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Quando o luxo encontra a experiência digital

UX Design e luxo automotivo nem sempre caminharam lado a lado, mas a Bentley está provando que essa união pode ir muito além do superficial. A marca britânica centenária, reconhecida globalmente pelo acabamento impecável de seus veículos, vem desenvolvendo uma filosofia própria para conectar o digital e o físico em uma experiência que internamente chamam de phygital. A ideia é simples na essência e ambiciosa na execução: cada ponto de contato entre o motorista e a tecnologia do carro precisa ser tão refinado quanto o couro costurado à mão que reveste os bancos.

Quem lidera essa visão é T. Jon Mayer, responsável pelo UX Design e pelas operações de design da Bentley Motors — e também jurado do People Awards 2025 promovido pelo Car Design News. Em uma conversa recente com a publicação, Mayer detalhou como sua equipe trabalha com cinco princípios que orientam absolutamente tudo, desde a disposição de um botão na tela até a animação de transição entre menus do sistema de infoentretenimento. Segundo ele, cada decisão de interface passa por um filtro direto e poderoso: se uma funcionalidade não é intuitiva, ela é imediatamente questionada e reavaliada. Não existe espaço para complexidade gratuita quando o objetivo é entregar uma experiência genuinamente centrada no ser humano.

Essa abordagem coloca as pessoas no centro de absolutamente tudo, e o resultado é uma experiência de luxo que não impressiona apenas pela estética, mas pela naturalidade com que tecnologia e tradição se encontram dentro do habitáculo. Para a Bentley, não basta que a interface seja bonita. Ela precisa fazer sentido no primeiro toque, sem manual, sem curva de aprendizado e sem frustração. É aqui que o conceito de artesanato digital ganha corpo de verdade, porque cada pixel recebe o mesmo cuidado que cada ponto de costura no volante.

Os cinco princípios do artesanato digital da Bentley

Mayer revelou que a equipe de UX Design da Bentley opera com cinco princípios fundamentais que funcionam como uma espécie de bússola criativa para todas as decisões de interface. Esses pilares não são regras rígidas escritas em pedra, mas sim diretrizes vivas que evoluem junto com a tecnologia e com as necessidades reais dos motoristas. A filosofia que a marca batizou de phygital descreve justamente essa fusão contínua entre o artesanato digital e a artesania física, buscando harmonia total entre os dois mundos.

Os cinco princípios, conforme apresentados pelo próprio Mayer, são:

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  • Combinar digital com interação analógica — garantindo que controles físicos e elementos digitais se complementem em vez de competir entre si.
  • Abraçar o luxo na jornada do cliente — cada etapa da experiência, do momento em que o motorista entra no veículo até a última interação com a tela, precisa refletir a sofisticação da marca.
  • Usar a luz como material — a iluminação não é apenas funcional, ela se torna um ingrediente expressivo do design, criando atmosferas e guiando a atenção de maneira sutil.
  • Criar simplificação e elegância — cada elemento na interface deve ter propósito claro e imediato, eliminando qualquer ruído visual ou funcional desnecessário.
  • Mesclar tecnologia com artesanato de forma harmoniosa — a inovação tecnológica nunca deve parecer deslocada dentro do universo de tradição e cuidado manual que define a Bentley.

O que chama atenção nessa filosofia é como ela rejeita a tendência de empilhar funcionalidades apenas porque a tecnologia permite. Muitas montadoras caem na armadilha de transformar seus painéis em verdadeiros smartphones sobre rodas, cheios de menus, submenus e configurações que ninguém realmente usa no dia a dia. A Bentley segue na direção oposta. Cada funcionalidade precisa justificar sua existência e provar que agrega valor real para quem está dirigindo. Essa curadoria rigorosa é o que diferencia uma interface meramente funcional de uma experiência verdadeiramente pensada sob a ótica human-centric.

Mayer comparou esse processo ao trabalho de um artesão que escolhe cada ferramenta com intenção, sabendo que o excesso compromete a qualidade final da peça. Na prática, isso significa que antes de qualquer recurso novo entrar na interface de um Bentley, ele precisa passar por rodadas de teste com usuários reais, ser avaliado em diferentes contextos de condução e demonstrar que pode ser compreendido sem nenhum tipo de explicação prévia. Se não passa nesse crivo, volta para a prancheta ou simplesmente deixa de existir.

Como esses princípios ganham vida no dia a dia

Na prática, os cinco princípios se manifestam em detalhes que muitos motoristas talvez nem percebam conscientemente, mas que fazem toda a diferença na experiência de uso. As animações da interface seguem ritmos específicos que evocam a sensação de precisão mecânica. As paletas de cores mudam sutilmente conforme a iluminação externa, mantendo a legibilidade sem agredir os olhos. Os controles hápticos oferecem feedback que remete à sensação de girar um botão de metal fresado. Tudo isso é pensado para que a transição entre o digital e o físico seja imperceptível, como se a tecnologia fosse uma extensão natural do carro e não um corpo estranho grudado no painel.

