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Uma universidade americana aposta alto na formação de profissionais de UX

O mercado de tecnologia não para de crescer e, junto com ele, a demanda por profissionais que dominam habilidades em design focadas na experiência do usuário. É nesse cenário que a Universidade de Minnesota Twin Cities College of Design acaba de anunciar algo que chamou bastante atenção: o lançamento do primeiro bacharelado em Design de Experiência do Usuário de todo o estado de Minnesota, com turmas que já começaram neste semestre de outono. A iniciativa coloca a instituição em uma posição de destaque dentro do ensino superior americano e responde diretamente a uma necessidade que a indústria vem sinalizando há anos.

O timing desse lançamento não é coincidência. Minnesota é o estado com a maior concentração per capita de empresas Fortune 500 nos Estados Unidos. Isso significa que existe ali um ecossistema muito particular, onde grandes corporações de diferentes setores convivem em uma mesma região geográfica e competem por talentos qualificados em tecnologia e design. Ter uma universidade de peso oferecendo um grau em UX nesse contexto cria uma ponte natural entre a sala de aula e o mercado de trabalho, algo que poucas instituições no mundo conseguem oferecer com tanta consistência.

De acordo com McLean Donnelly, professor e coordenador do programa, esse é possivelmente apenas o segundo grau focado em UX entre as 18 universidades que compõem a conferência Big Ten, uma das associações acadêmicas e esportivas mais tradicionais dos Estados Unidos. A diferença, segundo ele, está justamente na vantagem geográfica que Minnesota oferece. Com cerca de 50 estudantes já matriculados e ex-alunos atuando em gigantes como Best Buy, Target, U.S. Bank e Electronic Arts, o novo curso já nasce com uma rede de contatos e oportunidades na indústria que muitos programas levam décadas para construir.

O que é UX Design e por que ele importa tanto

Antes de mergulhar nos detalhes do programa, vale entender o que exatamente o Design de Experiência do Usuário envolve. Em termos simples, UX Design é a disciplina que estuda e projeta como as pessoas interagem com produtos digitais — sites, aplicativos, tecnologia inteligente e qualquer interface que exija alguma ação humana. Para isso, o campo combina elementos de psicologia, pesquisa comportamental, tecnologia e design visual, sempre com o objetivo de criar experiências centradas no ser humano, funcionais e acessíveis.

McLean Donnelly resumiu a importância dessa área de forma bem direta: por trás de cada site, cada aplicativo e cada produto digital que usamos, existe alguém que projetou aquela experiência. E quando esse trabalho não é bem feito, o impacto é imediato. Se você entra em um site pelo celular e ele não funciona direito, não carrega bem ou simplesmente confunde mais do que ajuda, quanto tempo você fica ali? Esses segundos de frustração representam dinheiro real para as empresas. É por isso que companhias de tecnologia, saúde, varejo e finanças estão investindo cada vez mais em designers qualificados para melhorar suas interações digitais.

As vagas em UX estão entre as que mais crescem e melhor pagam dentro dos setores de design e tecnologia. Esse é um dado relevante porque mostra que não estamos falando de uma tendência passageira, mas de uma transformação estrutural na forma como as organizações pensam seus produtos e serviços digitais.

Por que um grau em UX faz tanto sentido agora

Se você acompanha o setor de tecnologia, já deve ter percebido que Design de Experiência do Usuário deixou de ser um diferencial e se tornou uma necessidade básica para qualquer empresa que desenvolve produtos digitais. Aplicativos, plataformas, sistemas internos, dispositivos conectados — tudo passa pela experiência do usuário. E quanto mais complexas ficam as tecnologias, mais essencial se torna o papel de quem projeta as interações entre pessoas e interfaces.

O problema é que, apesar dessa demanda crescente, o mercado ainda enfrenta uma escassez significativa de profissionais com formação estruturada na área. Muita gente entra em UX por caminhos alternativos, como bootcamps e cursos livres, o que é perfeitamente válido, mas a existência de um bacharelado completo adiciona uma camada de profundidade teórica e prática que faz diferença na hora de resolver problemas mais complexos de design.

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Parte da motivação para criar o bacharelado veio do sucesso do minor em UX que o College of Design já oferecia. Donnelly explicou que os estudantes vinham juntando habilidades de UX por conta própria, combinando o minor com estudos independentes para tentar montar uma formação mais completa. Agora, com quatro anos dedicados ao tema, esses estudantes terão uma vantagem real nos currículos. E os números confirmam essa demanda: ex-alunos do minor já estão empregados em tempo integral em empresas como U.S. Bank, Best Buy, Target e Medtronic.

