A ascensão da IA agêntica e o futuro do varejo de conveniência
Inteligência Artificial deixou de ser só aquela tecnologia que responde perguntas ou gera textos bonitos.
Ela está evoluindo para algo muito mais poderoso: agentes que tomam decisões, executam tarefas e operam de forma autônoma, sem precisar que um humano aperte o botão a cada etapa.
E o varejo de conveniência foi um dos primeiros setores a sentir essa virada de verdade.
Na Conexxus Annual Conference 2026, realizada em janeiro, executivos, engenheiros e especialistas em tecnologia se reuniram para discutir uma questão que parece saída de ficção científica, mas já está acontecendo nos bastidores das operações:
E se as lojas pudessem pensar por conta própria?
Não estamos falando de um sistema que avisa quando o estoque está baixo. Estamos falando de agentes autônomos que percebem uma mudança climática chegando, antecipam o aumento na demanda por determinado produto, ajustam o pedido automaticamente e ainda comunicam o fornecedor — tudo isso sem intervenção humana.
Parece muito? Pode ser que sim, mas essa é exatamente a direção que a tecnologia está tomando, e as empresas que entenderem isso agora vão sair na frente.
Neste artigo, a gente vai destrinchar o que rolou na conferência, o que é essa tal IA agêntica, como ela está transformando desde a gestão de estoque até o comércio móvel, e por que o equilíbrio entre automação e presença humana ainda é o ponto mais crítico dessa equação. 🚀
O que é IA agêntica e por que isso muda tudo
Durante anos, a Inteligência Artificial funcionou como uma ferramenta reativa. Você perguntava, ela respondia. Você fornecia dados, ela gerava um relatório. A lógica era sempre a mesma: um humano no controle, a IA executando. Mas o conceito de agente autônomo quebra exatamente essa dinâmica. Em vez de esperar por um comando, o agente observa o ambiente, interpreta o que está acontecendo e age por conta própria, com base em objetivos definidos previamente. É uma mudança de paradigma que vai muito além de uma atualização de software.
Bradford Loewy, diretor de soluções de produto na Bulloch Technologies, explicou durante um painel na conferência que agentes de IA usam técnicas de inteligência artificial para tomar decisões, executar ações e alcançar objetivos de forma autônoma, dentro de parâmetros estabelecidos por humanos. A diferença fundamental em relação à IA generativa tradicional é justamente essa capacidade de agir sem precisar de aprovação passo a passo.
Clerley Silveira, gerente de engenharia na Invenco by GVR, trouxe um exemplo que deixa tudo mais claro. Hoje, a IA generativa consegue ajudar você a planejar uma viagem de férias, sugerindo um itinerário dia a dia com voos, atividades, hospedagens e restaurantes. A IA agêntica vai além: com base nas suas preferências e regras que você definiu, ela faz todas as reservas por você, sem que precise mover um dedo.
Quando chegarmos ao estágio em que você não precisa mais tomar a ação por conta própria, aí teremos uma verdadeira IA agêntica. E isso é o que vai ser realmente transformador, disse Silveira durante o evento.
Na prática, um agente autônomo consegue encadear várias ações em sequência, tomar micro decisões ao longo do caminho e corrigir o próprio curso quando algo sai do planejado. Imagine um gerente de loja que nunca dorme, nunca esquece de checar o estoque e ainda consegue prever o que vai acontecer nas próximas horas com base em dados climáticos, histórico de vendas e movimentação de clientes. Essa é, em essência, a proposta da IA agêntica aplicada ao varejo.
O que chamou atenção na Conexxus Annual Conference 2026 foi justamente a maturidade com que esse tema foi apresentado. Não era uma discussão sobre futuro distante. Era uma conversa sobre implementações reais, pilotos em andamento e lições aprendidas por quem já está colocando esses sistemas para funcionar. Os especialistas foram claros: a automação inteligente já existe, já funciona e já está gerando resultado. A questão agora é como escalar com responsabilidade.
