ROI de eventos presenciais é aquele assunto que sempre aparece depois de uma cena bem conhecida. A equipe volta da feira cansada, com o bolso cheio de cartões e a sensação de que conversou com muita gente boa. Passam algumas semanas e alguém pergunta se valeu a pena. Ninguém sabe responder direito.
Essa dúvida pesa cada vez mais. Segundo o Hypepotamus, os eventos presenciais estão em alta no marketing em 2026, e o veículo sugere que parte disso pode ser uma reação ao excesso de anúncios que lota os canais digitais. Para muita empresa, o encontro cara a cara virou uma aposta séria do marketing de eventos B2B. Só que reunir pessoas numa sala é uma coisa. Provar que aquele encontro ajudou a vender é outra bem diferente.
No fim, a pergunta que importa é simples: quanto dinheiro um evento traz para a empresa?
É essa pergunta que a DayOf, uma startup da Carolina do Norte, tenta responder, de acordo com reportagem do Hypepotamus. A história dela, a mudança de rumo no começo e o jeito como o produto funciona trazem boas lições para quem investe em feiras e conferências no Brasil e quer parar de decidir no chute.
Quem é a DayOf e por que ela mudou de rota
A DayOf startup fica em Durham, na Carolina do Norte, e foi criada por Marc Eder e Misha Shvets, segundo o Hypepotamus. O veículo a descreve como uma martech que ajuda negócios a conectar seus eventos presenciais ao trabalho de vendas. A própria empresa se apresenta como uma espécie de motor de operações de receita, o tal RevOps, pensado especificamente para eventos.
Na prática, a proposta é ajudar o time a saber com quem conversou, o que aconteceu depois e se o evento compensou o que foi gasto.
Só que o plano original era outro. Conforme a reportagem, a DayOf nasceu como um canal de distribuição ligado a viagens para eventos e conferências. Os pilotos feitos com empresas, porém, mostraram que a conta não fechava. Eder contou ao veículo que a economia por unidade simplesmente não se sustentava.
Em vez de insistir, os fundadores olharam para um problema que apareceu no caminho: as empresas tinham dificuldade de entender como seus eventos contribuíam para a receita. O foco saiu da descoberta de eventos e passou para o que a empresa realmente conquista ao participar de um encontro ou ao organizar o próprio.
Essa virada é um bom lembrete para quem empreende. Às vezes, o problema certo surge no meio do teste do problema errado. Imagine um time que lança um produto, roda alguns pilotos e percebe que os clientes elogiam muito mais um recurso secundário do que a ideia principal. Quem escuta esse sinal costuma economizar tempo e dinheiro. Quem ignora, insiste num caminho que já mostrou que não vai longe.
Como a DayOf tenta medir o retorno de eventos
A porta de entrada é bem simples. Com o recurso chamado Rolodex, que é gratuito, a pessoa que está numa feira manda por mensagem de texto a foto de um crachá ou de um cartão de visita para um número da DayOf. Dá para incluir anotações e, aos poucos, montar a lista de quem conheceu. Não precisa baixar aplicativo, e cada contato fica ligado às notas que explicam o contexto da conversa, conforme relata o Hypepotamus.
Parece pouco. Não é.
Quem já voltou de um congresso sabe que a parte difícil não é pegar o cartão, é lembrar por que ele importava. A escolha de usar uma mensagem de texto, sem instalar nada, tira atrito de um momento em que a pessoa está de pé, no meio do corredor, entre uma conversa e outra.
Ainda segundo o veículo, o Rolodex está em beta aberto desde o início de outubro. Quem usa são fundadores, investidores e profissionais de vendas e marketing de empresas B2B em fase de crescimento. A maioria chegou à ferramenta pelo SF Tech Week ou pelo Venture Atlanta, evento que já rendeu por aqui uma análise sobre o que o Venture Atlanta ensina sobre pitch de startup. Eder também disse ao Hypepotamus que algumas equipes vão usar a versão paga em eventos nas próximas semanas.
Essa versão paga junta tudo no nível da equipe. A empresa monta listas de alvos a partir do CRM ou da lista de participantes, define objetivos para cada evento e acompanha o andamento durante o encontro. Há também ferramentas para quem organiza os próprios eventos, como gestão de convites, check-in de convidados e relatórios.
Os relatórios são o coração da proposta. De acordo com a reportagem, eles foram pensados para ligar o gasto com o evento às conversas que aconteceram, às contas-alvo alcançadas e às oportunidades de venda associadas a esses encontros. O público principal, segundo o Hypepotamus, são diretores de marketing e times de field marketing e de marketing de eventos.
Construir em público: o roadmap aberto
Um detalhe chama atenção na reportagem. A DayOf deixa seus planos à vista de todos. No topo do site há um link para um roadmap com as prioridades de curto prazo, as ideias de mais longo prazo e o que foi lançado recentemente.
Segundo o Hypepotamus, as integrações com HubSpot e Salesforce estão entre os próximos passos, e a integração com o Slack vem mais adiante. Os usuários podem pedir novos recursos e acompanhar a evolução das funcionalidades que querem ver. Eder explicou ao veículo que a ideia é dar ao cliente uma visão clara do que está por vir e abrir um canal para que ele influencie esse caminho.
A lição de produto é direta. Quando o cliente enxerga para onde a ferramenta vai e sente que tem voz, a confiança tende a crescer. E isso pesa ainda mais num produto que, para entregar valor, precisa conversar com o CRM e com os dados comerciais da empresa.
