07/09/2026 9 minutos de leituraPor Rafael

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O mundo da tecnologia está de olho em um lugar que, há alguns anos, dificilmente aparecia nas conversas do setor.

O Cazaquistão, país no coração da Ásia Central, virou assunto entre nomes gigantes da indústria tech global, e não é por acaso.

Mais de 9 mil quilômetros separam Astana, a capital cazaque, do Vale do Silício.

Mesmo assim, figuras que moldaram o mercado de criptomoedas, aplicativos de mensagens e comunidades de startups estão mirando nessa região com entusiasmo real.

E aí surge a pergunta que fica na cabeça: o que exatamente esse país tem que os maiores investidores e fundadores do mundo estão enxergando?

A resposta envolve uma combinação interessante de fatores, que vão desde políticas favoráveis para negócios até uma infraestrutura de supercomputação que surpreende muita gente.

Tem também talento humano de altíssimo nível, vistos específicos para nômades digitais e um governo que claramente quer se posicionar no mapa da inteligência artificial global. 🌍

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Neste artigo, você vai entender por que o Cazaquistão virou pauta nos bastidores do universo tech, quem são os grandes nomes que já estão por lá e o que esse movimento pode significar para o ecossistema de inovação mundial.

Quem está de olho no Cazaquistão?

Quando nomes como o do Telegram e grandes investidores de cripto começam a citar Astana nas mesmas conversas, você sabe que algo relevante está acontecendo. Um dos primeiros a puxar essa fila foi Balaji Srinivasan, ex-chefe de tecnologia da Coinbase e sócio da Andreessen Horowitz. Recentemente ele anunciou que sua comunidade-escola para fundadores, conhecida como Network School, abriu oficialmente no Cazaquistão. Foi mais um voto de confiança de peso para o país da Ásia Central.

Em uma publicação no X, Srinivasan resumiu bem o entusiasmo. Segundo ele, o Cazaquistão é um país de alta tecnologia que recentemente ficou em primeiro lugar nas Olimpíadas Internacionais de Física. Ele destacou que o país está cheio de jovens inteligentes e confiantes, e que agora está recrutando talentos globais de todos os cantos do mundo. A escola foi reaberta em Astana depois de a base anterior, na Malásia, ter sido fechada. Srinivasan já descreveu o projeto como um Vale do Silício fora do Vale do Silício, e afirma que quer construí-lo em um país tecno-otimista, acessível, meritocrático e atraente para talentos internacionais.

Mas ele não está sozinho nessa. Durante uma visita a Astana, Changpeng Zhao, fundador da Binance, disse ter ficado particularmente impressionado com a escala dos projetos de tecnologia, educação e infraestrutura do país. A corretora de criptomoedas chegou a assinar três acordos com o governo cazaque. Entre eles estão a exploração de uma stablecoin baseada no país e a possibilidade de construir parte das operações e da infraestrutura regional da Binance por lá.

Outro nome de peso é Pavel Durov, criador do Telegram. Em 2024, ele visitou o país e o chamou de potência econômica da Ásia Central. Em seu canal pessoal, escreveu que a beleza do Cazaquistão só pode ser rivalizada por suas ambições, e apontou que o país atrai empresas internacionais e startups de tecnologia com políticas amigáveis aos negócios e impostos favoráveis. O Telegram, aliás, aprofundou sua presença por lá: abriu seu primeiro escritório regional no país e lançou um laboratório de IA em Astana para aproveitar a infraestrutura de supercomputação local. 🚀

Até o investidor de risco Tim Draper e Kai-Fu Lee, ex-presidente do Google China, elogiaram o potencial do país como hub de empreendedorismo e inteligência artificial. Quando um ecossistema começa a atrair esse calibre de gente, o recado para o mercado fica claro: estamos abertos, temos infraestrutura e queremos participar dessa conversa global.

Um porto seguro para quem enfrentou reguladores

Vale ser honesto: parte dos maiores entusiastas do Cazaquistão chegou até o país depois de enfrentar problemas com reguladores em outros lugares. Isso ajuda a explicar o timing de vários desses movimentos e adiciona uma camada interessante à história toda.

Durov, o fundador russo do Telegram, passou anos em atrito com Moscou por causa do acesso governamental ao aplicativo, e hoje enfrenta acusações relacionadas a terrorismo na Rússia. Ele também segue sob investigação formal na França, após ter sido detido em 2024 por supostas atividades criminosas ocorridas na plataforma. Já Zhao, da Binance, se declarou culpado nos Estados Unidos em 2023 por violar leis antilavagem de dinheiro e deixou o cargo de CEO, enquanto a Binance pagou mais de 4 bilhões de dólares para encerrar acusações federais.

Srinivasan também mudou a Network School para o Cazaquistão depois de operá-la por dois anos na Malásia e enfrentar desafios regulatórios no início do verão passado no hemisfério norte. Ou seja, o país acabou funcionando como uma espécie de porto seguro para figuras que buscavam um ambiente mais receptivo. E o Cazaquistão, por sua vez, está cortejando ativamente essa nova atenção dos líderes de tecnologia. 💡

O que torna o Cazaquistão tão atraente para startups e IA?

