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Startups de diferentes cantos dos Estados Unidos — e até do Canadá — se reuniram em Winston-Salem, na Carolina do Norte, para uma das conferências de tecnologia mais aguardadas do calendário regional.

O ConvergeSouth 2026 aconteceu na última quinta e sexta-feira no Biotech Place, marcando a décima edição do evento organizado pela Flywheel. No total, mais de 150 startups passaram pelos corredores do evento — cada uma com uma história diferente, um problema para resolver e uma solução para mostrar.

O encontro reuniu fundadores e empreendedores da Carolina do Norte, do Sudeste dos EUA e até de fora — os repórteres presentes chegaram a conversar com fundadores canadenses no local. O foco ficou dividido em três grandes trilhas temáticas:

  • Track 1: Healthtech e Biotech
  • Track 2: Inteligência Artificial e B2B SaaS
  • Track 3: Food, Beverage e Agtech

E o que tornou esse ano especialmente interessante foi a mistura entre essas trilhas — afinal, inovação raramente fica dentro de uma caixinha só. 🚀

Como o evento funcionou na prática

Diferente da maioria dos summits da região, o ConvergeSouth é daqueles eventos difíceis de resumir de forma linear. E isso não é um defeito, é uma característica proposital. Basicamente, tudo acontece ao mesmo tempo, e cada participante tem liberdade total para explorar o evento com base nas próprias prioridades. Quer focar em biotech? Dá. Prefere passar o dia inteiro assistindo pitches de IA? Também dá. Essa flexibilidade é justamente o que faz o evento se destacar no calendário de conferências de tecnologia da Carolina do Norte.

A abertura aconteceu de forma simultânea em dois pontos: o Winston Starts, dentro do próprio Biotech Place, e as palavras de Thom Ruhe, da NC IDEA, no Atrium localizado na 500 W. 5th, ali pertinho. A partir dali, o evento ganhou vida própria e se espalhou pelos dois espaços.

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O prédio da 500 W. 5th ficou responsável por várias sessões com palestrantes, enquanto o grosso da ação aconteceu no Biotech Place. Foi lá que os representantes das mais de 150 startups se dividiram entre apresentar seus pitches — em diferentes salas ao redor do espaço principal — e expor seus projetos nas mesas espalhadas pelo átrio. No primeiro dia, o palco foi ocupado principalmente pelas trilhas de Healthtech, Biotech, Food, Beverage e Agtech. Já o segundo dia foi dedicado à trilha de IA e B2B SaaS, sempre com alguns cruzamentos entre as áreas aqui e ali.

Chonex leva o grande prêmio da competição

Entre uma sessão e outra, os pitches foram formando uma competição gradual que se estendeu pelos dois dias do evento. E o grande prêmio deste ano — uma vaga para disputar um investimento de 1 milhão de dólares no Startup World Cup — ficou com a Chonex, startup vinda de Birmingham, no Alabama.

A proposta da Chonex é tão criativa quanto prática: a empresa usa materiais derivados de insetos para enriquecer o solo. Na prática, isso significa entregar mais valor para os agricultores na forma de melhor nutrição das plantas, aumento na produtividade das colheitas e outros benefícios diretos para quem vive do campo. É o tipo de solução que combina biologia, sustentabilidade e negócio de um jeito que faz total sentido — e que mostra por que a trilha de agtech tem ganhado tanto espaço em eventos assim. 🌱

Winston-Salem no centro do mapa da inovação

Pode parecer surpresa para quem ainda associa inovação tecnológica apenas a São Francisco ou Nova York, mas Winston-Salem vem construindo uma reputação sólida como polo de tecnologia e ciências da vida há alguns anos. A cidade abriga universidades de peso, laboratórios de pesquisa e uma infraestrutura que atrai cada vez mais fundadores dispostos a testar ideias fora dos grandes centros. O Biotech Place, espaço que sediou o ConvergeSouth, é um símbolo dessa transformação — um hub dedicado especificamente a empresas de biotecnologia e ciências da saúde, que funciona como um ecossistema vivo dentro da cidade.