A loja agêntica do futuro
Muitos operadores de lojas de conveniência já utilizam alguma forma de IA para automação. Um exemplo comum é o relatório de previsão de estoque que ajuda a otimizar o que pedir e quando. Mas existe um detalhe: um humano ainda precisa efetivamente fazer o pedido. Ou talvez o software já consiga fazer pedidos automaticamente com base em gatilhos de reposição, mas sem levar em conta fatores dinâmicos como clima, eventos locais, promoções ou interrupções na cadeia de suprimentos.
Michael Munz, gerente de operações de marketing na Petrosoft, deixou claro durante a conferência: onde a IA agêntica realmente começa a atuar é quando ela transforma essas tarefas em algo trivial. Esses processos com os quais contamos, o agente pode começar a assumir por nós.
E o mais interessante é que esse conceito se aplica a praticamente todas as áreas de operação de uma loja de conveniência, do pátio de combustíveis ao balcão de comida.
Combustíveis e gerenciamento de tanques
No pátio de abastecimento e no armazenamento subterrâneo de combustíveis, Jack Dickinson, diretor de desenvolvimento de parceiros na Dover Fueling Solutions, explicou que os operadores já estão trabalhando em agentes reativos e preventivos capazes de responder aos sistemas automatizados existentes.
Hoje já é possível monitorar medidores, verificar o que está nos tanques, acompanhar entregas e o fluxo de combustível saindo. Mas Dickinson enxerga um futuro com despacho automatizado de técnicos. Imagine um agente que conhece a localização e a agenda de cada técnico de manutenção e consegue redirecionar rotas conforme novas prioridades aparecem. Melhor ainda: imagine um agente que sabe exatamente quais peças estão no veículo de cada técnico e pode direcionar o profissional certo para o local certo, com base nas peças que provavelmente serão necessárias ali.
Eficiências preventivas e operacionais podem ser realmente automatizadas. Podemos permitir que os sistemas comecem a tomar decisões e se conectem a outros aspectos das operações que hoje estão isolados, destacou Dickinson.
Gestão de estoque inteligente, sem achismo
Um dos temas mais discutidos na conferência foi o impacto da Inteligência Artificial na gestão de estoque. E não é difícil entender o porquê. Estoque mal gerido é dinheiro parado ou, pior, cliente sem produto na gôndola. As perdas por ruptura de estoque e por excesso de inventário somam bilhões por ano no setor de varejo global, e boa parte dessas perdas acontece simplesmente porque os sistemas tradicionais não conseguem reagir rápido o suficiente às mudanças de demanda.
Munz, da Petrosoft, descreveu o cenário atual com precisão: O estoque hoje é um sistema vivo. Está ligado a realidades da cadeia de suprimentos, padrões sazonais, demandas de clientes, programas de fidelidade, incentivos de fabricantes e, cada vez mais, a coisas como reduflação e tarifas.
Com agentes de Inteligência Artificial, esse cenário começa a mudar de forma concreta. O sistema consegue monitorar o giro de cada produto em tempo real, cruzar esse dado com variáveis externas como clima, feriados, eventos locais e até tendências de comportamento do consumidor, e então ajustar automaticamente as ordens de compra. Em vez de repor estoque simplesmente porque um número mínimo foi atingido, a IA agêntica vai conseguir considerar tudo ao redor. Ela pode atrasar ou acelerar um pedido porque detectou uma promoção chegando, um evento climático ou uma mudança na demanda dos clientes por conta de sensibilidade a preços.
