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Inteligência Artificial e o futuro invisível das compras online

Inteligência Artificial já transformou a maneira como pesquisamos produtos, comparamos preços e fechamos compras pela internet. Isso não é mais novidade pra ninguém. Porém, enquanto o mercado inteiro fala sobre agentes de IA fazendo compras de forma independente, quase ninguém para pra refletir sobre o que precisa existir nos bastidores pra que tudo isso funcione de verdade, sem travamentos e sem dor de cabeça.

Porque vamos combinar: uma coisa é um assistente virtual te indicar o melhor fone de ouvido com base nas suas preferências e no seu orçamento. Outra coisa completamente diferente é esse mesmo assistente acessar seu cartão, navegar por uma loja online, escolher o produto certo e finalizar o pagamento sem você precisar mover um dedo sequer 🤖💳. É justamente nesse ponto que a conversa fica mais interessante e mais complexa do que parece à primeira vista.

Uma startup de Nova York chamada Circuit & Chisel está apostando alto na ideia de que o futuro do comércio online depende de uma camada invisível de infraestrutura. Estamos falando de um protocolo capaz de permitir que agentes de Inteligência Artificial realizem pagamentos autônomos sem atrito, sem erros e sem depender de soluções improvisadas. Fundada por dois ex-executivos da Stripe, a empresa levantou 19,2 milhões de dólares em investimento e já chamou a atenção de nomes de peso como a própria Stripe, Polygon Labs e Samsung Next.

O problema que ninguém estava resolvendo

Hoje, quando você faz uma compra online, todo o processo foi desenhado para humanos. Você vê botões, preenche formulários, digita o número do cartão, confirma o endereço e clica em finalizar compra. Parece simples, mas por trás disso existem camadas de verificação, autenticação e protocolos de transação que foram construídos pensando exclusivamente em pessoas interagindo com telas. O problema é que agentes de IA não interagem com o mundo da mesma forma. Eles não clicam em botões, não leem captchas e não preenchem campos de formulário da maneira convencional. E é exatamente aí que mora o gargalo que a Circuit & Chisel quer resolver.

A maioria das tentativas de automatizar compras com Inteligência Artificial até agora funcionava de um jeito meio precário. Os agentes basicamente simulavam o comportamento de um usuário humano, clicando virtualmente em elementos da página, preenchendo campos e torcendo pra que nada mudasse no layout do site entre uma compra e outra. Qualquer alteração mínima no design de uma loja virtual podia quebrar o fluxo inteiro. Era o equivalente digital de construir uma casa sobre areia movediça, funciona por um tempo, mas não é sustentável a longo prazo.

O que a Circuit & Chisel propõe é algo fundamentalmente diferente. Em vez de forçar a IA a se comportar como humano dentro de sistemas feitos para humanos, a empresa está criando uma infraestrutura nativa para que máquinas conversem diretamente com plataformas de pagamento. Isso significa protocolos de transação específicos para agentes autônomos, com autenticação própria, permissões configuráveis e trilhas de auditoria que garantem segurança em cada etapa do processo. É uma inovação em tecnologia que ataca a raiz do problema em vez de apenas colocar um band-aid sobre ele.

Quem está por trás da Circuit & Chisel

A empresa foi cofundada por Louis Amira e David Noel-Romas, dois profissionais que construíram suas carreiras dentro da Stripe, uma das maiores empresas de infraestrutura de pagamentos digitais do planeta. Amira atuava como chefe de parcerias de cripto e IA na Stripe, enquanto Noel-Romas liderava a engenharia de cripto da companhia. Ambos deixaram a Stripe no ano passado para fundar a Circuit & Chisel e lançar o ATXP, sigla para Agent Transaction Protocol, ou Protocolo de Transação para Agentes.

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Em uma entrevista realizada em fevereiro de 2025, Amira explicou que a saída da Stripe aconteceu em bons termos. Segundo ele, os fundadores da Stripe sempre demonstraram convicção em ideias ousadas, inclusive mantendo a equipe de cripto em funcionamento mesmo após o colapso da corretora FTX abalar a confiança do mercado. Porém, a visão que Amira e Noel-Romas tinham para o futuro dos pagamentos autônomos era ambiciosa demais para se encaixar na estrutura de uma empresa grande naquele momento. Quando a Stripe viu o que a dupla estava construindo por conta própria, decidiu investir na iniciativa. Esse tipo de relação entre ex-funcionários e sua antiga empresa não é comum, mas reforça a credibilidade do projeto e mostra que quem entende profundamente de pagamentos digitais acredita nesse caminho.