Escolher esse espaço para a décima edição do evento não foi coincidência. A Flywheel, organização responsável pelo ConvergeSouth, tem um histórico de conectar empreendedores a recursos reais — mentores, investidores e oportunidades de negócio que vão além de palestras inspiradoras. Em dez anos de evento, a conferência cresceu de um encontro regional pequeno para uma das vitrines mais relevantes de startups do Sudeste americano, e esse crescimento reflete diretamente o amadurecimento do ecossistema de Winston-Salem como um todo.

Ter mais de 150 startups presentes em uma única edição diz muito sobre o momento que o ecossistema vive. Não é só quantidade — é diversidade de soluções, de mercados e de perfis de fundador. Havia desde times de duas ou três pessoas apresentando um projeto ainda no papel até empresas já com tração, receita recorrente e planos claros de expansão. Esse mix é exatamente o que faz eventos como o ConvergeSouth serem tão ricos: você aprende tanto conversando com quem está começando quanto com quem já passou pelos primeiros obstáculos e sobreviveu para contar a história. 💡

Inteligência Artificial como fio condutor do evento

Se existe um tema que atravessou praticamente todas as conversas, pitches e painéis do ConvergeSouth 2026, esse tema foi a inteligência artificial. Não da forma genérica e vaga que a gente costuma ver em eventos que tentam surfar na onda, mas de maneira aplicada, com casos reais e problemas concretos para resolver. Startups da trilha de B2B SaaS mostraram como estão usando modelos de linguagem para automatizar processos internos de empresas médias, reduzir custos operacionais e melhorar a experiência dos usuários finais sem precisar de uma equipe de engenharia gigantesca. Isso é IA no mundo real — menos hype, mais resultado.

O cruzamento entre inteligência artificial e biotech foi, talvez, um dos pontos mais empolgantes de toda a conferência. Algumas das startups presentes estavam trabalhando com ferramentas de IA para acelerar análises laboratoriais, identificar padrões em dados clínicos e até prever respostas de pacientes a determinados protocolos de tratamento. Quando você coloca capacidade computacional avançada dentro de um setor que historicamente depende de anos de pesquisa para chegar a qualquer conclusão, o potencial de impacto é imenso — e o ConvergeSouth foi um dos eventos regionais que deram palco para esse tipo de empresa de forma tão estruturada.

Outro ponto que chamou atenção foi a presença de fundadores canadenses no evento. Isso mostra que o alcance do ConvergeSouth já extrapolou as fronteiras do Sudeste americano e começa a atrair empreendedores de outros países que enxergam nos Estados Unidos — e especialmente no corredor de inovação que inclui cidades como Winston-Salem — uma oportunidade real de crescimento. A barreira geográfica vai se tornando cada vez menos relevante quando o tema é tecnologia, e eventos como esse são prova viva disso. 🌎

Biotech e Healthtech: onde ciência encontra mercado

A trilha de Healthtech e Biotech foi uma das mais movimentadas do evento, e faz todo sentido considerando o local escolhido para sediar o ConvergeSouth. O Biotech Place já carrega no nome a essência do que acontece dentro dele, e ter uma conferência de startups nesse ambiente criou uma sinergia natural entre os visitantes e o ecossistema local. Fundadores que apresentaram soluções para diagnóstico precoce de doenças, plataformas de telemedicina e ferramentas de gestão de dados de saúde encontraram ali um público que entende profundamente os desafios e as oportunidades do setor — o que torna as conversas muito mais produtivas do que em um evento generalista.