Tudo isso acontece de forma contínua, sem que um gerente precise revisar planilha por planilha. O resultado é uma operação muito mais enxuta, com menos desperdício e mais assertividade nas reposições. 📦
Foodservice: milhares de decisões que podem sair do seu prato
O setor de alimentação dentro do varejo de conveniência é uma das operações mais complexas do segmento, segundo Mike Weber, diretor de crescimento na Upshop. E o cenário atual não ajuda: muitos operadores ainda gerenciam o foodservice com planilhas, cálculos de cabeça e os dados de vendas do dia anterior. Com margens apertando e a pressão sobre a mão de obra aumentando, essa abordagem está se tornando insustentável.
Esse método coloca a responsabilidade na sua equipe de tomar muitas decisões diárias em pouco tempo e sob muita pressão, disse Weber. O computador deveria estar focando nessas coisas que podem ser automatizadas, para que a equipe possa focar no que é mais significativo.
Weber explicou que, no foodservice, a IA deveria rastrear todos os ingredientes desde o momento em que entram pela porta, ajudar operadores a decidir quanto alimento produzir por localização e por período do dia, monitorar desperdício, orientar equipes sobre como conduzir remarcações e prever necessidades de inventário para os próximos dias até semanas à frente.
Segundo ele, a previsão de demanda no nível da loja é o ponto de partida mais realista e impactante para a IA no foodservice. Com essa abordagem, é possível alcançar de 98% a 99% de precisão, o que se traduz em lojas extremamente eficientes.
Quando a IA agêntica for ativada e conectada aos sistemas de previsão, será possível gerar recomendações ainda melhores e otimizar as operações de foodservice de ponta a ponta. O agente pode ser treinado para focar nas métricas mais importantes de cada loja, antecipando o que precisa mudar com base nos sinais que identifica, sejam padrões recorrentes de um fornecedor, variações nas previsões ou comportamentos do mercado.
Comércio móvel e a nova jornada do consumidor
Se você perguntasse a Gray Taylor, ex-diretor executivo da Conexxus, o que vai definir o futuro da conveniência, a resposta seria uma só: comércio de mobilidade, e a IA agêntica é a força motriz por trás disso.
O conceito é fascinante. Seu carro vai funcionar como uma peça conectada do ecossistema de conveniência. Você poderá pedir para ele parar no seu posto favorito para abastecer, fazer um pedido de comida pelo caminho ou comprar um produto enquanto o sistema verifica sua identidade e idade automaticamente. Seu veículo vai conhecer seu programa de fidelidade e conseguir pagar por todos esses produtos antes mesmo de você chegar. Tecnologia de reconhecimento de placa vai registrar seu carro na bomba.
Mas Taylor fez um alerta importante: existe muito trabalho necessário para tornar tudo isso realidade.
Temos, e eu não consigo enfatizar isso o suficiente, um trem de carga vindo na nossa direção chamado compras agênticas. Está sendo impulsionado pela capacidade dos consumidores de encontrar você online, de sistemas conhecerem seu inventário em tempo real e o que você tem na loja e sua tabela de preços, disse Taylor. A IA vai tomar decisões pragmáticas para o consumidor, como escolher entre fazer duas curvas à direita para ir a uma loja ou duas à esquerda para ir à favorita. A IA vai começar a decidir isso e aprender preferências. Então temos um grande trabalho pela frente e vai ser um enorme desafio operacional.
Além da conveniência para o consumidor final, essa integração entre comércio móvel e automação inteligente também gera dados valiosos para as operações. Cada interação do usuário com o aplicativo alimenta o sistema de Inteligência Artificial, que aprende continuamente e refina as suas previsões e recomendações. É um ciclo virtuoso onde a experiência melhora para o cliente e a operação fica mais eficiente para a empresa ao mesmo tempo. 📱
Automação com responsabilidade: o papel humano que não pode ser esquecido
Com tudo isso, seria fácil concluir que o futuro do varejo é totalmente automatizado, sem humanos no loop. Mas a Conexxus Annual Conference 2026 foi bastante enfática em um ponto: automação e presença humana não são opostos, eles são complementares.