O programa da Universidade de Minnesota foi desenhado para cobrir desde os fundamentos de pesquisa com usuários até prototipagem avançada, passando por arquitetura de informação, design de interfaces e estratégia de produto. A ideia é que os estudantes não saiam apenas sabendo usar ferramentas, mas que compreendam os princípios por trás de cada decisão de design. Isso inclui entender como as pessoas processam informações, como tomam decisões diante de uma tela e como diferentes contextos culturais e sociais influenciam a forma como interagimos com a tecnologia. Esse tipo de formação mais ampla é o que diferencia um profissional que executa tarefas de alguém que consegue liderar projetos e propor soluções inovadoras.

Outro ponto relevante é que o programa não existe isolado dentro da universidade. Ele faz parte do College of Design, que já tem tradição em áreas como arquitetura, design gráfico e planejamento urbano. Isso permite que os estudantes de UX interajam com colegas de outras disciplinas, participem de projetos interdisciplinares e desenvolvam uma visão mais ampla sobre como o design impacta diferentes aspectos da vida cotidiana. Essa integração entre áreas é algo que o mercado valoriza cada vez mais, especialmente em empresas que trabalham com produtos e serviços que cruzam o mundo físico e o digital.

Histórias reais de quem já seguiu esse caminho

Uma das formas mais eficientes de entender o impacto de uma formação em UX é observar as trajetórias de quem já passou por essa experiência. Dois ex-alunos da Universidade de Minnesota ilustram bem como as habilidades de design centrado no usuário podem abrir portas concretas no mercado de trabalho.

Eliana Smelansky e o caminho até a Best Buy

Eliana Smelansky se formou em 2022 com uma graduação em marketing pela Carlson School of Management da Universidade de Minnesota, complementada por um minor em design interdisciplinar oferecido pelo College of Design. Depois de um estágio que levou a uma vaga na Target em uma função de merchandising, ela percebeu que queria algo mais criativo. Foi então que decidiu fazer um bootcamp de UX/UI de seis meses na própria Universidade de Minnesota.

Hoje, Smelansky trabalha como Experience Designer na Best Buy. Quando soube do lançamento do novo bacharelado em UX, fez questão de compartilhar a notícia no LinkedIn, comentando que teria escolhido esse caminho se a opção existisse na época em que estava na faculdade.

Ela destaca que grande parte do seu trabalho atual envolve colaboração, brainstorming de conceitos e apresentações para stakeholders e lideranças. Ter uma formação que reúne todas essas competências em um único pacote — como alinhar expectativas de stakeholders, colaborar na resolução de problemas e criar designs visualmente atraentes — é algo que ela considera extremamente valioso.

Nick Horst e o sonho de trabalhar com games

Nick Horst se formou em 2025 com uma graduação em ciência da computação pelo College of Science and Engineering da Universidade de Minnesota, mas adicionou um minor em UX ao seu currículo. Foi essa combinação de habilidades técnicas e de design que o ajudou a conquistar o emprego dos sonhos.

Horst conta que uma aula com McLean Donnelly abriu seus olhos para a interseção entre tecnologia e design, que é exatamente onde seu trabalho se encontra atualmente. Depois de se formar, ele se mudou para Los Angeles para trabalhar na Respawn Entertainment, uma empresa pertencente à Electronic Arts, uma das maiores companhias de games do mundo.

Sua equipe trabalha no jogo Apex Legends, um título com alcance mundial. Para Horst, foi um momento especial, já que começou a jogar o game ainda no ensino médio. Como designer técnico de experiência na Respawn, ele explica que qualquer nova funcionalidade ou elemento visual que aparece na tela do jogador é algo que sua equipe programa no jogo.

Para quem trabalha com desenvolvimento de videogames, aplicativos ou qualquer software que exija uma interface de usuário, UX é uma habilidade extremamente útil. Horst afirmou que, se fosse calouro hoje, teria escolhido o bacharelado em UX Design como sua única graduação ou, no mínimo, teria considerado seriamente como parte de uma dupla diplomação.

O ecossistema de Minnesota e as oportunidades na indústria

Quando se fala em polos de tecnologia nos Estados Unidos, a maioria das pessoas pensa automaticamente no Vale do Silício, em Seattle ou em Austin. Minnesota raramente aparece nessas listas mais populares, mas a realidade dos números conta uma história diferente. A presença massiva de empresas Fortune 500 na região cria uma demanda constante por profissionais com habilidades em design, especialmente em UX.

