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Roupas de segunda mão devem movimentar US$ 289 bilhões em 2025 com ajuda da inteligência artificial

As roupas de segunda mão deixaram de ser uma tendência passageira e se tornaram um dos mercados que mais crescem no mundo inteiro. Em 2025, as vendas globais devem chegar a impressionantes US$ 289 bilhões (cerca de £217 bilhões), um salto de 12% em relação ao ano anterior, e a inteligência artificial está bem no centro dessa transformação. 🚀

Parece muito? Pois é, mas faz total sentido quando você olha para os números. Em 2021, esse mercado valia US$ 141 bilhões, menos da metade do que deve movimentar agora. E não para por aí: a previsão é que o setor chegue a US$ 393 bilhões nos próximos cinco anos, crescendo a uma média de 9% ao ano, o que representa o dobro do ritmo do mercado tradicional de roupas.

Plataformas como ThredUp, Vinted, Depop e Vestiaire Collective estão puxando esse crescimento, enquanto a IA começa a resolver um dos maiores desafios do setor: ajudar as pessoas a encontrar exatamente o que procuram dentro de um catálogo gigante de peças usadas. Neste artigo, você vai entender como esse mercado chegou até aqui, quem está comprando, quem está lucrando de verdade e o que a tecnologia tem a ver com tudo isso. 👇

Como o mercado de roupas usadas chegou até aqui

Durante anos, comprar roupas de segunda mão carregou um estigma social. Era algo associado à necessidade financeira, não a uma escolha consciente. Mas esse cenário mudou de forma bastante rápida e profunda ao longo da última década. O que antes era restrito a brechós de bairro e feiras de pulgas ganhou escala global com a chegada das plataformas digitais de revenda, que transformaram completamente a dinâmica de compra e venda de peças usadas. De repente, qualquer pessoa podia listar uma jaqueta que parou de usar e vendê-la para alguém do outro lado do mundo em questão de dias.

Essa virada foi impulsionada por uma combinação de fatores que se reforçam mutuamente. A consciência ambiental cresceu entre consumidores mais jovens, que passaram a questionar o impacto da fast fashion no planeta. Ao mesmo tempo, a inflação e o aumento do custo de vida em diversas partes do mundo tornaram as roupas de segunda mão uma alternativa financeiramente inteligente, e não apenas uma opção de última hora. Comprar usado deixou de ser sinônimo de abrir mão de qualidade ou estilo e passou a ser visto como uma forma de garimpar peças únicas com personalidade.

Os dados do relatório anual da ThredUp, elaborado em parceria com os analistas de mercado da GlobalData, confirmam essa trajetória de crescimento acelerado. O mercado de roupas de segunda mão dobrou de tamanho entre 2021 e 2025, e as projeções para os próximos cinco anos continuam bastante otimistas. Parte desse otimismo vem do fato de que o comportamento de consumo das novas gerações aponta cada vez mais para o reuso e a circularidade, algo que as marcas tradicionais de moda também começaram a perceber.

Marcas como Dr. Martens, Zara e Mulberry já começaram a vender seus próprios itens de segunda mão ou a investir em programas de reparo e revitalização de peças usadas, acompanhando o boom de demanda por esse tipo de consumo. É um sinal claro de que a revenda deixou de ser apenas um nicho e começou a disputar fatias relevantes do mercado de moda como um todo.

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Revenda já representa 10% do mercado global de roupas

Um dado que chama bastante atenção no relatório é que a revenda agora responde por um décimo de todas as vendas globais de roupas. Isso é bastante significativo quando você pensa no tamanho do mercado de moda mundial. James Reinhart, cofundador e CEO da ThredUp, foi direto ao ponto ao comentar os resultados.

A revenda não está apenas crescendo, está tomando participação de mercado diretamente das marcas tradicionais. Nos Estados Unidos, o mercado de segunda mão cresceu quase quatro vezes mais rápido do que o mercado de roupas como um todo em 2025, segundo Reinhart.