Os palestrantes da conferência deixaram uma coisa bem clara: não devemos automatizar só por automatizar. Munz, da Petrosoft, resumiu bem: Existe um ponto em que a automação se torna contraproducente, especialmente quando ela sobrepõe o julgamento no nível da loja. Isso é algo humano, e precisamos valorizar.
Os varejistas que terão sucesso serão aqueles que entenderem o que automatizar, o que proteger e onde os humanos precisam permanecer centrais para manter a confiança do consumidor.
Os varejistas que vencerem serão aqueles que implantarem a tecnologia com clareza, equilibrando automação com supervisão humana para construir confiança, preparando-se para os riscos e evoluindo diretrizes, e reconhecendo que o estoque é apenas uma peça de uma plataforma de e-commerce muito maior, movida por IA, completou Munz.
O modelo que mais tem dado certo nas implementações apresentadas na conferência é o chamado human-in-the-loop, onde o agente autônomo conduz a maior parte das operações, mas o ser humano permanece como ponto de supervisão e tomada de decisão em cenários de maior complexidade ou risco. Não é sobre tirar o ser humano da equação, é sobre liberar as pessoas de tarefas mecânicas para que possam focar no que realmente importa: relacionamento com o cliente, inovação e estratégia de negócio. ⚙️
Segurança e governança: a próxima geração de proteção
Sem segurança robusta e governança adequada, a IA não é inovação, é exposição. Quem trouxe esse alerta foi J.B. Branch, defensor de responsabilidade de grandes empresas de tecnologia, focado em direitos do consumidor e privacidade de dados na Public Citizen.
Para uma indústria que toca milhões de consumidores todos os dias, usar IA como parte da infraestrutura central do negócio muda completamente o perfil de risco. Quando falhas acontecem, você perde a confiança do consumidor, alertou Branch. Queremos escalar a inovação com IA. É algo positivo. Mas não queremos corroer a confiança do consumidor.
Branch levantou um ponto que merece atenção especial: conforme avançamos para a IA agêntica, teremos uma empresa com milhares de agentes de IA interagindo no ciberespaço com milhares de agentes de outra empresa, sem muita supervisão humana. E isso é preocupante quando erros ou danos acontecem.
Um dos alertas mais fortes de Branch foi sobre fornecedores e compartilhamento de dados. Ele recomendou que os varejistas entendam onde seus dados estão armazenados, quais fornecedores têm acesso a eles e se esses dados são reutilizados para retreinar modelos de IA.
Antes de implantar IA, Branch recomendou que os varejistas considerem:
- Definir fronteiras de dados — o que a IA pode e o que não pode acessar
- Blindar contratos com fornecedores — uso de dados, retenção e localização dos servidores
- Planejar para falhas em escala, não apenas para casos isolados
- Manter a responsabilidade humana em todas as etapas
Você precisa de regras internas claras sobre quais dados está usando, por quanto tempo os retém e para que são usados, reforçou Branch. 🔒
Colocando-se fora do mercado (do jeito certo)
Frank Gleeson, CEO e presidente da NACS, começou sua carreira na linha de frente do negócio da família e carrega um lema: Se você não está servindo o cliente, está servindo alguém que serve.
Durante sua palestra principal na Conexxus sobre inovação e tecnologia na conveniência, ele reforçou que os funcionários de loja têm o trabalho mais difícil da organização, e que qualquer inovação ou tecnologia que não facilite a vida deles vai fracassar.
Tecnologia é um grande facilitador, disse Gleeson. Quando você pensar em tecnologia, ela precisa ser sobre simplificar as coisas e remover atrito.
As melhores ferramentas tecnológicas, segundo ele, simplificam tarefas em vez de adicionar novos passos, reduzem a carga cognitiva dos funcionários e eliminam trabalho manual desnecessário e redundâncias.