A resposta curta é: uma combinação rara de fatores que dificilmente aparece junta em um único lugar. A resposta longa começa pela infraestrutura. O país investiu de forma consistente em capacidade computacional, e hoje conta com data centers modernos e projetos de supercomputação que suportam cargas de trabalho pesadas, inclusive as exigidas por modelos de inteligência artificial de grande escala. Esse é um diferencial enorme, porque uma das maiores barreiras para o desenvolvimento de IA no mundo é justamente o acesso a poder computacional de qualidade e a custo acessível.

Além da infraestrutura física, o país tem um trunfo humano que pouca gente discute: uma população jovem, altamente escolarizada e com forte tradição em ciências exatas. Não à toa o Cazaquistão figurou no topo das Olimpíadas Internacionais de Física. As universidades locais formam engenheiros, cientistas de dados e desenvolvedores em número expressivo, e muitos desses profissionais querem trabalhar com tecnologia de ponta sem precisar emigrar. Isso cria um pool de talentos genuinamente competitivo em escala global, disponível a um custo bem menor do que o praticado em países como Estados Unidos, Reino Unido ou Alemanha. Para startups que precisam escalar rápido sem estourar o caixa, isso muda tudo na equação.

E tem ainda o ambiente regulatório, que merece destaque especial. O governo cazaque criou zonas econômicas e parques tecnológicos como o Astana Hub, um techno-parque de visual futurista onde a Network School está instalada e que oferece incentivos fiscais para empresas de tecnologia qualificadas. Nos últimos dois anos, o país também introduziu vistos para nômades digitais e o chamado visto Neo Nomad, voltados para trabalhadores de tecnologia estrangeiros e profissionais remotos. Em maio, o presidente Kassym-Jomart Tokayev ordenou novas reformas de imigração pensadas para atrair trabalhadores altamente qualificados, empreendedores e investidores estrangeiros. Somado tudo isso, o pacote fica difícil de ignorar para quem avalia onde abrir ou expandir uma operação tech.

O papel da inteligência artificial nessa equação

O Cazaquistão não está apenas criando condições para receber empresas de tecnologia, ele está apostando ativamente na inteligência artificial como eixo central da sua estratégia de desenvolvimento para as próximas décadas. Como resumiu Zhaslan Madiyev, vice-primeiro-ministro do país, a inteligência artificial se desenvolve onde há pessoas talentosas, ideias ousadas e um ambiente em que elas possam ser realizadas. Segundo ele, é exatamente esse tipo de ecossistema que o Cazaquistão está construindo.

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Essa fala não é só discurso bonito. O país tem lançado iniciativas voltadas para digitalização de serviços públicos, automação de processos industriais e soluções de IA para setores como saúde, educação e agricultura. Isso cria um mercado interno real e crescente para produtos e serviços de inteligência artificial, o que é um incentivo extra para que startups do setor considerem o país não só como base operacional, mas como mercado-alvo com potencial de crescimento acelerado.

No cenário global de IA, onde Estados Unidos, China e alguns membros da União Europeia dominam a conversa e concentram a maior parte dos recursos, a entrada de um novo ator com capacidade de investimento público e privado, infraestrutura em expansão e abertura para parcerias internacionais é algo que altera o equilíbrio de forças, mesmo que de forma gradual. O Cazaquistão está construindo esse posicionamento com consistência, e os primeiros resultados já aparecem na forma de acordos bilaterais e projetos conjuntos com atores estrangeiros. 📈

O que esse movimento significa para o ecossistema global?

A ascensão do Cazaquistão como destino relevante para startups e inteligência artificial é parte de um fenômeno maior que está redesenhando o mapa da inovação global. Durante muito tempo, o ecossistema tech foi profundamente centralizado: Vale do Silício, Nova York, Londres, Berlim, Tel Aviv, Singapura. Esses hubs seguem importantes, mas a ideia de que a inovação significativa só acontece nesses lugares está sendo questionada na prática, com evidências concretas surgindo em diferentes partes do mundo.

Para o ecossistema de startups global, isso é uma boa notícia, porque diversidade geográfica tende a produzir diversidade de perspectivas, problemas e soluções. Um hub tech na Ásia Central vai inevitavelmente gerar produtos pensados para realidades diferentes das que emergem do Vale do Silício, e isso enriquece o conjunto de soluções disponíveis para o mundo. Além disso, a competição entre hubs por talentos e investimento pressiona todos eles a oferecerem melhores condições, o que é positivo para fundadores e profissionais de tecnologia em geral, não importa onde estejam.

E para quem acompanha o universo de inteligência artificial de perto, a mensagem que o Cazaquistão está mandando é bem clara: a corrida pela liderança em IA não é mais exclusiva das potências tradicionais. Países que souberem combinar infraestrutura, talento, regulação inteligente e abertura para investimento têm uma janela real de oportunidade para se tornarem atores relevantes nessa disputa. E o Cazaquistão, pelo que está construindo nos últimos anos, parece determinado a não deixar essa janela fechar sem antes entrar por ela. 🌐

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