Reinhart também destacou que fatores macroeconômicos podem acelerar ainda mais esse movimento. A inflação potencial gerada por conflitos geopolíticos, que elevam os preços de energia e combustíveis para fabricantes e varejistas de roupas, pode empurrar mais consumidores para as opções de segunda mão como forma de continuar acessando as marcas que desejam por preços mais acessíveis.

Neil Saunders, diretor-geral da GlobalData, complementou essa análise ao apontar que as pessoas entre 14 e 45 anos, ou seja, a geração Z e os millennials, devem ser responsáveis por 70% do crescimento do mercado nos próximos anos. Ele ressaltou que a infraestrutura de descoberta de produtos precisa evoluir para dentro dos feeds sociais onde esses consumidores vivem. Em outras palavras, se você quer vender roupas usadas para esse público, precisa estar onde ele está: no Instagram, no TikTok, no YouTube e em qualquer outra plataforma que domine a atenção dele.

O papel da inteligência artificial nas vendas

Se o crescimento do mercado de roupas de segunda mão já seria impressionante por si só, a entrada da inteligência artificial nesse ecossistema está colocando combustível extra nesse motor. O principal problema que sempre travou as vendas nesse segmento era a descoberta de produtos. Em uma loja tradicional de roupas novas, os catálogos são organizados, as descrições são padronizadas e os filtros funcionam de forma previsível. No mercado de usados, cada peça é única, as descrições variam muito de vendedor para vendedor e encontrar exatamente o que você quer dentro de milhões de listagens era, na prática, uma tarefa frustrante.

A IA está mudando isso de forma bastante concreta. Ferramentas de busca visual permitem que o usuário tire uma foto de uma peça que viu na rua ou nas redes sociais e encontre itens similares disponíveis nas plataformas de segunda mão. Algoritmos de recomendação aprendem com o comportamento de navegação e compra de cada usuário para sugerir peças que têm alta chance de conversão. Sistemas de precificação dinâmica analisam o histórico de vendas de itens parecidos para ajudar os vendedores a colocar preços competitivos sem perder margem. Tudo isso reduz o atrito na jornada de compra e, consequentemente, aumenta as vendas de forma bastante direta.

James Reinhart fez uma comparação interessante para ilustrar a magnitude dessa mudança. Segundo ele, plataformas como Netflix e Spotify levaram de 15 a 20 anos construindo bases de dados e algoritmos para entregar recomendações personalizadas aos seus usuários. Com a IA generativa e os modelos de linguagem atuais, esse mesmo tipo de personalização pode ser alcançado de forma quase instantânea para as plataformas de revenda. Isso é bastante significativo para um mercado que lida com inventários enormes e extremamente variados.

A tecnologia também está reduzindo o que Reinhart chamou de pontos de fricção entre ver um item nas redes sociais e efetivamente comprá-lo. Imagine que você vê uma influenciadora usando uma bolsa vintage no TikTok. Com as ferramentas certas de IA, a jornada entre esse momento de descoberta e a finalização da compra em uma plataforma de segunda mão pode ser encurtada drasticamente. Isso é o tipo de experiência de usuário fluida que converte curiosidade em venda. 🤖

IA também ajuda quem vende

Não é só do lado do comprador que a inteligência artificial está fazendo diferença. Para quem vende, a tecnologia está facilitando o processo de listagem e catalogação de peças usadas, que sempre foi uma das maiores barreiras de entrada no mercado. Plataformas como a Vestiaire Collective e a Depop já utilizam modelos de visão computacional para automatizar parte desse processo, identificando marca, categoria, condição e até tendência de moda a partir de fotos enviadas pelos vendedores.

Quando a IA ajuda a padronizar as descrições e categorizar corretamente os produtos, a experiência de quem compra melhora bastante, o que se traduz em mais confiança e mais transações concluídas. Neil Saunders, da GlobalData, reforçou esse ponto ao afirmar que a tecnologia será necessária para tornar o ato de vender mais fácil, garantindo que haja estoque suficiente para atender à demanda crescente.

Reinhart foi ainda mais enfático ao projetar o futuro do setor. Segundo ele, a próxima fase desse mercado será definida por quem conseguir desbloquear melhor a oferta de produtos e usar IA para conectar esse inventário com a próxima geração de compradores.