Além da Stripe, a lista de investidores inclui a Polygon Labs, empresa de infraestrutura blockchain, e a Samsung Next, braço de investimentos da Samsung Electronics. Em um post publicado em setembro, a Samsung Next afirmou que acredita que pagamentos são uma das camadas mais valiosas da tecnologia e que a Circuit & Chisel tem o time, o produto e o timing certo para transformar o ATXP nos trilhos padrão para software autônomo. Quando uma gigante como a Samsung coloca dinheiro e reputação numa startup, o sinal é claro: esse não é um nicho passageiro, é uma tendência com potencial de se tornar parte essencial da infraestrutura digital global.

Como os pagamentos autônomos funcionam na prática

Pra entender o funcionamento desse sistema, imagine o seguinte cenário: você configura um agente de IA para monitorar o preço de um determinado notebook que você quer comprar. Você define um orçamento máximo, escolhe as lojas de confiança e autoriza o agente a agir quando encontrar a melhor oferta. Com a infraestrutura da Circuit & Chisel, esse agente não precisa simular seus cliques nem acessar a loja como se fosse você navegando pelo navegador. Em vez disso, ele se comunica diretamente com a API de pagamento da loja por meio de protocolos de transação padronizados, envia as credenciais de pagamento de forma segura e completa a compra em segundos. Tudo isso acontece sem fricção, sem erros de preenchimento e sem aquele momento constrangedor em que o captcha trava tudo.

A segurança, naturalmente, é uma das maiores preocupações quando falamos de pagamentos autônomos realizados por máquinas. Ninguém quer dar carta branca para um robô sair gastando dinheiro sem controle algum. Por isso, o protocolo desenvolvido pela startup trabalha com um sistema de permissões granulares. O usuário pode definir limites de gasto por transação, restringir categorias de produtos, limitar as lojas autorizadas e até exigir uma confirmação humana acima de determinado valor. É como dar uma mesada controlada pro seu agente de Inteligência Artificial, ele tem liberdade pra agir, mas dentro de regras bem definidas que você mesmo estabelece.

O próprio Amira usou uma analogia parecida durante sua entrevista. Ele descreveu que o modelo ideal é algo como definir uma quantia que o agente pode gastar livremente, 100, 200 ou 400 dólares, e deixar que ele tome as decisões dentro desse limite. Para questões maiores ou mais estratégicas, a interação humana continuaria existindo, mas num nível cada vez mais alto e menos granular. Em outras palavras, você não vai ficar revisando cada conta de luz ou cada compra de supermercado. Vai focar nas decisões que realmente importam, enquanto o agente cuida do operacional do dia a dia.

Agentes como clientes de verdade

Um dos pontos mais surpreendentes que Amira compartilhou na entrevista diz respeito a quem exatamente está usando o protocolo ATXP. Inicialmente, como era de se esperar, foram humanos que se cadastraram na plataforma e começaram a testar a ferramenta. Porém, algo inesperado começou a acontecer: agentes de IA estão se inscrevendo e instalando o ATXP por conta própria, sem intervenção humana direta, para poder utilizar as ferramentas e serviços disponíveis.

Isso pode parecer coisa de filme de ficção científica, mas na prática é uma consequência lógica de como agentes autônomos operam. Quando um agente de IA encontra um obstáculo, como a impossibilidade de completar uma transação em determinada plataforma, ele busca soluções disponíveis. Se o ATXP resolve esse problema, o agente incorpora o protocolo ao seu fluxo de trabalho. Amira admitiu que, há um ano, mencionar que agentes de IA seriam seus principais clientes no futuro fazia com que ele fosse ridicularizado em algumas reuniões. Hoje, essa ideia já soa muito mais plausível para um número crescente de pessoas no mercado.

Essa mudança de perspectiva é significativa. Estamos caminhando para um cenário onde a Inteligência Artificial não é apenas uma ferramenta usada por humanos, mas um participante ativo do ecossistema digital, com suas próprias necessidades de infraestrutura, autenticação e acesso a serviços. A Circuit & Chisel está se posicionando para atender essa demanda nascente antes que ela se torne mainstream.

Um mercado cheio de incertezas e oportunidades

Apesar de toda a empolgação, Amira faz questão de manter os pés no chão. Ele reconheceu abertamente que, quando deixou a Stripe pouco mais de 12 meses atrás, acreditava ter uma visão clara de como o futuro dos pagamentos autônomos se desenrolaria nos anos seguintes. Desde então, essa certeza diminuiu. O ecossistema de agentes de IA está evoluindo tão rápido e em direções tão diversas que até os principais players do mercado hesitam em fazer apostas massivas em uma única direção.

Segundo Amira, a Circuit & Chisel já conversou com aproximadamente dez outras empresas que ocupam posições semelhantes no mercado, além de nomes estratégicos como Coinbase, Solana e diversos investidores de peso. A conclusão geral é que ninguém está disposto a apostar todas as fichas em um único modelo neste momento, justamente porque o cenário é extremamente incerto. Isso não significa que o mercado está parado, pelo contrário. Significa que as empresas estão testando, aprendendo e ajustando suas estratégias em tempo real, algo bastante saudável para um ecossistema tecnológico em estágio inicial.