Veja alguns exemplos de setores que contratam fortemente nessa área em Minnesota:

  • Varejo: empresas como Target e Best Buy investem pesado em equipes de design digital para suas plataformas de e-commerce e aplicativos.
  • Saúde: companhias como a Medtronic, líder mundial em dispositivos médicos, precisam de interfaces intuitivas para profissionais de saúde e pacientes.
  • Serviços financeiros: instituições como o U.S. Bank dependem de experiências digitais bem projetadas para atender milhões de clientes.
  • Tecnologia e entretenimento: empresas de software e games buscam profissionais que entendam como criar interações envolventes e funcionais.

Essa concentração de empresas em um único estado gera o que especialistas chamam de efeito de ecossistema. Na prática, isso significa que estudantes do novo grau em UX da Universidade de Minnesota podem fazer estágios, participar de projetos reais e construir networking sem precisar se mudar para outro estado. A proximidade geográfica entre a universidade e as sedes dessas empresas facilita parcerias acadêmicas, mentorias com profissionais experientes e até mesmo contratações antes da formatura.

Para quem está começando a carreira, essa facilidade de acesso ao mercado é um fator que pode acelerar muito o desenvolvimento profissional e abrir portas que, em outros contextos, demorariam mais para surgir.

Além disso, os ex-alunos do College of Design que já atuam nessas empresas funcionam como uma rede de apoio informal para os novos estudantes. Quando alguém que já trabalha na Electronic Arts ou na Target veio da mesma universidade, a conexão se torna mais natural e as oportunidades na indústria ficam mais acessíveis. Esse tipo de vantagem competitiva é difícil de replicar e ajuda a explicar por que o programa atraiu cerca de 50 matriculados logo na sua primeira turma — um número expressivo para um curso novo em uma área que ainda está se consolidando dentro do ensino superior tradicional.

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Um diploma que ensina a pensar, não apenas a executar

Donnelly faz questão de destacar que o bacharelado em UX Design vai muito além do domínio de ferramentas específicas. O programa é voltado para quem tem um pouco de criatividade e olho visual, combinados com interesse em ciência da computação, e abre os estudantes para uma ampla gama de opções de carreira.

Segundo o coordenador, o curso ensina os alunos a olhar para problemas, encontrar soluções, validar hipóteses, criar protótipos, apresentar trabalhos de forma profissional e receber feedback construtivo. Em resumo, ele ensina a pensar. E isso significa que, mesmo que a tecnologia mude — e ela vai mudar, como sempre faz — as competências adquiridas continuam relevantes e escaláveis.

Donnelly chegou a descrever o programa como um diploma para sempre. A lógica por trás dessa afirmação é que os fundamentos de pensamento em design, pesquisa centrada no usuário e resolução criativa de problemas são atemporais. As ferramentas podem mudar, as plataformas podem evoluir, mas a capacidade de entender pessoas e projetar experiências significativas para elas permanece valiosa independentemente do contexto tecnológico.

O que esperar do futuro do Design de Experiência do Usuário

O lançamento desse bacharelado pela Universidade de Minnesota não é apenas uma novidade acadêmica — é um sinal claro de como o mercado está evoluindo. À medida que a inteligência artificial se torna mais presente nos produtos digitais, o papel dos profissionais de UX tende a se expandir bastante. Projetar experiências para interfaces que utilizam IA generativa, assistentes virtuais e sistemas de recomendação inteligentes exige um conjunto de habilidades em design que vai muito além do que era necessário há cinco ou dez anos.

Entender como criar interações transparentes, éticas e acessíveis com essas novas tecnologias é uma competência que o mercado vai valorizar cada vez mais, e programas universitários bem estruturados são fundamentais para preparar profissionais para esses desafios.

Também vale observar que a decisão de criar um grau em UX em uma universidade da Big Ten pode inspirar outras instituições a seguir o mesmo caminho. O ensino superior americano costuma funcionar por ondas: quando uma universidade de prestígio valida uma área de conhecimento com um programa de graduação completo, outras tendem a acompanhar. Se isso acontecer, teremos nos próximos anos uma geração de designers de experiência do usuário com formação mais robusta entrando no mercado, o que pode elevar o padrão geral da profissão e, consequentemente, a qualidade dos produtos digitais que todos nós usamos no dia a dia.

Para quem acompanha o setor de tecnologia e design, esse é definitivamente um movimento que vale a pena observar de perto. 🚀

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