Uma das grandes discussões que emergiu nessa trilha foi sobre como startups de biotech conseguem navegar em um ambiente regulatório complexo sem perder velocidade. Esse é um dos maiores gargalos do setor: a inovação avança rapidamente, mas as aprovações e certificações necessárias para levar um produto ao mercado podem demorar anos. Algumas empresas presentes no evento estavam justamente trabalhando em soluções para tornar esse processo mais eficiente — usando automação e inteligência artificial para organizar documentação, antecipar exigências regulatórias e reduzir erros que atrasam aprovações. É inovação dentro da inovação.

O perfil dos fundadores nessa trilha também chamou atenção. Muitos vieram direto de laboratórios de pesquisa e universidades, com backgrounds científicos sólidos, mas que decidiram dar o salto para o empreendedorismo depois de perceber que suas descobertas tinham potencial comercial real. É um perfil diferente do fundador típico de SaaS ou de aplicativo de consumo — e o ConvergeSouth soube acolher essa diversidade ao criar trilhas temáticas que permitem conversas mais aprofundadas dentro de cada área, sem perder a riqueza das conexões interdisciplinares que acontecem quando todo mundo divide o mesmo espaço. 🔬

Food, Agtech e a inovação que vem do campo

A trilha de Food, Beverage e Agtech pode parecer fora do lugar em uma conferência de tecnologia para quem ainda tem uma visão mais tradicional do setor, mas a realidade é que a cadeia alimentar está sendo completamente transformada por startups que combinam biologia, dados e automação de formas cada vez mais sofisticadas. No ConvergeSouth, essa trilha trouxe empresas que trabalham desde a otimização de cultivos usando sensores e modelos preditivos até soluções para reduzir o desperdício de alimentos ao longo da cadeia de distribuição — um problema que tem impacto ambiental, econômico e social enorme.

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O que mais surpreende ao olhar para esse setor é a velocidade com que ele está adotando ferramentas que, há cinco anos, estavam restritas a grandes corporações com orçamentos de pesquisa milionários. Startups com equipes enxutas estão conseguindo desenvolver soluções de monitoramento agrícola em tempo real, plataformas de rastreabilidade de alimentos e até produtos alimentícios desenvolvidos com o auxílio de tecnologia para atender nichos específicos de consumidores. Não à toa, foi justamente dessa trilha que saiu a grande vencedora do evento, a Chonex. Isso democratiza a inovação de uma forma que até pouco tempo atrás seria difícil de imaginar.

Dentro do ConvergeSouth, a conexão entre essa trilha e as demais foi visível em vários momentos. Uma startup de agtech pode depender de ferramentas de IA para processar os dados que coleta no campo. Outra, de food tech, pode ter uma interface de usuário que precisa ser intuitiva o suficiente para ser operada por agricultores sem formação técnica aprofundada. Essas intersecções mostram que as fronteiras entre as trilhas são mais porosas do que parecem — e que os fundadores que entendem como conectar diferentes áreas de conhecimento saem na frente quando o assunto é construir produtos que realmente funcionam no mundo real. 🌱

O valor real de uma experiência personalizada

No fim das contas, o grande diferencial do ConvergeSouth para quem participa é a chance de montar a própria experiência. Aquele formato menos linear da programação, que mencionamos lá no começo, torna praticamente impossível absorver o evento inteiro — mas, em compensação, dá a cada pessoa que passa por ali a liberdade de priorizar os palestrantes, as startups e os pitches mais relevantes para os próprios objetivos.

Isso, somado ao acesso direto e descomplicado aos fundadores, é o que continua fazendo do ConvergeSouth um dos eventos que mais se destacam no calendário de conferências de tecnologia da Carolina do Norte. Poder trocar uma ideia franca com quem está construindo uma empresa, sem intermediários e sem formalidades excessivas, é um tipo de valor que nenhuma palestra sozinha consegue entregar.

O ConvergeSouth 2026 deixou claro que o ecossistema de startups do Sudeste americano está maduro, diverso e com muita energia para crescer. Winston-Salem, com sua aposta firme em biotech e ciências da vida, se consolida como um endereço cada vez mais relevante para quem quer construir o futuro — e não apenas falar sobre ele.

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Rafael

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