A IA generativa deixou de ser só uma ferramenta que a gente abre para escrever um texto ou criar uma imagem. Segundo relatório publicado pelo Reuters Institute, da Universidade de Oxford, em 29 de outubro de 2026, ela está passando a funcionar como infraestrutura de informação. Na prática, virou um dos caminhos pelos quais as pessoas chegam às respostas que procuram. Isso pesa no dia a dia de quem trabalha com SEO, produção de conteúdo e marketing digital, porque cada vez mais gente pergunta direto ao chatbot ou lê o resumo de IA que aparece no topo do buscador.
O estudo ouviu pessoas em nove países: Argentina, Austrália, Dinamarca, Finlândia, França, Japão, Noruega, Reino Unido e Estados Unidos. A pesquisa é assinada por Felix Simon, Rasmus Kleis Nielsen e Richard Fletcher e dá sequência a levantamentos feitos em 2024 e 2025. Vale avisar logo: o Brasil não faz parte da amostra. Por isso, tudo o que este texto diz sobre o mercado brasileiro é leitura do Método Viral, e não dado do relatório.
Os números que mostram a virada
Para medir a evolução, o relatório do Reuters Institute compara seis países que já tinham sido pesquisados nas edições anteriores. Nesse grupo, o uso semanal de ferramentas de IA generativa saltou de 34% em 2025 para 51% agora. Metade dos entrevistados, toda semana.
O uso diário também disparou. Segundo o instituto, foi de 7% em 2024 para 16% em 2025 e chegou a 28% em 2026, quase dobrando de um ano para o outro. É um ritmo que pouca tecnologia de consumo conseguiu manter.
Quem usa mais? De acordo com a reportagem do Reuters Institute, o hábito continua mais comum entre os mais jovens, entre quem tem renda e escolaridade maiores e entre profissionais de ocupações consideradas mais qualificadas. Os autores apontam que parte dessa adoção vem do próprio trabalho, com a IA entrando na rotina das empresas.
A mudança mais interessante, porém, está no motivo do uso. Buscar informação se consolidou como a finalidade mais comum, à frente da criação de conteúdo. Nos seis países com histórico, a fatia que usou IA para se informar na última semana passou de 11% em 2024 para 24% em 2025 e alcançou 38% em 2026. Dentro disso, pesquisar um tema lidera, com 24%. Pedir conselhos aparece com 20% e já fica no mesmo patamar de tirar dúvidas factuais, que marca 18%. Ou seja, a IA não está sendo usada só para checar uma data. As pessoas querem orientação.
Nas plataformas, o ChatGPT segue como líder claro, com uso semanal que subiu de 22% para 34% na média dos seis países, de acordo com o relatório. Quem mais avançou em pontos, no entanto, foi o Gemini, do Google, que pulou de 11% para 24%. O Copilot, da Microsoft, foi de 6% para 11%, e o Claude saiu de 1% para 7%. A confiança nessas ferramentas também cresceu conforme as pessoas passaram a conhecê-las, embora muita gente ainda não tenha opinião formada, em parte porque nem sabe que alguns desses sistemas existem. Se você quer relembrar o que movimentou esse mercado ao longo do ano, o resumo das maiores notícias de IA generativa de 2026 ajuda a montar o quadro.
A IA que aparece sem ser chamada
Nem todo contato com IA é uma escolha. Nos nove países, 57% das pessoas disseram ter visto resumos gerados por IA em buscadores como Google e Bing na última semana. A IA também aparece embutida em celulares, tablets e computadores, citada por 25%, e em redes sociais e aplicativos de mensagem, lembrada por 21%. O instituto chama isso de exposição incidental: a pessoa entrou para fazer outra coisa e encontrou a IA no caminho.
Só 20% afirmam não ter visto IA em lugar nenhum. Outros 9% não souberam dizer.
Os próprios veículos de notícia ajudam a espalhar esse contato. Segundo o relatório, em média 24% viram, na última semana, um aviso de que um conteúdo foi feito com IA, e 20% leram um resumo de notícia em tópicos gerado por IA.
Há ainda um dado curioso sobre dinheiro. De acordo com o Reuters Institute, 10% dizem pagar por acesso a ferramentas de IA, e 9% usam versões pagas pelo trabalho ou pela escola. Somando tudo, 18% têm acesso a IA paga, a mesma proporção de quem paga por notícias nos nove países.
Tem um contraponto, e ele importa. Os agentes de IA, aqueles sistemas que executam tarefas por conta própria, ainda são nicho. Segundo o instituto, 67% não usaram nenhum na semana anterior à pesquisa. Apenas 14% disseram ter usado um agente para uma tarefa real, e 13% só testaram por curiosidade. O assunto rende bastante no marketing, como mostramos ao falar de agentes que automatizam a base de dados, mas o uso pelo público em geral ainda está engatinhando.
O que muda para quem faz SEO, conteúdo e marketing no Brasil
A partir daqui, entra a nossa análise. O relatório não traz dados do Brasil, então o que segue são leituras de mercado, e não conclusões do estudo.
No SEO, o resumo de IA no topo da busca tende a mudar o jogo. A disputa deixa de ser só pelo clique e passa a incluir outra meta: ser a fonte que a IA consulta e cita. Página bem organizada, com resposta direta e informação confiável, parece ter mais chance nesse cenário.
Na produção de conteúdo, o dado sobre conselhos chama atenção. Se o público chega à IA com perguntas do tipo o que eu faço agora, textos que respondem com clareza e mostram domínio do assunto devem ganhar peso. Imagine uma loja de cosméticos que publica guias honestos sobre cuidados com a pele. Esse tipo de material tem mais cara de fonte do que um texto genérico feito só para ranquear.
No marketing digital, pode valer ampliar o radar. Olhar só para o Google já não parece suficiente, e entender como a marca aparece no Gemini e no ChatGPT entra na lista de tarefas. Para quem ainda está organizando o uso da tecnologia no time, as formas de usar inteligência artificial no marketing digital são um bom ponto de partida.
Uma ressalva honesta: como o Brasil ficou fora da amostra, a velocidade dessa mudança por aqui ainda é observação de mercado. Pode ser parecida, mais rápida ou mais lenta.
O recado central do estudo é direto. A IA generativa está virando porta de entrada para a informação, e não apenas uma ferramenta de criação. O Método Viral segue acompanhando os desdobramentos dessa virada e o que ela significa para quem trabalha com tecnologia e marketing no Brasil.
