Investimentos em energia e tecnologia industrial estão ganhando um novo e poderoso aliado na Europa.
A Montis VC, fundo sediado em Varsóvia, na Polônia, acaba de anunciar a captação de €50 milhões no primeiro fechamento do seu novo veículo de investimento. O objetivo é direto ao ponto: encontrar e apoiar as startups europeias mais promissoras que estão trabalhando na interseção entre transição energética, automação industrial e inteligência artificial. 🚀
E não é qualquer fundo. Por trás dessa captação estão nomes de peso como o Fundo Europeu de Investimentos (EIF), via programa REPowerEU, e o Fundo de Desenvolvimento Polonês (PFR), que contribuiu com €10 milhões, além de family offices e investidores privados espalhados pela Europa Central e Oriental. Isso dá à Montis VC não só capital, mas também uma rede de conexões estratégicas que pode ser decisiva para as startups que entrarem no portfólio do fundo.
A equipe já tem um histórico relevante na região, com cerca de €30 milhões investidos em nove empresas desde 2018, quando ainda operavam sob o nome Montis Capital. Agora, com uma estrutura maior e uma tese mais ambiciosa, a Montis VC mira entre 20 e 25 novos investimentos em estágios de pré-seed e seed, apostando no que acredita ser uma das maiores transformações econômicas da Europa nas próximas décadas. ⚡
Uma tese de investimento construída para o momento certo
Não é por acaso que a Montis VC está apostando pesado em energia e tecnologia industrial agora. A Europa vive um momento singular, onde a pressão por independência energética, acelerada pelo contexto geopolítico dos últimos anos, encontra um ecossistema de inovação cada vez mais maduro na região Central e Oriental do continente. Países como Polônia, República Tcheca, Hungria e os Estados Bálticos têm produzido engenheiros e cientistas de alto nível por décadas, e esse talento está começando a se converter em empresas de tecnologia com potencial real de escala global. A janela de oportunidade está aberta, e a Montis VC claramente quer estar do lado certo dela.
O programa REPowerEU, que financia parte dessa captação pelo Fundo Europeu de Investimentos, foi criado justamente para acelerar a segurança energética europeia e reduzir a dependência de combustíveis fósseis. Ter esse tipo de parceiro institucional no cap table de um fundo de venture capital não é apenas uma questão de prestígio. É um sinal claro de alinhamento entre a tese de investimentos e as prioridades estratégicas da União Europeia para os próximos anos. Isso facilita o acesso a outros programas, subsídios e contratos públicos que podem beneficiar diretamente as startups apoiadas pela Montis VC.
A tese do fundo gira em torno do que a equipe descreve como a transição energética e industrial, uma categoria ampla que inclui eletrificação, automação industrial, nova infraestrutura de energia e inteligência artificial aplicada a setores como manufatura, redes elétricas e logística. Esse enquadramento reflete um padrão crescente entre fundos de venture capital da Europa Central e Oriental, que têm se posicionado cada vez mais como especialistas em verticais de hard-tech e deep-tech, enquanto o capital da Europa Ocidental se concentra em software e plataformas de consumo.
Além disso, a combinação de inteligência artificial com automação industrial e energia cria um espaço de inovação extremamente fértil. Estamos falando de soluções que podem otimizar o consumo energético de fábricas inteiras em tempo real, prever falhas em equipamentos antes que elas aconteçam, ou gerenciar redes de distribuição de eletricidade com uma eficiência que simplesmente não seria possível sem algoritmos avançados. É exatamente nessa fronteira que a Montis VC quer construir seu portfólio, e as startups que conseguirem navegar bem nessa interseção têm potencial de impacto enorme. 💡
O histórico que sustenta a nova ambição
Antes de levantar os €50 milhões para o novo fundo, a equipe da Montis Capital já tinha construído um portfólio que mostra a direção que pretende seguir agora em escala maior. Entre as empresas que receberam aportes do veículo anterior estão a Autofixer, uma plataforma de e-commerce para peças automotivas, a Fresh Inset, startup de tecnologia para o setor de agri-food, e a Micromobility Port, que segundo a empresa se tornou uma das principais provedoras de infraestrutura de logística de última milha no Reino Unido.