O princípio de usar a luz como material merece destaque especial. Em vez de tratar a iluminação apenas como um recurso utilitário para enxergar botões no escuro, a equipe de UX da Bentley a utiliza como elemento narrativo. A luz guia o olhar, cria hierarquias visuais e contribui para a sensação de acolhimento dentro do habitáculo. Dependendo do modo de condução selecionado ou do horário do dia, a iluminação do painel e das telas se adapta para criar uma atmosfera que conversa com o momento. Esse nível de cuidado é algo que dificilmente aparece em fichas técnicas, mas que define profundamente a percepção de qualidade e sofisticação que o ocupante experimenta.

É luxo que você sente antes mesmo de conseguir explicar por que se sente tão bem usando aquele sistema. E esse é exatamente o ponto: quando o design de experiência funciona de verdade, ele se torna invisível. Você não pensa na interface, você simplesmente usa. 😌

A ponte entre o digital e o físico no universo do luxo

Um dos pontos mais interessantes levantados por Mayer é como a Bentley entende a relação entre o digital e o físico de maneira quase filosófica. Para a marca, digitalizar a experiência não significa substituir o que é tangível. Significa amplificar. Os controles físicos não desapareceram do interior dos carros da Bentley como aconteceu em muitas outras montadoras que adotaram telas sensíveis ao toque para absolutamente tudo. Em vez disso, a equipe de UX Design trabalha para encontrar o equilíbrio perfeito entre o que deve ser tátil e o que funciona melhor em formato digital, sempre levando em conta o contexto de uso.

Um ajuste de temperatura, por exemplo, pode ser mais intuitivo com um botão rotativo do que com um slider na tela, especialmente quando o motorista está com os olhos na estrada. Um sistema de navegação, por outro lado, se beneficia enormemente de uma interface digital rica e responsiva. Essa sensibilidade ao contexto é o coração da abordagem human-centric da marca, e é o que impede que a digitalização vire um exercício de vaidade tecnológica.

O conceito de phygital que a Bentley adota vai além de uma buzzword de marketing. Ele representa um compromisso real com a ideia de que luxo, no século XXI, não é apenas sobre materiais nobres e acabamento impecável. É sobre como cada interação faz a pessoa se sentir. Quando você gira o botão de cristal no console central de um Bentley e a tela responde com uma animação que espelha a rotação com precisão milimétrica, algo acontece. A barreira entre o mundo físico e o digital simplesmente desaparece. Esse é o tipo de detalhe que não aparece em especificações técnicas, mas que define a experiência de possuir e dirigir um veículo desse calibre. É o artesanato digital funcionando em sua forma mais sofisticada e, ao mesmo tempo, mais invisível.

Colaboração como motor da experiência

Mayer também destacou que essa integração entre o digital e o físico exige um tipo diferente de colaboração dentro da empresa. Os designers de UX não trabalham isolados em uma bolha digital. Eles sentam ao lado dos artesãos, dos engenheiros de materiais e dos especialistas em ergonomia para entender profundamente como cada superfície, cada textura e cada mecanismo do carro funciona na vida real. Esse processo colaborativo garante que as soluções digitais respeitem a herança artesanal da marca em vez de competir com ela.

Na estrutura da Bentley, Mayer lidera tanto o UX Design quanto as operações de design, o que lhe dá uma visão panorâmica de como os processos criativos e operacionais se conectam. Essa dupla responsabilidade permite que as decisões de experiência do usuário não fiquem restritas ao universo das telas, mas se estendam para toda a jornada do cliente com o veículo. Da configuração online do carro antes da compra até a interação cotidiana com o sistema de infoentretenimento, tudo precisa carregar a mesma coerência e o mesmo nível de cuidado.

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Essa abordagem colaborativa também reflete uma tendência crescente na indústria automotiva como um todo. À medida que os carros se tornam cada vez mais conectados e dependentes de software, a fronteira entre design industrial e design de interação fica cada vez mais borrada. Montadoras que conseguem integrar essas disciplinas de forma orgânica, como a Bentley tem feito sob a liderança de Mayer, tendem a entregar experiências mais coesas e memoráveis. As que tratam o digital como um departamento separado correm o risco de criar veículos que parecem ter duas personalidades diferentes — uma no volante e outra na tela.

O que a indústria automotiva pode aprender com essa abordagem

A filosofia da Bentley levanta reflexões importantes para todo o setor. Vivemos um momento em que praticamente toda montadora está correndo para adicionar mais telas, mais conectividade e mais recursos digitais aos seus veículos. Mas quantidade não é sinônimo de qualidade, e a experiência de Mayer na Bentley reforça algo que muitos profissionais de UX defendem há anos: menos pode ser significativamente mais, desde que cada elemento restante seja executado com excelência.

A ideia de que uma funcionalidade deve ter seu lugar questionado caso não seja intuitiva é poderosa e deveria servir de referência para além do universo automotivo. Aplicativos, plataformas web, dispositivos vestíveis e praticamente qualquer produto digital se beneficiariam enormemente desse tipo de disciplina. Afinal, a complexidade desnecessária é inimiga da boa experiência em qualquer contexto, não apenas dentro de um carro de luxo.

O resultado é uma experiência coesa onde UX Design e tradição centenária se complementam de maneira orgânica, provando que inovação tecnológica e luxo atemporal não apenas podem coexistir, mas ficam muito melhores quando caminham juntos. Para quem acompanha a evolução da indústria automotiva e do design de experiência, a Bentley oferece uma aula prática de como colocar o ser humano no centro da equação sem abrir mão da sofisticação que define uma marca lendária. 🚗✨

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