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Franky Wang fala sobre design, IA e o futuro do UX

A relação entre UX Design e Inteligência Artificial nunca esteve tão próxima, e essa união está transformando profundamente a maneira como milhões de pessoas usam e percebem produtos digitais no cotidiano. O que antes parecia uma promessa distante agora é realidade em aplicativos bancários, plataformas de saúde, e-commerces e praticamente qualquer serviço que mora na tela do celular ou do computador.

Franky Wang, designer sênior de UX que trabalha na JPMorgan Chase em Nova York, compartilhou uma perspectiva bastante relevante sobre esse cenário em entrevista ao Digital Journal. Na visão dele, duas grandes forças estão moldando o futuro das experiências digitais: de um lado, o avanço acelerado de tecnologias como IA e machine learning; do outro, a necessidade urgente de projetar para uma população global que envelhece rapidamente em um mundo hiperconectado. Esse ponto de vista coloca luz sobre algo que muita gente ainda ignora — tecnologia de ponta sem sensibilidade humana não resolve problema nenhum.

É exatamente nesse cruzamento entre inovação tecnológica e empatia que surgem dois pilares fundamentais para qualquer projeto digital sério: acessibilidade e design empático. Criar interfaces visualmente atraentes ou simplesmente seguir checklists de conformidade técnica não basta mais. O verdadeiro desafio está em construir experiências que funcionem com clareza, transmitam confiança e respeitem as limitações e necessidades reais de cada pessoa que interage com elas. E a boa notícia é que a inteligência artificial está se tornando uma aliada poderosa nesse processo, sem substituir o olhar humano que continua sendo insubstituível 🚀

A visão de Franky Wang sobre IA e o papel do designer

Wang não esconde o entusiasmo quando o assunto é inteligência artificial. Em vez de encarar a tecnologia como uma ameaça ao trabalho criativo, ele defende uma postura muito mais pragmática e construtiva. Segundo ele, é melhor abraçar a IA e aprender a usá-la a favor do design do que ficar reclamando sobre o impacto que ela pode ter na profissão. Ele compara a experiência a ter uma conversa com um amigo extremamente inteligente — alguém que complementa seu raciocínio, oferece novos ângulos e ajuda a enxergar coisas que você sozinho talvez não perceberia.

Essa visão se reflete diretamente no trabalho que Wang realiza na JPMorgan Chase, onde ajudou a liderar o redesign do painel de Ultimate Rewards e de outras funcionalidades de alto impacto. Essas mudanças, embora muitas vezes silenciosas para o público geral, transformaram de forma significativa a maneira como as pessoas interagem com suas finanças dentro da plataforma. São ajustes em fluxos de navegação, hierarquia visual, microtextos e pontos de decisão que fazem toda a diferença quando o assunto é simplicidade e confiança em um ambiente financeiro digital.

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Para Wang, a IA está se tornando um assistente essencial dentro do processo de UX Design. Na prática, ela ajuda a simplificar a análise de dados, permitindo que designers definam metas mais claras e se concentrem nas decisões de design que realmente importam. Durante as etapas de planejamento e testes, a inteligência artificial consegue otimizar tarefas como mapeamento de frameworks, card sorting e síntese de achados de pesquisa com usuários. Isso economiza tempo e libera espaço mental para um pensamento mais profundo e estratégico sobre o design. Mas ele faz questão de frisar um ponto crucial: por mais popular que a IA esteja, ela não vai substituir o papel do designer. O valor real do UX ainda vem do insight humano — da capacidade de se conectar com os usuários, compreender suas emoções e criar experiências que pareçam intuitivas e pessoais.

Como a Inteligência Artificial está transformando o UX Design na prática

Quando a gente fala em Inteligência Artificial aplicada ao UX Design, não estamos falando apenas de chatbots ou assistentes virtuais — embora esses sejam exemplos populares. A transformação vai muito além disso. Ferramentas baseadas em IA já conseguem analisar padrões de comportamento de milhares de usuários em tempo real, identificar pontos de fricção em jornadas digitais e até sugerir alterações de layout que melhoram a navegação sem que um designer precise gastar semanas rodando testes A/B manuais. Isso muda completamente a velocidade e a precisão com que equipes de produto tomam decisões. A IA funciona como uma lente de aumento que revela detalhes que o olho humano sozinho demoraria muito mais para captar, especialmente quando estamos falando de bases com milhões de interações diárias.

