A contratação em startups ganhou um palco próprio na Universidade Cornell, nos Estados Unidos. Segundo o Cornell Chronicle, quase 450 estudantes passaram pela primeira feira de recrutamento e networking de startups da universidade, realizada em 20 de outubro no prédio de Computação e Ciência da Informação. Por lá, conversaram com líderes de 20 empresas jovens.
O evento reuniu negócios de robótica, defesa, tecnologia em saúde e alimentação, todos de olho no mesmo público: talentos jovens em tecnologia. Os alunos foram atrás de estágio, emprego e contato com quem já toca o próprio negócio. As empresas queriam ser vistas por gente que talvez nunca chegasse até elas por conta própria. Quem tenta montar time cedo no Brasil, com pouca verba e sem a vitrine de uma marca conhecida, entende bem esse desafio.
Quem organizou e por quê
De acordo com a reportagem, a iniciativa teve o patrocínio da faculdade de computação Cornell Bowers, da escola de engenharia Cornell Duffield, do setor de desenvolvimento de carreira da universidade e do programa Entrepreneurship at Cornell. Ou seja, juntou quem forma os alunos, quem cuida da entrada deles no mercado e quem estimula o empreendedorismo. Uma combinação que faz sentido.
O decano da Cornell Bowers e professor de ciência da computação, Sorin Lerner, defendeu ao veículo uma ideia simples. Para ele, os estudantes precisam de mais contato com o empreendedorismo e entender que startup também é caminho de emprego. Não se trata só de fundar uma empresa. Existem muitas startups já funcionando que são ótimos lugares para começar a carreira.
Lerner ainda apontou um ganho para os dois lados. Os alunos encontram várias empresas num só lugar, e startups que poderiam passar despercebidas ficam frente a frente com futuros profissionais qualificados.
O que os estudantes foram buscar
Pelos relatos ouvidos pelo Cornell Chronicle, a conversa não gira só em torno de vaga. Diya Singhal, estudante de design e análise ambiental, já passou por startups de tecnologia médica e de educação, além de empresas grandes. Ela contou ao veículo que quer seguir no universo das startups e que gosta da autonomia e do poder de decisão que esse ambiente dá. Para ela, o trabalho é mais recompensador.
A amiga Michelle DiCarlo, que acabou de escolher estatística como curso, foi explorar possibilidades de estágio. Ela disse que gosta da parte aplicada e do desenho de experimentos, e vê nas startups um bom jeito de usar essas habilidades. Também se animou ao encontrar ex-alunos e gente jovem à frente das próprias empresas.
Jonathan Davenport estagiou numa startup no verão. Segundo a reportagem, ele gostou de acumular funções: fez engenharia de software, análise de dados e monitoramento da infraestrutura do site. Foi à feira atrás de empresas que precisem de alguém com experiência em dados e DevOps, a área que une desenvolvimento e operação de software. E elogiou justamente o formato, com muitas startups reunidas no mesmo espaço.
Os três depoimentos batem na mesma tecla: autonomia, variedade de tarefas e aprendizado.
Do outro lado da mesa
Entre as empresas, o veículo destacou BJ Kim, ex-aluno de doutorado de Cornell e vice-presidente de engenharia da Persista Bio. Ele foi ao evento procurar estagiários e possíveis funcionários. A startup desenvolve um implante celular de longa duração que regula sozinho o açúcar no sangue de pessoas com diabetes. Segundo a reportagem, a empresa licencia tecnologia da própria Cornell e da Giner, Inc., e funciona no Center for Life Science Ventures, dentro do campus.
A Drone City LLC também marcou presença, com um representante conversando com estudantes. O retrato geral mostra startups de robótica, healthtech, foodtech e defesa disputando atenção no mesmo corredor.
O que startups brasileiras podem tirar disso
Daqui em diante, a leitura é da redação do Método Viral, não um dado da reportagem. Uma feira conjunta tende a reduzir o esforço de uma empresa pequena para ser encontrada por quem está começando a carreira. Em vez de cada startup tentar sozinha chamar atenção, o evento faz esse trabalho por todas.
Os depoimentos também sugerem que, para muitos jovens, autonomia e aprendizado pesam na escolha. Isso não substitui uma boa proposta de remuneração, mas mostra que contar com clareza o dia a dia da vaga pode ajudar a atrair gente boa. E o caso da Persista Bio lembra que a relação com a universidade pode ir além do recrutamento, já que a empresa usa tecnologia licenciada de Cornell. Quem acompanha como o mercado internacional atrai startups de tecnologia e IA percebe que a busca por talento faz parte dessa movimentação.
Também ajuda olhar para o lado de quem contrata. Nossa lista de empresas de tecnologia que contratam UX designers mostra como as vagas se espalham por perfis bem diferentes.
Próximos passos
Segundo o Cornell Chronicle, Zach Shulman, diretor de empreendedorismo de Cornell, quer que o encontro aconteça todo ano. Ele contou que os próprios alunos vinham pedindo um evento assim e que a organização ficou satisfeita com a resposta de estudantes e empresas.
Se a feira de carreiras de startups entrar de vez no calendário de Cornell, o modelo pode servir de inspiração para universidades e polos de inovação por aqui. Para seguir acompanhando o ecossistema, vale ler também as lições da Agtech Mach para startups brasileiras.
