Depois de 350 projetos, estúdio de design UI/UX revela por que a maioria dos produtos digitais falha pelas mesmas três razões
Depois de dez anos e mais de 350 projetos entregues, um estúdio de design UI/UX chegou a uma conclusão que pouca gente no mercado tem coragem de admitir: a maioria dos produtos digitais não falha por falta de cuidado ou de investimento.
Falha porque os erros ficam escondidos até o usuário simplesmente desistir.
E o pior? Esses erros se repetem.
Não importa se o produto é uma plataforma SaaS, um e-commerce ou um sistema de saúde. Os padrões são quase sempre os mesmos, e eles aparecem em produtos que já estão no ar, já têm usuários reais e já estão os perdendo silenciosamente.
A Design Studio UI UX, estúdio fundado em 2015 por Prabhash Choudhary e Sneh Sagar, sediado em Kolkata, na Índia, com operações nos Estados Unidos em cidades como Nova York, Los Angeles, São Francisco, Seattle e Austin, mapeou esses padrões ao longo de uma década trabalhando com redesenho de produtos. O que eles encontraram não tem nada a ver com estética ou gosto pessoal. Tem tudo a ver com como as pessoas realmente usam o que foi construído para elas.
Abaixo, os três erros mais comuns que destroem a experiência do usuário antes mesmo de ela ter uma chance. 👇
Onboarding que pede demais antes de entregar qualquer valor
Esse é, de longe, o erro mais citado pelo estúdio ao longo dos seus mais de 350 projetos. E ele é traiçoeiro justamente porque não surge de uma decisão ruim, mas de várias decisões pequenas que se acumulam ao longo do tempo. Um novo campo obrigatório aqui, uma tela extra de configuração ali, e quando alguém finalmente para para contar, o usuário precisa clicar em seis ou sete telas antes de conseguir fazer qualquer coisa útil dentro do produto.
Um dos casos mais emblemáticos relatados pelo estúdio é o da Smart Moving, uma plataforma SaaS construída para o setor de mudanças nos Estados Unidos. A empresa tinha crescido rápido, conquistado uma base de usuários real, mas a tela de onboarding simplesmente não acompanhou esse crescimento. Novos usuários abriam o aplicativo, davam de cara com uma sequência interminável de etapas de configuração e saíam antes de realizar qualquer ação significativa. Ninguém tinha adicionado uma funcionalidade ruim ao produto. O fluxo tinha simplesmente crescido uma tela por vez até perder completamente o sentido para quem estava tentando usar pela primeira vez.
Sneh Sagar, cofundadora da Design Studio UI UX, resumiu esse padrão de forma bastante direta. Segundo ela, as pessoas não abandonam um produto porque ele parece desatualizado. Elas abandonam porque os primeiros cinco minutos exigiram demais sem entregar nada em troca. Ela destaca que o estúdio encontra esse problema constantemente: uma equipe adiciona mais uma etapa ao onboarding, depois outra, e um ano depois ninguém mais se lembra do motivo pelo qual um novo usuário precisa passar por tantas telas antes de poder fazer qualquer coisa.
O problema se agrava quando as decisões de design UI/UX são tomadas sob pressão de prazos, sem nenhum contato real com quem vai apertar os botões. Nesse cenário, a interface pode ser bem acabada e tecnicamente impecável, mas completamente desconectada da expectativa real do usuário. As pessoas chegam, tentam realizar uma tarefa simples, não conseguem em poucos segundos e vão embora. Não reclamam, não mandam e-mail. Simplesmente somem. E os números de retenção começam a cair de um jeito que a equipe demora para entender o porquê.
A solução para esse padrão está diretamente ligada à pesquisa de usabilidade feita antes, durante e depois do desenvolvimento, não como uma etapa pontual no início do projeto, mas como uma prática contínua. Trazer usuários reais para observar como eles interagem com o produto, sem dar dicas ou intervir, revela em minutos o que meses de revisões internas não conseguiriam identificar. Segundo o próprio estúdio, grande parte dos redesenhos que eles conduzem começa exatamente com essa etapa: ouvir quem usa, não quem construiu.