Esses investimentos anteriores revelam um olhar atento para empresas que operam na economia real, conectando tecnologia a cadeias produtivas e logísticas de alto volume. O salto para um fundo de €50 milhões com tickets iniciais entre €500 mil e €2 milhões é uma evolução natural desse perfil. E um detalhe importante: metade do capital está reservada para rodadas de follow-on nas empresas mais promissoras do portfólio, o que significa que a Montis VC não quer apenas entrar cedo, mas também dobrar a aposta quando as coisas começam a dar certo.
Quem está por trás da Montis VC
O fundo é liderado pelos sócios-gestores Łukasz Dziekoski, Wojciech Szwankowski e Michał Gawęda, os três responsáveis pelo fundo predecessor Montis Capital. Recentemente, a equipe ganhou o reforço de Michał Baś, que é descrito como tendo passagem pelo fundo pan-europeu Venture Friends, embora essa ligação não tenha sido verificada de forma independente.
A rede de venture partners do fundo também chama atenção. Entre os nomes estão Taavi Rõivas, ex-primeiro-ministro da Estônia que ocupou o cargo entre 2014 e 2016 e foi um dos arquitetos da infraestrutura de governança digital do país, Tomasz Misiak, descrito como empreendedor e graduado pela Harvard Business School, e Bart Dujczynski, especialista em energia renovável com experiência em mercados da Europa Ocidental.
Essa composição de time e de advisors indica que a Montis VC quer combinar conhecimento técnico profundo em energia e indústria com a experiência prática de quem já escalou negócios e políticas públicas em mercados sofisticados. Para as startups do portfólio, ter acesso a esse tipo de rede pode ser tão valioso quanto o capital em si, especialmente quando se trata de navegar regulações complexas e abrir portas em mercados internacionais.
Wojciech Szwankowski, sócio da Montis VC, comentou que a Europa possui um potencial tecnológico excepcional e um pool profundo de talentos, e que o fundo quer ajudar startups a destravarem esse potencial globalmente, apoiando projetos com a ambição de transformar setores inteiros da economia.
O que esperar dos próximos investimentos da Montis VC
Com a meta de realizar entre 20 e 25 investimentos, a Montis VC está claramente posicionada para ser uma das vozes mais ativas no ecossistema de venture capital da Europa Central nos próximos anos. O foco em estágios iniciais de pré-seed e seed significa que o fundo vai entrar cedo nas empresas, assumindo mais risco, mas também tendo a chance de capturar uma fatia maior do valor que será gerado ao longo do tempo. Essa é uma estratégia clássica de fundos que têm convicção forte na tese que estão perseguindo, e o histórico da equipe desde 2018 sugere que eles sabem o que estão fazendo quando escolhem onde colocar o dinheiro.
As startups que mais provavelmente vão chamar a atenção da Montis VC são aquelas que combinam hardware com software inteligente, especialmente quando isso resulta em eficiência energética mensurável ou em automação de processos industriais que antes dependiam exclusivamente de mão de obra humana. A inteligência artificial entra aqui como o grande habilitador, tornando possível criar sistemas que aprendem, se adaptam e melhoram continuamente sem precisar de intervenção humana constante. Empresas que conseguem demonstrar esse tipo de capacidade com dados reais e casos de uso comprovados têm tudo para entrar no radar do fundo. 🤖
Outro ponto importante é a geografia. A Montis VC opera a partir de Varsóvia e tem uma visão clara sobre o potencial da Europa Central e Oriental como polo de inovação em tecnologia industrial. Essa região tem custos operacionais mais competitivos do que a Europa Ocidental, uma base de talentos técnicos sólida e um mercado industrial robusto que serve como campo de testes natural para novas soluções. Startups que nascem nesse ambiente tendem a ser mais eficientes do ponto de vista de capital e mais rápidas para chegar a resultados concretos, o que é exatamente o perfil que um fundo de estágio inicial quer encontrar quando está construindo um portfólio de alto impacto.