Quem está lucrando de verdade com a revenda

Se os números de crescimento do mercado são animadores, a realidade financeira das plataformas de revenda conta uma história um pouco mais complexa. A ThredUp registrou vendas de US$ 310,8 milhões no último ano, um aumento de 20%. A Depop viu suas vendas subirem 42%, chegando a £101 milhões de acordo com registros na Companies House. A Vinted cresceu 36%, atingindo €813,4 milhões (cerca de £710 milhões) em receita em 2024.

No entanto, transformar crescimento de receita em lucro continua sendo um desafio considerável para a maioria dessas plataformas. A ThredUp registrou um prejuízo pré-tributação de US$ 20 milhões, e a Depop acumulou um prejuízo de £42 milhões nos respectivos períodos. Apenas a Vinted conseguiu ser lucrativa, registrando um lucro de €76,7 milhões em 2024. Esse cenário misto mostra que, embora o mercado esteja crescendo rápido, a competição é intensa e os custos operacionais, especialmente em logística e tecnologia, ainda pesam bastante no resultado final.

A Depop, inclusive, passou por uma mudança de mãos relevante recentemente, sendo vendida pela Etsy para o eBay. Essa movimentação é mais um sinal de que o mercado de revenda está entrando em uma fase de consolidação, onde escala e eficiência operacional passam a ser fatores determinantes para a sobrevivência e o sucesso a longo prazo.

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As grandes marcas estão entrando no jogo

Um dos movimentos mais interessantes dos últimos anos é a entrada das próprias marcas de moda no mercado de revenda. Empresas como Dr. Martens, Zara e Mulberry começaram a vender itens de segunda mão diretamente ou a investir em programas de reparo e revitalização de peças usadas. Isso não é altruísmo: é estratégia de negócio. Ao participar da revenda dos próprios produtos, essas marcas mantêm o controle sobre a experiência do consumidor, reforçam a percepção de sustentabilidade e ainda capturam uma fatia de receita que antes ia inteiramente para plataformas terceiras.

A inteligência artificial entra aqui como ferramenta de gestão de estoque e previsão de demanda, ajudando essas empresas a entender quais peças têm mais potencial de revenda e como precificá-las de forma justa para o consumidor e rentável para o negócio. É uma aplicação prática de IA que vai muito além do hype e que tem impacto direto na receita dessas operações.

O que vem por aí para esse mercado

Com o mercado caminhando para quase US$ 400 bilhões nos próximos anos, as apostas para o futuro envolvem uma integração ainda mais profunda entre inteligência artificial e a experiência de compra de peças usadas. A tendência é que os sistemas de recomendação fiquem cada vez mais precisos, quase como um personal stylist digital que conhece bem o seu gosto e o seu tamanho. Tecnologias de prova virtual, que permitem visualizar como uma peça ficaria em você sem precisar experimentar fisicamente, também devem ganhar espaço nas principais plataformas do setor.

Neil Saunders, da GlobalData, foi claro ao afirmar que o mercado global de segunda mão está entrando em uma fase mais competitiva e estruturalmente complexa. Isso significa que as plataformas que vão se destacar são aquelas que conseguirem combinar tecnologia de ponta com uma experiência de usuário realmente fluida, tanto para quem compra quanto para quem vende.

Outro fator que pode acelerar o crescimento do setor são as pressões inflacionárias globais. Com os custos de energia e combustíveis pressionando a cadeia produtiva da moda, os preços de roupas novas tendem a subir, o que naturalmente empurra mais consumidores para as opções de segunda mão. É um ciclo que se retroalimenta e que posiciona o mercado de revenda em uma situação bastante favorável para os próximos anos.

O que fica claro olhando para esse cenário é que o crescimento do mercado de roupas de segunda mão não é uma bolha nem um modismo passageiro. É uma mudança estrutural no jeito como as pessoas se relacionam com a moda e com o consumo. E a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta de suporte nessa história: ela está se tornando uma peça central para que esse mercado continue escalando de forma eficiente, confiável e acessível para cada vez mais pessoas ao redor do mundo. 🌍

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