Um dos pontos mais interessantes que Franky Wang destaca é que a IA não deve ser vista como substituta do designer, mas como uma extensão das suas capacidades. Pense no seguinte cenário: uma plataforma financeira precisa atender desde jovens adultos que são nativos digitais até pessoas com mais de 70 anos que talvez tenham dificuldade para ler textos pequenos ou entender ícones abstratos. A inteligência artificial pode personalizar a interface dinamicamente, ajustando tamanho de fonte, contraste de cores, complexidade dos menus e até o tom da linguagem utilizada nos microtextos — tudo isso com base no perfil e no comportamento de cada usuário. Esse tipo de adaptação em tempo real seria praticamente impossível de implementar manualmente para cada segmento de público, e é aí que a tecnologia mostra seu valor real dentro das experiências digitais.

Além da personalização, a IA também está ajudando equipes de design a antecipar problemas antes que eles aconteçam. Modelos preditivos conseguem sinalizar quando uma determinada tela tem alta probabilidade de gerar abandono, quando um fluxo de cadastro está confuso demais ou quando um botão simplesmente não está sendo encontrado pelos usuários. Isso permite que correções sejam feitas de forma proativa, e não reativa. Em vez de esperar reclamações chegarem ao suporte, o time de produto já entra em ação com dados concretos em mãos. Essa abordagem preventiva economiza tempo, reduz custos e, principalmente, melhora a experiência de quem está do outro lado da tela.

Acessibilidade e Design Empático como base de tudo

A acessibilidade no universo digital não é um recurso opcional ou um diferencial competitivo — é uma responsabilidade. E quando a gente olha os números, fica claro o tamanho do impacto: a Organização Mundial da Saúde estima que mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com algum tipo de deficiência. Somando a isso o envelhecimento populacional que Franky Wang menciona, fica evidente que projetar apenas para o usuário padrão, jovem e sem nenhuma limitação é ignorar uma parcela gigantesca da população. O design empático entra justamente aqui, como uma filosofia que coloca a escuta ativa e a compreensão genuína das necessidades humanas no centro do processo criativo. Não se trata de seguir diretrizes de acessibilidade apenas para cumprir regulamentações — trata-se de entender que cada escolha de design afeta a vida real de alguém.

Wang enxerga um grande potencial no uso da IA para simplificar interações, fornecer orientações úteis e reduzir a carga cognitiva para usuários mais velhos, de modo que eles possam se sentir confiantes e incluídos em um mundo digital que muda rapidamente. Tanto ele quanto a JPMorgan Chase estão ativamente explorando essas possibilidades, buscando maneiras de criar experiências que vão além do cumprimento de padrões técnicos de acessibilidade e realmente funcionem com empatia, clareza e confiança.

Na prática, o design empático significa ir além dos testes de usabilidade convencionais. Significa envolver pessoas com deficiências visuais, auditivas, motoras e cognitivas desde as fases iniciais de pesquisa e prototipação. Significa testar interfaces com leitores de tela, verificar se animações podem causar desconforto em pessoas com sensibilidade vestibular, garantir que formulários sejam navegáveis apenas pelo teclado e certificar-se de que o contraste de cores atende não só às diretrizes WCAG, mas também funciona bem para quem tem daltonismo ou baixa visão. A Inteligência Artificial tem ajudado bastante nesse aspecto, com ferramentas que fazem auditorias automáticas de acessibilidade e sinalizam problemas que poderiam passar despercebidos durante o desenvolvimento. Mas é importante reforçar: a IA identifica o problema técnico, porém é a sensibilidade humana que entende o impacto emocional que aquele problema causa.

Franky Wang reforça um ponto que vale muito a pena destacar — a confiança que um produto digital transmite está diretamente ligada a como ele lida com a diversidade de seus usuários. Quando uma pessoa idosa consegue realizar uma transferência bancária sem pedir ajuda, quando alguém com deficiência visual navega por um aplicativo de forma autônoma usando apenas comandos de voz, ou quando um usuário neurodivergente encontra uma interface limpa e previsível que não sobrecarrega seus sentidos, ali existe design empático funcionando de verdade. Essas conquistas silenciosas não geram manchetes, mas transformam a relação das pessoas com a tecnologia de uma forma profunda e duradoura. E esse é o tipo de resultado que nenhuma métrica de vaidade consegue medir.