A Circuit & Chisel parece confortável com essa incerteza. A empresa tem convicção sobre o que precisa executar nos próximos meses e está construindo infraestrutura que pode se adaptar à medida que o mercado amadurece. Num ambiente onde a única certeza é a mudança constante, flexibilidade e velocidade de adaptação valem mais do que um plano rígido de cinco anos.

O que isso muda pra quem compra e pra quem vende

Do lado do consumidor, a promessa é de uma experiência de compra que exige cada vez menos esforço. Pense em como você já usa assistentes virtuais hoje pra criar listas de compras, comparar preços ou receber alertas de promoção. Agora multiplique isso por dez. Com pagamentos autônomos funcionando de verdade, o seu agente de IA poderia cuidar de reposições automáticas de itens do dia a dia, aproveitar promoções relâmpago enquanto você dorme ou até negociar preços em plataformas que aceitam esse tipo de interação máquina a máquina. O comércio online deixaria de ser algo que você faz e passaria a ser algo que acontece a seu favor em segundo plano, de forma contínua e inteligente.

Do lado dos lojistas e plataformas de e-commerce, a adoção de protocolos de transação compatíveis com agentes de IA pode representar um aumento significativo nas conversões. Hoje, uma parcela enorme de carrinhos é abandonada por causa de fricção no checkout, formulários longos, erros de digitação, falhas de autenticação. Quando o comprador é uma máquina operando por meio de um protocolo padronizado, essas barreiras simplesmente deixam de existir. A transação acontece de forma limpa e direta, o que potencialmente reduz taxas de abandono e acelera o ciclo de venda.

Além disso, lojas que adotarem esse tipo de infraestrutura cedo podem se posicionar como destinos preferenciais para os agentes de IA, que tendem a priorizar ambientes onde conseguem operar com mais eficiência. É uma dinâmica interessante: no futuro, otimizar a experiência de compra pode significar não apenas pensar no usuário humano, mas também na experiência do agente autônomo que representa esse usuário.

Ferramentas que utilizamos diariamente

O futuro da interação entre humanos e agentes

Amira compartilhou uma visão fascinante sobre como a relação entre pessoas e agentes de IA deve evoluir ao longo do tempo. Segundo ele, a cada ano que passa, os agentes vão assumir mais responsabilidades sem precisar consultar o usuário. Contas recorrentes que aparecem todo mês, por exemplo, não precisariam mais de aprovação manual. O agente reconhece o padrão, sabe que é uma despesa esperada e resolve sozinho.

Na visão do CEO da Circuit & Chisel, a tendência é que cada pessoa interaja principalmente com um único agente principal, talvez dividido entre vida pessoal e profissional. Esse agente central, por sua vez, acionaria sub-agentes ou processos pontuais conforme necessário. Em vez de microgerenciar cada decisão, o humano passaria a interagir com seu agente num nível estratégico, definindo prioridades e diretrizes gerais em vez de aprovar cada transação individualmente.

É uma mudança de paradigma que vai muito além de tecnologia. Envolve confiança, controle e uma nova forma de delegar decisões financeiras a sistemas autônomos. E se depender de startups como a Circuit & Chisel, a infraestrutura necessária para que isso aconteça de forma segura e escalável já está sendo construída agora.

Por que vale a pena ficar de olho nesse movimento

O investimento de quase 20 milhões de dólares captado pela Circuit & Chisel mostra que o mercado está levando essa visão a sério. A participação da Stripe, uma das maiores empresas de infraestrutura de pagamentos do mundo, não é um detalhe qualquer. Sinaliza que os próprios gigantes do setor financeiro reconhecem que a próxima grande onda do comércio online será impulsionada por agentes autônomos e que a infraestrutura atual simplesmente não está preparada pra isso.

O protocolo ATXP ainda está em estágio inicial, e o ecossistema como um todo está longe de consolidado. Mas os sinais são consistentes. Grandes empresas investindo, agentes de IA já adotando a ferramenta por conta própria e uma equipe fundadora que viveu os desafios de pagamentos digitais por dentro, na linha de frente de uma das maiores fintechs do planeta. Estamos diante de uma inovação em tecnologia que não é apenas incremental, mas que pode redefinir a relação entre consumidores, máquinas e o ecossistema de pagamentos digitais como um todo 🚀.

Nos próximos meses, acompanhar como a Circuit & Chisel e empresas similares evoluem vai ser essencial pra entender pra onde caminha o comércio online movido por Inteligência Artificial. A infraestrutura que está sendo construída hoje é o que vai determinar se os agentes de IA do futuro serão assistentes eficientes ou apenas promessas que nunca saíram do papel.

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Rafael

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