Gleeson relembrou sua experiência como presidente e CEO da Aramark Northern Europe, quando trabalhou com uma empresa de self-checkout por visão computacional ainda no início e implementou a tecnologia em estádios esportivos. Era algo bastante transformador na época, e a busca sempre foi por algo que tornasse o processo de compra mais fácil e rápido para os clientes, especialmente em pontos de alto volume ou onde os custos de mão de obra eram particularmente altos.
Ele fez questão de esclarecer: isso não é sobre reduzir o número de funcionários. Melhor tecnologia leva a melhor atendimento, não a menos pessoas. Quando as ferramentas fazem bem o seu trabalho, os funcionários podem focar no que só humanos fazem bem.
E com inovação bem-sucedida também vem o fracasso. Nem todas as ideias vão funcionar, e elas nem sempre funcionam rápido. Referenciando o exemplo do self-checkout, Gleeson contou que a implantação levou anos, não meses, para escalar. E muitas outras tecnologias testadas em estádios simplesmente não deram certo.
Seu conselho para varejistas: teste pequeno, falhe rápido e escale apenas o que gera comportamento de repetição.
Em uma sessão de perguntas com painelistas como Chris Bambury (presidente da Bambury Inc.), Lonnie McQuirter (diretor de operações da 36 Lyn Refuel Station), Varish Goyal (CEO da Vintners Distributors, Au Energy e Loop Neighborhood Markets) e Jigar Patel (vice-presidente da SAASOA USA e CEO da Fastime), o grupo apontou exemplos de onde a tecnologia entrega valor real para operadores:
- Pedidos móveis e retirada que realmente economizam tempo
- Experiências integradas de lavagem de carro e abastecimento
- Pontos de entrada e fluxos de pagamento sem contato
- Tecnologia que permite personalização rápida de pedidos
- Checkout assistido por IA que acelera transações
- Limpeza e manutenção automatizadas que liberam funcionários para o atendimento
Inovação nem sempre é sobre novidade ou ser o primeiro a chegar ao mercado. É sobre introduzir as tecnologias certas que resolvem o problema certo para transformar um negócio.
Vinte e cinco anos atrás, o saudoso Steve Sheetz, ex-presidente, CEO e chairman da Sheetz, disse que sua visão era criar uma versão da Sheetz que colocaria a Sheetz que ele liderava fora do mercado. Gleeson encerrou sua fala provocando a plateia: como você colocaria seu próprio negócio fora do mercado hoje, se fosse inovar e crescer? 💡
O que esperar dos próximos passos
O que ficou evidente na conferência é que estamos no início de uma transformação que vai se aprofundar nos próximos anos. As empresas que já começaram a experimentar com agentes autônomos, mesmo que em escala pequena, estão acumulando aprendizado que vai ser decisivo quando a tecnologia amadurecer ainda mais. O custo de entrada está caindo, as ferramentas estão ficando mais acessíveis e os casos de uso estão se multiplicando em velocidade impressionante.
Para o varejo de conveniência especificamente, a combinação de gestão de estoque preditiva, comércio móvel personalizado e automação de processos operacionais representa uma oportunidade gigante de ganhar eficiência e melhorar a experiência do consumidor ao mesmo tempo. E tudo isso sendo orquestrado por sistemas de Inteligência Artificial que aprendem, se adaptam e evoluem continuamente com base nos dados gerados pela própria operação.
Mas a mensagem mais importante que ficou da Conexxus 2026 talvez seja esta: o poder da IA agêntica no inventário, no foodservice, nos combustíveis e no comércio móvel é algo que parece fácil de implementar, mas não é. É sobre confiança. Confiança do consumidor, confiança nos dados, confiança nos sistemas e confiança nas pessoas que supervisionam tudo isso.
A pergunta que as empresas precisam responder agora não é mais se vão adotar essa tecnologia, mas como vão fazer isso de forma estratégica, responsável e alinhada com os seus objetivos de negócio. As peças do tabuleiro já estão em movimento, e quem entender essa dinâmica com clareza tem uma vantagem real pela frente. 🎯
