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O Skunk Works, a divisão de desenvolvimento avançado da Lockheed Martin, esteve em Israel no mês de agosto de 2026 — e a visita passou quase despercebida. Não foi um movimento qualquer. A equipe liderada por Paul Fogel, engenheiro-chefe da divisão, se reuniu com mais de uma dúzia de empresas israelenses de tecnologia de defesa e também com autoridades seniores do setor de defesa, em uma agenda intensa organizada pela Lockheed Martin Israel. O objetivo era claro: encontrar tecnologias que já foram testadas no campo de batalha real e que possam ser integradas às soluções da divisão.

O Skunk Works é conhecido por ser pioneiro no desenvolvimento de novas tecnologias aeroespaciais e de defesa, incluindo aeronaves avançadas, sistemas de autonomia e soluções de comando e controle. Não é a primeira vez que a divisão faz esse tipo de movimento em Israel. Antes disso, ela já havia integrado o sistema operacional XOS da Xtend à sua plataforma de autonomia MDCX — um exemplo concreto de como esse processo de absorção tecnológica funciona na prática. Agora, a missão voltou com ainda mais estrutura, reunindo startups de diferentes áreas em eventos especiais, incluindo um demo day realizado nas comunidades da fronteira com Gaza. O que chama atenção nessa história não é só o que aconteceu, mas o que esse movimento revela sobre como a Lockheed Martin enxerga o futuro da tecnologia de defesa — e onde ela está buscando as respostas.

Por que Israel? O ecossistema que testou tecnologia de verdade

Israel não é apenas um polo de inovação no papel. O país tem um ecossistema de startups que nasceu, em grande parte, da necessidade militar. Diferente de muitos centros tecnológicos ao redor do mundo, onde as soluções são desenvolvidas em laboratórios controlados e só depois testadas em ambientes reais, as empresas israelenses de tecnologia de defesa frequentemente fazem o caminho inverso: a solução nasce no campo, passa por validação em condições extremas e depois chega ao mercado. Isso cria um tipo de produto completamente diferente — menos teórico, mais robusto, com ciclos de iteração muito mais rápidos do que qualquer processo tradicional de aquisição militar conseguiria replicar. Para uma divisão como o Skunk Works, que tem como DNA a inovação acelerada e o desenvolvimento de soluções fora dos padrões convencionais, esse ambiente é praticamente um laboratório natural.

A integração do sistema XOS da Xtend ao MDCX não foi um acidente ou uma parceria de marketing. Foi o resultado de um processo que a Lockheed Martin vem estruturando há alguns anos: identificar empresas que já resolveram problemas reais, entender como essas soluções se encaixam nas plataformas existentes e, quando faz sentido, absorver essa tecnologia de forma direta. O XOS é um sistema operacional voltado para drones e robôs, e a sua integração ao MDCX — plataforma de autonomia do Skunk Works — mostra como tecnologias desenvolvidas em contextos altamente adversos podem ser incorporadas a sistemas de larga escala sem perder eficiência. Esse modelo de colaboração é mais ágil do que desenvolver tudo internamente e, principalmente, já chega com uma validação que nenhum simulador consegue oferecer.

O que torna o ecossistema israelense ainda mais atraente para empresas como a Lockheed Martin é a diversidade de áreas cobertas pelas startups locais. Não se trata apenas de drones ou robótica. As empresas que participaram das reuniões com o Skunk Works atuam em segmentos que vão desde inteligência artificial aplicada à guerra eletrônica até sistemas de comunicação resilientes, sensores de última geração e soluções de proteção de força. Essa diversidade é estratégica — e é exatamente o tipo de variedade que uma divisão como o Skunk Works precisa para continuar desenvolvendo plataformas integradas que funcionem em múltiplos domínios simultaneamente.

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Quem esteve nas reuniões e o que rolou nos eventos

A agenda em Israel foi dividida em diferentes eventos, cada um com um foco específico. Um deles foi organizado pela Lockheed Martin Israel em parceria com a MAFAT, a Diretoria de Pesquisa e Desenvolvimento em Defesa do Ministério da Defesa israelense. Autoridades seniores da MAFAT estiveram presentes no encontro, realizado no centro de Tel Aviv, com foco em drones, comando e controle e autonomia.

Entre as empresas presentes nesse encontro estavam a Pixelsite, especializada em inteligência visual e sistemas ópticos passivos para detecção de ameaças de baixa assinatura; a Regulus, que constrói uma solução completa de combate a drones em todo o espectro; e a Particle Labs, uma empresa de deep tech que ainda opera em modo stealth, ou seja, mantendo suas operações em sigilo.

Outro evento foi conduzido pela CET Sandbox, reunindo cerca de dez startups das áreas de guerra eletrônica, dominância no campo de batalha, autonomia e proteção de força. Entre as empresas participantes estavam nomes como Tenna Systems, Ion Flux, Invisig, BEX Robotics, Resight, Sharksense, Asio Technologies, Airwayz, R2 Wireless e Insignito. A variedade de soluções apresentadas mostra o tamanho e a profundidade do ecossistema israelense nessa área.