Informação demais sem nenhuma hierarquia clara
O segundo padrão mais recorrente identificado pelo estúdio é o oposto do primeiro, mas igualmente destrutivo. Em vez de pedir demais ao usuário logo de cara, o produto despeja uma quantidade absurda de informação sem nenhuma ordem de prioridade. Tudo aparece ao mesmo tempo, com o mesmo peso visual, e cabe ao próprio usuário descobrir o que importa. Em contextos onde decisões precisam ser tomadas rapidamente, isso é um desastre.
O caso da Pretaa ilustra perfeitamente esse cenário. A Pretaa é uma plataforma de análise comportamental utilizada por centros de tratamento de dependência nos Estados Unidos. Os clínicos que usam o sistema precisam consultar dados de pacientes com agilidade, muitas vezes no meio de uma conversa. O problema é que a tela exibia uma dezena de métricas com a mesma relevância visual, quando na prática o profissional só precisava de um número específico nos primeiros três segundos de interação. A solução não foi adicionar nada ao produto. Foi decidir o que deveria aparecer primeiro.
Prabhash Choudhary, cofundador e CEO do estúdio, colocou da seguinte forma: um dashboard que mostra tudo de uma vez não é minucioso. É inacabado. Alguém ainda precisa decidir o que o usuário precisa ver nos primeiros três segundos, e pular essa decisão não torna o produto mais simples. Apenas transfere o problema para outra pessoa.
Em produtos digitais mais complexos, como plataformas B2B ou sistemas de gestão, esse problema é ainda mais crítico. Os fluxos costumam ser desenhados pensando no caso de uso ideal, aquele em que o usuário faz exatamente o que o time espera que ele faça, na ordem correta, sem interrupções. Mas usuários reais cometem erros, mudam de ideia no meio do caminho, precisam pausar uma tarefa e retomá-la depois, ou simplesmente têm um modelo mental diferente do que o produto pressupõe. Quando o design UI/UX não leva isso em conta, cada uma dessas situações vira um ponto de atrito que, acumulado, transforma a experiência do usuário em algo exaustivo.
O que o estúdio recomenda aqui vai além de revisitar wireframes ou fazer mais testes A/B. Envolve aplicar metodologias de pesquisa de usabilidade como testes de tarefas com usuários reais, análise de gravações de sessão e mapeamento de pontos de abandono dentro do produto. Essas técnicas mostram exatamente onde o fluxo quebra na prática, não onde o time imagina que ele pode quebrar. Com esses dados em mãos, as correções deixam de ser baseadas em suposição e passam a ser baseadas em comportamento real, o que reduz drasticamente o ciclo de tentativa e erro que consome tempo e orçamento.
Inconsistências pequenas que corroem a confiança antes da conversão
O terceiro erro mapeado pelo estúdio é talvez o mais sorrateiro de todos. Ele não aparece como um bug, não gera reclamação formal e quase nunca é detectado por ferramentas automatizadas de monitoramento. Mas é devastador, especialmente em e-commerces e em qualquer produto que dependa de uma decisão de compra por parte do usuário.
O caso da Halmari Tea é um ótimo exemplo. A Halmari é uma das marcas de chá de origem única mais premiadas da Índia. A confiança das pessoas no produto físico era alta. O problema estava no site. Pequenas inconsistências, como preços ligeiramente diferentes em duas páginas, fotografias de produto que não combinavam entre si e informações de frete escondidas em lugares onde ninguém naturalmente procuraria, iam minando a confiança do visitante antes mesmo de ele chegar ao checkout. Nenhuma dessas inconsistências parecia grave isoladamente. Juntas, eram mais do que suficientes para fazer alguém fechar a aba e comprar em outro lugar.
