidera disparado, sendo utilizado por 31% da amostra. Na sequência vem o Gemini, do Google, com 21%, e o Copilot, da Microsoft, com 10,5%. A liderança do ChatGPT não surpreende, considerando que a ferramenta da OpenAI foi a responsável por popularizar o conceito de IA generativa para o grande público a partir do final de 2022.

A automação que cria enquanto substitui

Um dos achados mais surpreendentes desse levantamento é justamente aquele que parece contraditório à primeira vista. Enquanto a narrativa dominante sobre IA e trabalho gira em torno da substituição, os dados mostram que 15% dos trabalhadores passaram a desempenhar funções que literalmente não existiam antes da automação. Isso inclui atividades como monitoramento e ajuste de modelos de linguagem, curadoria de outputs gerados por IA, treinamento de sistemas com dados específicos do negócio e gestão de fluxos automatizados, entre outras. São funções que surgiram porque a IA surgiu, e que dependem de uma pessoa para funcionar bem.

Esse fenômeno não é exatamente novo na história da tecnologia. Quando as planilhas eletrônicas chegaram, contadores que faziam cálculos manuais passaram a analisar cenários mais complexos. Quando a internet se popularizou, surgiram profissões que ninguém tinha nome para dar ainda. A diferença agora é a velocidade. O impacto da inteligência artificial sobre o mercado de trabalho está acontecendo em um ritmo muito mais acelerado do que o de transformações tecnológicas anteriores, e isso é o que está deixando especialistas em políticas públicas genuinamente preocupados. Não com a direção da mudança, mas com a capacidade das pessoas e das instituições de se adaptarem no tempo certo.

Nicholas Miailhe, especialista em políticas de IA e líder na Parceria Global sobre Inteligência Artificial (uma iniciativa internacional composta por 46 países e a União Europeia), afirmou que os resultados deveriam servir como um alerta para trabalhadores e formuladores de políticas. Segundo ele, quando 1 em cada 5 trabalhadores diz que a IA já está substituindo partes do seu trabalho, é possível falar em reestruturação do mercado de trabalho acontecendo em tempo real.

Miailhe também chamou atenção para o fato de que a substituição parece estar avançando mais rápido do que o aumento de capacidade proporcionado pela IA. Na visão dele, a janela de oportunidade para que governos ajudem a moldar como a IA transforma o trabalho provavelmente está se fechando mais rápido do que a maioria dos governos percebe.

A automação que cria enquanto substitui também levanta uma questão importante sobre quem se beneficia dessa criação. As novas funções que surgiram com a IA geralmente exigem um nível de letramento digital e familiaridade com sistemas que não é distribuído de forma uniforme na população. Isso significa que, enquanto alguns trabalhadores transitam naturalmente para esses novos papéis, outros ficam para trás, não por falta de esforço, mas por falta de acesso a treinamento, tempo ou recursos. Esse é o lado mais complexo do impacto da IA que os números de adoção, por si sós, não conseguem capturar.

Relatórios de Wall Street reforçam o cenário

A pesquisa da Epoch AI não está isolada. Ela chega em um momento em que grandes bancos de investimento também estão publicando análises sobre o impacto da IA no mercado de trabalho. Economistas do Goldman Sachs publicaram novas descobertas nesta semana indicando que a IA está eliminando cerca de 16.000 empregos por mês nos Estados Unidos, quando se consideram tanto os efeitos de automação quanto os de aumento de capacidade causados pela inteligência artificial.

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

Os pesquisadores do Goldman Sachs já haviam estimado anteriormente, em março, que a IA tem potencial para automatizar tarefas que consomem cerca de 25% de todas as horas de trabalho. Relatórios do Morgan Stanley também têm abordado o crescente papel da IA no mercado de trabalho. Esses dados vindos de Wall Street servem como uma validação adicional do que a pesquisa da Epoch AI está capturando diretamente com os trabalhadores.

Quem é a Epoch AI

Para quem não conhece, a Epoch AI foi fundada em 2021 como um projeto voluntário dedicado a coletar e analisar dados sobre tendências no desenvolvimento de inteligência artificial. O centro de pesquisa ganhou notoriedade em 2022, quando passou a estudar a quantidade de poder computacional que as principais empresas de IA utilizavam para treinar seus modelos. Desde então, a organização expandiu seu escopo e hoje também estuda o preço dos serviços de IA, a construção de data centers ao redor do mundo e os tipos de chips usados no desenvolvimento de modelos de IA.