O dia foi encerrado com um evento público no Start-up Nation Central, patrocinado pela Shibolet e pela Asio, em Tel Aviv. Mais de cem representantes de startups israelenses se reuniram para conhecer a equipe da Lockheed Martin. A noite incluiu um painel de discussão sobre o futuro do cenário de defesa, seguido de uma sessão aberta de perguntas e respostas. A CET Sandbox, vale destacar, é um hub de inovação em tecnologia de defesa entre Estados Unidos e Israel, que conecta startups israelenses à base industrial de defesa americana, a agências governamentais e ao mercado de capitais.

O que o Skunk Works está realmente buscando

A visita de Paul Fogel e sua equipe não foi uma rodada exploratória casual. A agenda foi montada com cuidado pela Lockheed Martin Israel, e o demo day realizado nas comunidades da fronteira com Gaza tem um simbolismo bastante direto: a Lockheed Martin quis ver tecnologia funcionando no contexto mais próximo possível da realidade operacional. Não em um stand de feira ou em uma apresentação em PowerPoint, mas em campo, com todas as variáveis que isso implica. Esse tipo de abordagem revela muito sobre o que o Skunk Works está buscando neste momento — não ideias, mas soluções que já estejam prontas para escalar, ou pelo menos muito próximas disso. A divisão tem capacidade técnica de sobra para desenvolver tecnologia do zero; o que ela precisa agora é de velocidade, e as startups israelenses oferecem exatamente isso.

Outro ponto relevante é o foco em autonomia. Boa parte das empresas que fizeram parte da agenda do Skunk Works em Israel trabalha com sistemas autônomos ou semi-autônomos, o que se alinha diretamente com a direção que a Lockheed Martin vem tomando nos últimos anos. A plataforma MDCX, por exemplo, é uma aposta clara na ideia de que o futuro dos sistemas de defesa passa pela capacidade de operar com mínima intervenção humana em ambientes complexos e imprevisíveis. Integrar tecnologias que já foram submetidas a esse tipo de ambiente — e que sobreviveram — é um atalho que nenhuma quantidade de testes em laboratório consegue substituir. O Skunk Works sabe disso, e é por isso que essa visita a Israel tem um peso estratégico que vai muito além de uma simples rodada de networking.

Vale lembrar que o Skunk Works tem um histórico longo de desenvolver tecnologias que parecem ficção científica antes de se tornarem padrão da indústria. Existente desde os anos 1950, a divisão é responsável por marcos na engenharia aeroespacial. Como resumiu Candis Roussel, responsável pelo Sistema Automático de Prevenção de Colisão com o Solo (Auto GCAS) da Lockheed Martin, em entrevista anterior, o Skunk Works sempre esteve na vanguarda da tecnologia de ponta e adora encarar novos desafios. Segundo ela, a missão da divisão é acompanhar o ritmo de um ambiente em rápida evolução e oferecer a segurança, os dados e a agilidade que pilotos e combatentes precisam para operar de forma rápida e eficaz.

Noventa e sete por cento do nosso trabalho é classificado, mas os três por cento restantes já dão um vislumbre da complexidade e das capacidades avançadas que nossas equipes estão desenvolvendo, afirmou Roussel.

Hoje, o foco é diferente — menos em plataformas individuais e mais em sistemas integrados, conectados e autônomos — mas a filosofia é a mesma: encontrar o que ninguém mais está fazendo e transformar isso em capacidade operacional real. As startups israelenses, com seu ritmo acelerado e sua proximidade com cenários reais de conflito, são parceiras naturais nessa jornada. 🚀

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O que esse movimento significa para o setor

Quando uma divisão do porte e da reputação do Skunk Works organiza uma agenda estruturada com mais de uma dúzia de startups em Israel, o recado para o mercado é bastante claro: a inovação em tecnologia de defesa não acontece mais apenas dentro das grandes corporações. O modelo tradicional, em que empresas como a Lockheed Martin desenvolviam tudo internamente em ciclos longos e custosos, está sendo substituído por um modelo muito mais colaborativo, em que a velocidade das startups complementa a escala e a experiência das grandes empresas. Isso não é uma tendência nova, mas ver o Skunk Works — uma das divisões mais fechadas e seletivas da indústria de defesa — adotando esse modelo de forma tão explícita é um sinal importante de como a dinâmica do setor está mudando.

Para as startups israelenses, por outro lado, esse tipo de visita representa uma oportunidade concreta de escalar para um mercado global. Uma parceria com o Skunk Works da Lockheed Martin não é apenas um contrato — é uma validação que abre portas com outros clientes institucionais ao redor do mundo. O exemplo da Xtend é emblemático: a integração do XOS ao MDCX colocou a empresa em um nível completamente diferente de visibilidade e credibilidade no mercado internacional de tecnologia de defesa. Para outras empresas que participaram do demo day e das reuniões de agosto de 2026, esse pode ser o começo de um caminho parecido — ou a confirmação de que estão no caminho certo.

O que fica claro, no final das contas, é que a Lockheed Martin e seu Skunk Works estão apostando em Israel como um dos principais centros globais de geração de tecnologia de defesa aplicada. Não como fornecedor de peças ou componentes, mas como parceiro estratégico na construção de sistemas que precisam funcionar em condições que os maiores laboratórios do mundo ainda não conseguem replicar completamente. Essa visita de agosto de 2026 pode ter passado despercebida para a maioria, mas para quem acompanha de perto o movimento da indústria de defesa e inovação tecnológica, ela diz muito sobre onde as próximas grandes transformações vão acontecer. 🌐

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Rafael

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