Esse padrão aparece com frequência em páginas de conversão, dashboards e telas de checkout. São contextos onde a clareza visual deveria ser máxima, porque o usuário está em um momento decisivo, mas onde o acúmulo de informações, botões, banners e elementos competindo pela atenção cria um ruído visual que paralisa a tomada de decisão. Estudos de rastreamento ocular mostram que usuários em interfaces com hierarquia visual fraca tendem a varrer a tela de forma aleatória, sem nunca fixar o olhar em um ponto de ação claro. O resultado prático é uma taxa de conversão muito abaixo do potencial real do produto, mesmo quando o produto em si é bom.
A abordagem do estúdio para esse tipo de problema começa por uma auditoria de design UI/UX focada especificamente em contraste, tamanho, posicionamento e agrupamento de elementos. Mais do que uma questão estética, trata-se de uma questão funcional: cada elemento visual tem um peso, e esse peso precisa estar alinhado com a importância da ação que ele representa. Quando esse alinhamento existe, o usuário não precisa pensar muito para saber o que fazer. Ele simplesmente faz. E essa fluidez, aparentemente pequena, é o que separa um produto que as pessoas recomendam de um produto que as pessoas abandonam.
Quando o mesmo produto precisa servir dois públicos completamente diferentes
Além dos três erros centrais, o estúdio também destaca um problema que aparece com frequência em marketplaces e plataformas de dois lados: quando grupos de usuários com necessidades completamente distintas compartilham a mesma interface sem que o design reconheça essa diferença.
O caso do GreenPal, um marketplace de serviços de jardinagem nos Estados Unidos, é emblemático. Proprietários de imóveis que contratavam o serviço e equipes de jardineiros que o executavam usavam o mesmo aplicativo para funções radicalmente diferentes. A interface tinha sido construída priorizando majoritariamente um dos grupos, o que tornava a vida do outro grupo mais difícil de forma silenciosa. A correção não foi um redesenho no sentido tradicional da palavra. Foi tratar o mesmo produto como duas experiências distintas que compartilhavam os mesmos dados por baixo dos panos.
Esse tipo de situação é mais comum do que parece em produtos digitais que atendem múltiplos perfis de usuários. A tendência natural das equipes de produto é construir uma interface genérica que tente agradar a todos, mas que na prática acaba não atendendo bem ninguém. Reconhecer que diferentes grupos de usuários precisam de fluxos, hierarquias visuais e até linguagens diferentes dentro do mesmo produto é um passo fundamental para evitar esse tipo de problema.
Por que esses erros continuam acontecendo
Nada disso parece complicado quando alguém finalmente aponta o problema. E provavelmente é exatamente por isso que esses erros são tão fáceis de ignorar enquanto o produto está sendo construído. Uma funcionalidade nova é adicionada sob pressão de prazo. Uma nova tela é encaixada em um fluxo antigo porque não há tempo para repensar o conjunto. Uma inconsistência visual passa despercebida porque ninguém está olhando para o produto com os olhos de quem nunca o viu antes.
A Design Studio UI UX construiu seu processo ao longo de uma década especificamente para capturar esses momentos cedo, por meio de pesquisa e testes de usabilidade, em vez de descobrir o problema da pior maneira possível: depois que os usuários já foram embora.
Os setores mudam. Saúde, SaaS, e-commerce, software corporativo. Mas a lição permanece a mesma. A maioria dos produtos não falha porque ninguém se importou com o design. Falha porque ninguém teve tempo, ou distância emocional do projeto, para realmente perceber como era a sensação de usar aquilo. 👀
Sobre a Design Studio UI UX
A Design Studio UI UX é uma agência de design UI/UX fundada em 2015 por Prabhash Choudhary e Sneh Sagar. Com sede em Kolkata, na Índia, e operações nos Estados Unidos em Nova York, Los Angeles, São Francisco, Seattle e Austin, o estúdio já completou mais de 350 projetos em mais de 30 setores diferentes, atendendo clientes na Índia, Estados Unidos, Reino Unido, Coreia do Sul, França e outros países.
A equipe atua em áreas como pesquisa de UX, design de plataformas SaaS, design de aplicativos mobile, redesenho de sites, UX para e-commerce, branding e auditorias de UX. O estúdio mantém avaliação de 4.9 no Clutch e no Trustpilot, e 4.8 no DesignRush e GoodFirms.