Mentoria, comunidade e o papel de dar de volta

Além do trabalho técnico dentro da JPMorgan Chase, Wang também se dedica a contribuir com a comunidade de design de forma mais ampla. Ele participa ativamente de iniciativas de mentoria, colaboração entre equipes e compartilhamento contínuo de conhecimento. Para ele, apoiar designers juniores, melhorar processos internos de equipe e construir uma cultura onde o design pensado e estratégico floresça não é apenas uma responsabilidade profissional — é um privilégio.

Esse posicionamento diz muito sobre o tipo de profissional que vai se destacar nos próximos anos dentro da área de UX. Não basta dominar ferramentas, entender de pesquisa ou saber construir protótipos elegantes. O mercado está cada vez mais valorizando pessoas que conseguem elevar o nível de quem está ao redor, que investem tempo em ensinar, documentar processos e criar ambientes colaborativos onde boas ideias possam surgir de qualquer pessoa da equipe, independente do nível de senioridade.

Quando perguntado sobre seus objetivos de longo prazo, Wang compartilhou uma visão que vai além do sucesso funcional. Ele quer que seu trabalho represente uma contribuição maior — ajudando a criar um ambiente digital mais inclusivo, respeitoso e centrado no ser humano, que devolva valor para as pessoas que o utilizam todos os dias. Essa perspectiva conecta diretamente o propósito pessoal com o impacto coletivo, algo que está se tornando cada vez mais relevante em um setor que lida com bilhões de interações humanas diariamente.

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O futuro das experiências digitais passa pela união entre tecnologia e humanidade

Olhando para frente, o cenário aponta para uma integração cada vez mais sofisticada entre UX Design, Inteligência Artificial e acessibilidade. Modelos de linguagem avançados, visão computacional e algoritmos de aprendizado contínuo vão permitir que interfaces se adaptem de formas que hoje a gente mal consegue imaginar. Pense em aplicativos que reconhecem automaticamente se o usuário está em um ambiente com muita luz e ajustam o brilho e o contraste sem que ele precise fazer nada. Ou em plataformas que detectam padrões de hesitação e oferecem orientação contextual sutil, sem interromper o fluxo. A tecnologia para isso já existe em estágios iniciais, e a tendência é que se torne padrão nos próximos anos. Esse avanço, no entanto, precisa vir acompanhado de uma reflexão ética constante sobre como e para quem essas soluções estão sendo projetadas.

O alerta de Franky Wang sobre o envelhecimento populacional é especialmente relevante para mercados como o Brasil, onde a pirâmide etária está mudando rapidamente. Segundo dados do IBGE, o país terá mais idosos do que jovens até 2060. Isso significa que empresas que não começarem agora a incorporar acessibilidade e design empático como valores centrais de seus produtos digitais vão enfrentar sérios problemas de relevância e retenção no médio prazo. Não é exagero dizer que a capacidade de projetar experiências digitais inclusivas será um dos principais diferenciais competitivos da próxima década. E aqui a Inteligência Artificial tem um papel estratégico, acelerando processos de pesquisa, automatizando validações de acessibilidade e permitindo personalizações em escala que seriam impossíveis de outra forma.

A jornada rumo a interfaces mais inteligentes e humanas também passa por uma mudança cultural dentro das empresas. Não adianta ter as melhores ferramentas de IA se a mentalidade da organização ainda trata acessibilidade como uma tarefa secundária ou se o design é visto apenas como uma camada estética aplicada no final do desenvolvimento. Profissionais como Franky Wang estão mostrando, na prática, que o design centrado no usuário precisa estar presente desde o primeiro dia de qualquer projeto — informando decisões de arquitetura, influenciando prioridades de negócio e garantindo que a voz do usuário final nunca seja esquecida no meio das planilhas e reuniões de roadmap.

No fim das contas, a mensagem que fica é relativamente simples, mas poderosa: a melhor tecnologia do mundo não substitui a capacidade humana de entender o que outra pessoa sente, precisa e espera ao usar um produto digital. A Inteligência Artificial é uma ferramenta extraordinária que amplia o alcance e a precisão do UX Design, mas o coração do processo continua sendo a empatia. Como Wang bem coloca, a IA aprimora o processo, mas o julgamento final deve sempre estar fundamentado na compreensão humana. Projetar para todos não é apenas um exercício técnico — é um compromisso com a ideia de que a tecnologia deve servir às pessoas, e não o contrário. Quando acessibilidade, design empático e inteligência artificial trabalham juntos, o resultado são experiências digitais que respeitam, incluem e funcionam para todo mundo 💡

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Rafael

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