Pense numa startup brasileira de software B2B que vive recebendo a mesma pergunta dos clientes: quando sai tal integração? Um roadmap público não resolve tudo, mas responde boa parte dessas dúvidas antes que elas virem ticket de suporte. De quebra, mostra quais pedidos aparecem mais.
O que isso ensina a quem investe em feiras e conferências no Brasil
O calendário brasileiro de eventos de negócios é cheio. Tem feira de varejo, de tecnologia, de agro, de saúde, congressos setoriais e encontros de startups espalhados pelo ano. E o problema costuma ser parecido em todos: muito investimento em estande, viagem e brinde, pouca clareza sobre o que voltou.
Você não precisa da DayOf para aplicar a lógica dela. Dá para adaptar as ideias ao seu time agora mesmo.
Defina o objetivo antes de comprar o estande
Parece óbvio, mas muita empresa decide ir a uma feira só porque o concorrente vai. Antes de fechar contrato, liste as contas que você quer encontrar lá. Um punhado de empresas certas vale mais que uma pilha de cartões aleatórios.
Depois, combine com o time o que conta como sucesso. Pode ser reuniões marcadas, demonstrações feitas ou oportunidades abertas no funil. O importante é que todo mundo saiba qual é a régua antes de embarcar.
Com isso escrito, a avaliação depois do evento deixa de ser opinião. Vira comparação entre meta e resultado.
Capture contexto, não só contatos
Um cartão sem anotação vira papel esquecido na gaveta. Imagine um vendedor que conversa com dezenas de pessoas em poucos dias de feira. Na segunda-feira, ele já não lembra quem pediu proposta e quem só passou no estande atrás de café.
A ideia do Rolodex resolve isso com um hábito simples: registrar a conversa na hora. Uma nota de áudio, uma mensagem no grupo da equipe ou um campo no celular já ajudam bastante.
Anote a dor do cliente, o próximo passo combinado e o nível de interesse. Esse contexto é o que transforma um nome numa oportunidade de verdade.
Leve o evento para dentro do CRM
Se o contato não entra no funil, o retorno some do radar. É comum a empresa perder a ligação entre a feira e a venda que só fechou meses depois. O negócio aparece no relatório, mas ninguém lembra que ele começou num corredor de pavilhão.
Uma saída prática é criar uma origem específica para cada evento no seu CRM. Assim, quando o negócio fechar, você sabe de onde ele veio. Quem quer automatizar esse caminho pode se inspirar em ideias de automação de marketing com IA para pequenas empresas.
O follow-up também precisa de prazo. O interesse criado na feira esfria rápido, e a primeira mensagem depois do evento costuma fazer muita diferença.
Compare eventos entre si
Com dados de algumas edições, a pergunta muda. Em vez de perguntar se a feira valeu a pena, você passa a perguntar qual feira vale mais a pena.
Pense numa empresa que participa de vários eventos ao longo do ano. Se ela registra custo, reuniões e oportunidades de cada um, fica bem mais fácil ver qual merece um estande maior e qual pode receber só uma visita de dois vendedores.
É esse tipo de decisão baseada em dados que Eder defende na reportagem: escolher para onde mandar o time e como gastar o orçamento de eventos olhando para o que aconteceu, e não para a lembrança de quem estava lá.
Converse com organizadores
Segundo o Hypepotamus, Eder vê espaço para parcerias com organizadores de conferências, oferecendo dados anônimos sobre o impacto de negócios de cada evento. É uma ideia que cabe bem por aqui.
Organizadores querem provar valor para expositores. Expositores querem saber se o investimento compensa. Os dois lados ganham quando trocam informação.
Na próxima negociação de espaço, vale perguntar ao organizador que dados ele pode compartilhar sobre o perfil do público. E, de volta, oferecer um retorno sobre como foi a sua experiência comercial no evento. Essa conversa raramente acontece, e quem puxa o assunto costuma ser lembrado.
Ferramenta ajuda, mas o processo vem antes
Medir o ROI de eventos presenciais depende mais da disciplina do time do que de qualquer software. Nenhuma plataforma salva uma equipe que esquece de registrar conversas ou que nunca faz o follow-up.
Dá para começar com o que você já tem. Uma planilha com custo do evento, contatos captados, reuniões e oportunidades geradas já mostra muita coisa. Somada ao CRM que a empresa usa, ela vira uma base sólida para as próximas decisões.
Quando esse processo estiver rodando, aí sim faz sentido avaliar uma ferramenta dedicada. Você vai saber exatamente o que precisa automatizar, e fica mais fácil enxergar se o investimento na ferramenta se paga.
Da gaveta de cartões ao funil de vendas
Volte àquela equipe cansada, chegando da feira. Agora imagine que ela saiu de casa com uma lista de contas-alvo, anotou cada conversa importante e jogou tudo no CRM na mesma semana.
Semanas depois, quando alguém perguntar se valeu a pena, a resposta vem com base em registros. Quantas reuniões saíram dali, quantas propostas foram enviadas, quantos negócios seguem em andamento. A conversa sai do achismo e vai direto para o planejamento do próximo ano.
É isso que a história da DayOf mostra de mais útil. O valor não está só na tecnologia, mas na mudança de hábito que ela provoca. E essa mudança qualquer time pode fazer, com ou sem ferramenta nova.
Antes do próximo evento no seu calendário, escolha as contas que quer encontrar, defina como vai registrar as conversas e crie a origem dele no CRM. Se quiser ir além, continue explorando aqui no blog outros conteúdos sobre marketing de eventos B2B e ferramentas de vendas.