A pesquisa mais recente foi realizada entre os dias 3 e 5 de março por meio da plataforma de pesquisa online da Ipsos, garantindo uma amostra representativa da população adulta dos Estados Unidos.

O que esses números significam para o futuro do trabalho

O impacto da inteligência artificial sobre o trabalho já não é mais uma projeção de futuro, é um retrato do presente. E a pesquisa da Ipsos com a Epoch AI é um dos primeiros grandes esforços sistemáticos de colocar esse retrato em números concretos, com metodologia robusta e uma amostra representativa. O que esses números dizem é que a transformação está em curso, que ela não é uniforme, e que o debate sobre como lidar com ela precisa acontecer agora, não daqui a cinco anos.

Para as empresas, o sinal é claro: a automação via IA deixou de ser uma aposta estratégica de longo prazo e virou uma realidade operacional de curto prazo. Organizações que ainda estão na fase de avaliar se vão adotar inteligência artificial nos seus processos estão, na prática, ficando para trás em relação às que já estão mensurando o impacto e ajustando suas equipes de acordo. A pergunta que líderes e gestores precisam estar respondendo não é mais se a IA vai mudar o trabalho, mas como essa mudança será gerenciada de forma que não deixe as pessoas no lado errado da equação.

Para os trabalhadores, o cenário é de oportunidade real, mas também de atenção necessária. A pesquisa mostra que quem já está usando IA no trabalho tende a relatar ganhos de produtividade e abertura para novas responsabilidades. Mas isso não acontece automaticamente. Requer disposição para aprender, para experimentar ferramentas novas e para entender que o valor profissional hoje está cada vez menos na execução mecânica de tarefas e cada vez mais na capacidade de pensar criticamente sobre os resultados que a automação entrega. Esse deslocamento de competências é, talvez, o maior desafio individual que esse novo cenário coloca na mesa. 🤖

Os dados em destaque

  • 50% dos adultos americanos usaram IA na última semana, para fins pessoais ou profissionais
  • 20% dos trabalhadores em tempo integral nos EUA já têm tarefas sendo executadas por inteligência artificial
  • 15% passaram a desempenhar funções novas que surgiram por causa da automação
  • 62,5% dos usuários realizaram apenas 1 a 2 tarefas rápidas no dia de maior uso de IA
  • 8% dos usuários de IA já utilizaram agentes autônomos na última semana
  • 80% usaram IA para buscar informações ou recomendações
  • 59% usaram IA para escrever ou editar textos
  • 53% usaram IA para brainstorming de ideias
  • ChatGPT é a ferramenta mais popular (31%), seguido por Gemini (21%) e Copilot (10,5%)
  • O Goldman Sachs estima que a IA está eliminando cerca de 16.000 empregos por mês nos EUA
Foto de Rafael

Rafael

Operações

Transformo processos internos em máquinas de entrega — garantindo que cada cliente da Método Viral receba atendimento premium e resultados reais.

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato em até 24 horas.

Publicações relacionadas

Ações da Amazon podem subir com parceria OpenAI

Parceria entre Amazon e OpenAI pode impulsionar receitas de IA e valorizar ações, diz Citi; impacto estratégico no AWS e

Moratória em Datacenters de IA: Energia em Debate

Moratória: Sanders e AOC propõem pausa na construção de datacenters de IA nos EUA para avaliar impactos ambientais e energéticos.

Blockchain e Agentes de IA Mudam os Pagamentos em Cripto

Agentes de IA impulsionam pagamentos cripto com blockchain, stablecoins e x402, viabilizando transações autônomas, micropagamentos e economia entre máquinas

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

Rafael

Online

Atendimento

Calculadora Preço de Sites

Descubra quanto custa o site ideal para seu negócio

Páginas do Site

Quantas páginas você precisa?

4

Arraste para selecionar de 1 a 20 páginas

📄

⚡ Em apenas 2 minutos, descubra automaticamente quanto custa um site em 2026 sob medida para o seu negócio

👥 Mais de 0+ empresas já calcularam seu orçamento

Fale com um consultor

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato.