Compartilhar:

Trump quer barrar estados de regular IA, mas esse republicano de Utah não está nem aí

A regulamentação de inteligência artificial virou um dos temas mais quentes da política americana em 2026, e o debate está longe de ser simples.

De um lado, o governo Trump pressiona por um padrão nacional único, argumentando que regras demais nos estados podem travar a inovação americana na corrida tecnológica com a China. Do outro, legisladores estaduais — muitos deles com passagem pelas próprias big techs — dizem que esperar pelo Congresso é luxo que a população não pode se dar.

É nesse cenário que entra Doug Fiefia, deputado estadual de Utah, ex-funcionário do Google e candidato ao Senado estadual com uma missão clara: colocar freios na IA antes que o problema bata na porta de todo mundo. O detalhe que torna essa história ainda mais interessante? Ele é republicano. E está indo de frente contra a posição do próprio presidente do seu partido 👀.

Esse racha dentro do Partido Republicano, somado ao lobby bilionário da indústria de tecnologia e à pressão crescente da população, mostra que a regulamentação de IA não é mais pauta só de especialistas ou ativistas digitais. É política real, com consequências reais, que afeta desde crianças usando chatbots até trabalhadores que tentam denunciar práticas problemáticas nas empresas. E o que acontece nos Estados Unidos nesse campo, como já vimos tantas vezes antes, tende a ecoar pelo mundo inteiro 🌎.

O que Trump quer com a IA e por que os estados não estão convencidos

A postura do governo Trump em relação à inteligência artificial é bem direta: menos regulamentação federal, zero regulamentação estadual e máxima velocidade para que as empresas americanas dominem o setor antes que a China chegue lá primeiro. O presidente emitiu uma ordem executiva que inclui ameaças legais e penalidades de financiamento para desencorajar novas regulamentações nos estados, sinalizando claramente que a prioridade da Casa Branca era desimpedir o caminho para a inovação, mesmo que isso significasse deixar questões importantes sem resposta por agora.

A lógica do governo é que uma colcha de retalhos de leis estaduais diferentes criaria um ambiente impossível para as empresas de tecnologia operarem. Imagine uma empresa de IA precisando adaptar seu produto para 50 conjuntos de regras diferentes, cada um com exigências, prazos e penalidades distintos. Para o governo federal, isso seria um tiro no pé da indústria americana num momento em que a disputa com a China por liderança tecnológica está mais acirrada do que nunca.

A Casa Branca divulgou recentemente um arcabouço para uma possível legislação no Congresso que propõe anular leis estaduais consideradas excessivamente onerosas, embora permita algumas regras voltadas à proteção de crianças e de direitos autorais. O problema é que o Congresso americano não tem dado sinais de que vai resolver isso tão cedo. As negociações são lentas, os interesses são muitos e o lobby das big techs é milionário.

Enquanto isso, sistemas de inteligência artificial continuam sendo implantados em escolas, hospitais, tribunais e plataformas de emprego sem qualquer supervisão clara. Cerca de 8 em cada 10 americanos se dizem preocupados ou muito preocupados com a IA, de acordo com uma pesquisa Quinnipiac do mês passado. Aproximadamente três quartos dos entrevistados acham que o governo não está fazendo o suficiente para regular a tecnologia. E o mais revelador: cerca de 9 em cada 10 democratas e 6 em cada 10 republicanos querem mais envolvimento do governo no tema. É exatamente essa demora — combinada com essa pressão popular — que alimenta o movimento nos estados.

Doug Fiefia: do Google à política de Utah

Doug Fiefia não é o perfil típico de quem você esperaria encontrar na linha de frente da regulamentação de IA. Republicano, filho de imigrantes tonganeses, ele cresceu em Utah, mas se mudou para o Vale do Silício, onde trabalhou como vendedor no Google. Com o tempo, subiu na empresa e passou a gerenciar uma equipe que trabalhava diretamente com a implementação dos primeiros modelos de IA do Google junto a empresas parceiras.

Um guia prático para avaliar, comparar e implementar inteligência artificial com clareza — sem desperdício de tempo ou dinheiro.

Pare de contratar ferramentas sem direção. Criamos um método estruturado para decidir qual IA realmente faz sentido para o seu negócio.

Entrega em PDF no seu e-mail · Sem spam · LGPD

🔒 Seus dados são protegidos conforme a LGPD. Você pode descadastrar a qualquer momento.

O que ele viu por dentro mudou a forma como enxergava a indústria. Numa entrevista à Associated Press, Fiefia não deixou dúvidas sobre o que o motivou a mudar de carreira:

O que percebi é que as big techs se importam com o resultado financeiro. Elas estavam preocupadas em ganhar dinheiro, não em fazer o que é certo para a raça humana.

Fiefia voltou para Utah, passou a trabalhar numa empresa local de computação em nuvem e IA, e se lançou na política estadual. Eleito deputado estadual, fez da regulamentação de inteligência artificial a peça central da sua atuação legislativa. Agora, está concorrendo ao Senado estadual com essa mesma bandeira.

Quando se reuniu com cerca de uma dúzia de ativistas republicanos no quintal de uma casa no subúrbio de Salt Lake City para falar sobre as eleições deste ano, a conversa passou pelos assuntos tradicionais do conservadorismo de Utah — suprimento de água, fraude imigratória e teorias conspiratórias sobre chemtrails. Mas Fiefia quis começar por outro tema.

Sei que parece que só falo disso, disse ele ao grupo. Mas é porque isso está chegando, já está aqui e vai ser a nossa maior luta.

Uma proposta barrada pela Casa Branca

O projeto de lei de Fiefia focava em protocolos de segurança infantil para empresas de IA, proteção para denunciantes dentro de empresas de tecnologia e divulgação pública de riscos associados a sistemas de inteligência artificial. A proposta foi aprovada por unanimidade em uma comissão da Câmara estadual de Utah, mostrando que havia apoio bipartidário real para a iniciativa.

Mas a história mudou de rumo rapidamente. O governo Trump enviou uma carta ao Senado estadual de Utah declarando que a medida era irreparável. A proposta foi descartada logo em seguida.

Daniel McCay, o senador estadual que Fiefia está desafiando nas primárias republicanas, defendeu a derrubada do projeto. Segundo McCay, a medida ia muito além da segurança infantil ao incluir proteção a denunciantes e exigências de divulgação pública, e isso teria expulsado Utah do mercado de inovação em IA.

Estou por aqui há tempo suficiente para reconhecer que a invenção do fogo, da roda, dos carros e da internet não destruíram a sociedade. Sou muito cético em relação a qualquer um que tente assustar a sociedade para aprovar regulamentações, disse McCay em entrevista.

Fiefia, por sua vez, não recuou. Quando perguntado sobre desafiar o governo Trump, respondeu que é especialmente importante defender os direitos dos estados quando um correligionário republicano está no poder, justamente para demonstrar que os princípios envolvidos são genuínos.

O governo Trump quer zero regulamentações sobre IA. Acho isso errado. Concordo com muito do que Trump diz sobre impostos. Discordo dele nisso.

Uma rede de ex-funcionários de tech que virou política

Fiefia não está sozinho nessa batalha. Ele faz parte de uma rede informal de ex-funcionários de empresas de tecnologia que se tornaram legisladores estaduais e agora tentam atender à demanda por regulamentações mais robustas. Ele co-preside a força-tarefa de IA do Future Caucus, uma rede de legisladores estaduais mais jovens, ao lado de Monique Priestley, uma democrata de Vermont que também tem experiência no setor de tecnologia.

O grupo usa videoconferências e chats em grupo para compartilhar ideias de novos projetos de lei e lidar com os lobistas que se opõem às suas propostas. Priestley contou que 166 dos 482 lobistas registrados em Vermont se manifestaram sobre seu projeto de privacidade de dados no ano passado — que acabou sendo vetado pelo governador.

É como se você estivesse correndo contra um exército de lobistas em tempo integral, disse Priestley, que, como muitos legisladores estaduais, trabalha em outro emprego de período integral.

Outro membro da força-tarefa é Alex Bores, ex-cientista de dados da empresa Palantir que pediu demissão depois que a companhia fechou um acordo para ajudar o primeiro governo Trump com fiscalização de imigração. Democrata, Bores foi o autor do projeto de lei de Nova York que exige que grandes desenvolvedores de IA reportem incidentes perigosos ao estado — e que foi sancionado no ano passado.

Agora Bores está concorrendo na disputada primária democrata para substituir o deputado federal Jerrold Nadler, que está se aposentando, e enfrenta represálias diretas da indústria. Um comitê pró-IA já gastou 2,3 milhões de dólares contra a candidatura dele. Bores acredita que as empresas de tecnologia estão tentando fazer dele um exemplo para intimidar qualquer outro legislador que pense em regular o setor.

Uma das razões pelas quais é tão importante eu vencer essa corrida é que, se eu não vencer, a intimidação que estão tentando no Congresso vai funcionar, disse Bores. Entre seus adversários na primária de 23 de junho estão Jack Schlossberg, neto do ex-presidente John F. Kennedy, e George Conway, ex-republicano que se tornou um dos maiores críticos de Trump nas redes sociais.

Mais de 1.000 propostas estaduais mostram o tamanho do problema

Os números deixam claro que a inquietação com a IA não é caso isolado de Utah. Atualmente, existem mais de 1.000 propostas legislativas estaduais sobre inteligência artificial tramitando nos Estados Unidos. As ideias mais populares incluem obrigar chatbots a lembrar os usuários de que eles não são humanos e proibir o uso de IA para gerar pornografia não consensual, incluindo manipulação de fotos para remover ou substituir roupas.

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

Na Flórida, o governador republicano Ron DeSantis adicionou a questão da IA a uma sessão legislativa especial. Ele pressionou por um projeto que implementaria controles parentais para menores usando IA e proibiria sistemas de usar a imagem de qualquer pessoa sem permissão. O projeto foi aprovado de forma esmagadora no Senado estadual, mas travou na Câmara. Em estados republicanos como Louisiana e Missouri, projetos de lei sobre IA também emperraram por causa da resistência do governo Trump.

As regulamentações mais significativas até agora saíram da Califórnia e de Nova York, estados controlados por democratas. Essas medidas focam na divulgação de riscos catastróficos, como o cenário de um sistema de IA provocar o colapso de usinas nucleares ou de modelos de IA se recusarem a obedecer diretrizes humanas.

Craig Albright, vice-presidente sênior de relações governamentais da Business Software Alliance, que representa empresas de software, resumiu bem o cenário: Há muitos legisladores estaduais olhando para o que o governo federal está fazendo e dizendo que querem agir porque não estão satisfeitos.

Por que esse debate importa muito além dos EUA

O que está acontecendo nos Estados Unidos com a regulamentação de inteligência artificial importa para o mundo todo, e não apenas porque o país concentra as maiores empresas de IA do planeta. Importa porque os padrões que os EUA adotarem — ou deixarem de adotar — vão influenciar diretamente como outros países encaram o tema. A União Europeia já deu seus passos com o AI Act, mas o impacto prático desse regulamento depende em parte do que as empresas americanas decidem fazer quando operam globalmente. Se o mercado americano não exige transparência, as empresas não têm incentivo financeiro para oferecer isso em outros mercados também.

Além disso, o modelo de políticas estaduais que Fiefia e outros legisladores estão tentando construir nos EUA pode servir como referência para países que também enfrentam o dilema de regular sem sufocar a inovação. Utah não é um laboratório qualquer: é um estado que tem atraído cada vez mais empresas de tecnologia justamente pela sua postura favorável ao setor, o que torna qualquer iniciativa de regulamentação que venha de lá ainda mais significativa. Se um estado pró-negócios e conservador está dizendo que IA precisa de regras, isso manda um sinal diferente do que se essa mensagem viesse da Califórnia, por exemplo.

E tem a questão das pessoas comuns, que muitas vezes ficam de fora desse debate técnico mas são as mais afetadas pelas decisões que saem dele. Crianças que interagem com chatbots sem supervisão adequada, trabalhadores cujas candidaturas de emprego são filtradas por algoritmos opacos, pacientes cujos diagnósticos são influenciados por sistemas que ninguém auditou — esses são os casos reais que Fiefia cita quando defende suas propostas. E são esses casos que mostram por que a discussão sobre regulamentação de IA precisa sair das salas de comitê e chegar até quem de fato vai viver com as consequências dessas escolhas políticas 🤝.

Brett Young, engenheiro estrutural que participou do encontro no quintal com Fiefia em Riverton, expressou um sentimento que provavelmente reflete o de milhões de americanos neste momento: Nenhum de nós tem certeza. Isso é algo com que devemos ter medo, ou não é tão grande coisa e vai melhorar nossas vidas?

O embate entre Trump e legisladores como Doug Fiefia representa um momento decisivo para o futuro da inteligência artificial nos Estados Unidos — e, por extensão, para o resto do mundo. De um lado, a pressão por velocidade e competitividade global. Do outro, a demanda por responsabilidade e proteção real às pessoas. O resultado desse duelo vai moldar não só as leis americanas, mas o padrão global de como a humanidade decide governar uma das tecnologias mais poderosas que já criou.

Foto de Rafael

Rafael

Operações

Transformo processos internos em máquinas de entrega — garantindo que cada cliente da Método Viral receba atendimento premium e resultados reais.

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato em até 24 horas.

Publicações relacionadas

Ações da Amazon podem subir com parceria OpenAI

Parceria entre Amazon e OpenAI pode impulsionar receitas de IA e valorizar ações, diz Citi; impacto estratégico no AWS e

Moratória em Datacenters de IA: Energia em Debate

Moratória: Sanders e AOC propõem pausa na construção de datacenters de IA nos EUA para avaliar impactos ambientais e energéticos.

Blockchain e Agentes de IA Mudam os Pagamentos em Cripto

Agentes de IA impulsionam pagamentos cripto com blockchain, stablecoins e x402, viabilizando transações autônomas, micropagamentos e economia entre máquinas

Receba o melhor conteúdo de inovação em seu e-mail

Todas as notícias, dicas, tendências e recursos que você procura entregues na sua caixa de entrada.

Ao assinar a newsletter, você concorda em receber comunicações da Método Viral. A gente se compromete a sempre proteger e respeitar sua privacidade.

Rafael

Online

Atendimento

Calculadora Preço de Sites

Descubra quanto custa o site ideal para o seu negócio

Páginas do Site

Quantas páginas você precisa?

Arraste para selecionar de 1 a 20 páginas

Em apenas 2 minutos, descubra automaticamente quanto custa um site sob medida para o seu negócio

Mais de 0+ empresas já calcularam seu orçamento

Fale com um consultor

Preencha o formulário e nossa equipe entrará em contato.