Os próximos passos e o caminho para o fechamento final
O primeiro fechamento de €50 milhões é descrito pela equipe como um ponto de partida, e não um número final. Łukasz Dziekoski afirmou que o fundo já está em conversas avançadas com investidores adicionais e planeja continuar ampliando a capitalização nos próximos meses, embora não tenha especificado um valor-alvo para o fechamento final. O fundo já começou a investir, mas nenhuma empresa do novo portfólio foi divulgada junto com o anúncio.
A participação do EIF através do REPowerEU e do PFR Ventures como investidores-âncora é coerente com o papel que essas instituições desempenham no ecossistema de venture capital polonês e na região CEE como um todo. O PFR Ventures apoia a Montis desde a encarnação anterior do fundo, e o EIF tem expandido significativamente sua presença na Europa Central e Oriental nos últimos anos por meio de programas ligados à agenda de transição verde da União Europeia.
Bartłomiej Samsonowicz, diretor de investimentos do PFR Ventures, destacou que a Montis VC é mais uma equipe da Polônia que primeiro construiu seu histórico usando capital apoiado por fundos da União Europeia e agora está conseguindo atrair investidores privados e institucionais para o próximo fundo. Segundo ele, histórias como essa ajudam a levar o ecossistema de venture capital polonês para o próximo nível.
Inteligência artificial como motor da transformação industrial
Se tem um tema que atravessa toda a tese da Montis VC, é a inteligência artificial aplicada ao mundo físico. Estamos vivendo um momento em que os modelos de linguagem e os sistemas de IA generativa dominam os holofotes, mas a aplicação mais transformadora da inteligência artificial nos próximos anos provavelmente vai acontecer nas fábricas, nas redes elétricas, nos sistemas de gestão de energia e nos processos industriais que sustentam a economia real. Essa é uma área onde a complexidade técnica é enorme, os ciclos de venda são longos e a barreira de entrada é alta, o que cria espaço para empresas que conseguem resolver problemas genuinamente difíceis com tecnologia genuinamente avançada.
A automação industrial habilitada por IA não é mais uma promessa distante. Hoje já existem sistemas capazes de controlar linhas de produção inteiras com mínima supervisão humana, otimizar rotas logísticas em tempo real com base em variáveis climáticas e de demanda, e até prever com semanas de antecedência quando uma peça específica de um equipamento vai precisar de manutenção. Essas capacidades estão se tornando cada vez mais acessíveis para empresas de médio porte graças à redução dos custos de computação em nuvem e ao avanço dos modelos de IA de código aberto, e isso abre uma janela de mercado enorme para startups que saibam empacotar essas tecnologias em produtos vendáveis e escaláveis. É exatamente esse tipo de empresa que um fundo como a Montis VC está buscando. ⚙️
No setor de energia, a inteligência artificial está sendo usada para resolver alguns dos desafios mais complexos da transição energética, como o balanceamento de redes que precisam integrar fontes intermitentes como solar e eólica, a otimização do carregamento de veículos elétricos em escala, e a gestão inteligente de baterias de armazenamento de larga escala. Cada um desses problemas é um mercado em si, e a Europa está na vanguarda de muitos deles por força das regulações e das metas climáticas que o continente assumiu. Para a Montis VC, investir nesse espaço agora é apostar que a tecnologia industrial habilitada por IA vai ser uma das grandes histórias de criação de valor da próxima década na Europa, e os primeiros sinais indicam que essa aposta tem muita lógica por trás. 🌍
Com €50 milhões já garantidos, uma equipe experiente no comando, parceiros institucionais de peso e uma tese afinada com as prioridades do continente, a Montis VC reúne os ingredientes necessários para se consolidar como referência em investimentos de estágio inicial no setor de energia e tecnologia industrial europeu. Agora, a atenção se volta para a execução: quais startups vão receber os primeiros cheques e como elas vão transformar esse capital em soluções que realmente movam a agulha da transição energética e industrial na Europa.
