A UiPath acaba de movimentar o mercado de automação com um pacote robusto de novidades anunciadas durante a conferência FUSION, realizada em Las Vegas. São mais de uma dúzia de recursos novos, todos com um objetivo bem claro: economizar tempo — tanto para profissionais do dia a dia quanto para equipes técnicas que lidam com processos complexos. E o alcance disso é enorme. A plataforma já conta com mais de 3 milhões de desenvolvedores que criam workflows de automação para os mais variados tipos de negócios. 🚀
A plataforma usa agentes de inteligência artificial, scripts e aplicativos de terceiros para automatizar tarefas repetitivas dentro das empresas. Ela também acelera atividades técnicas, como os testes de software. Muitos dos recursos anunciados já estão disponíveis, enquanto outros chegam ao mercado no mês que vem. Vamos entender o que mudou e o que isso representa na prática para quem vive o dia a dia da tecnologia.
Cartographer: o novo destaque para iniciar automações
O grande protagonista dessa leva de novidades é uma ferramenta chamada Cartographer. Ela ataca justamente o primeiro e mais trabalhoso passo de qualquer projeto de automação: descobrir como os funcionários realmente executam a tarefa manual que a empresa deseja agilizar. Esse processo pode consumir semanas de trabalho, e a razão é simples. Não basta entender a maneira comum de fazer determinada atividade. É preciso mapear também como as pessoas reagem a imprevistos, exceções e erros que surgem no meio do caminho.
O Cartographer coleta automaticamente todos esses dados necessários. A partir daí, ele entrega um workflow de automação pronto para uso, já com recursos embutidos para medir a eficácia da solução. E o cuidado não para por aí. Depois que o fluxo entra em produção, um recurso chamado Decision Ledger registra todas as ações executadas. Com essas informações em mãos, as empresas conseguem aprimorar a precisão das automações de forma contínua e baseada em dados reais.
Segundo Daniel Dines, fundador e presidente-executivo da UiPath, um mapa de processo mostra como o trabalho foi projetado para funcionar. Já o Cartographer é a chave para revelar o conhecimento operacional de como esse trabalho realmente acontece, com cada exceção e cada decisão de julgamento incluídas. Ele definiu a ferramenta como o primeiro produto criado para capturar as duas coisas e mantê-las sempre sincronizadas. Essa capacidade de enxergar a operação real, e não apenas a teoria, é o que diferencia projetos de automação bem-sucedidos dos que fracassam.
O Cartographer já está disponível. E, no próximo mês, ele ganha a companhia de um conjunto de melhorias no Test Cloud, o componente da plataforma voltado para acelerar iniciativas de testes de software.
Testes de software ganham uma camada inteligente
Quem trabalha com qualidade de software conhece bem a rotina. Engenheiros varrem aplicações em busca de bugs usando scripts que simulam a atividade de um usuário real. Só que escrever esses scripts, coletar os resultados e extrair os pontos de dados mais importantes é um trabalho que pode ser extremamente cansativo e demorado. É aí que entra uma das novidades mais aguardadas do Test Cloud.
O recurso se chama Autonomous Exploration e promete acelerar bastante essa tarefa. Com ele, os engenheiros conseguem testar uma aplicação apenas definindo objetivos de alto nível para a detecção de bugs. Em vez de programar cada passo manualmente, o profissional diz o que quer encontrar, e a plataforma se encarrega de explorar o sistema em busca de problemas. O ganho de tempo é real e considerável, especialmente em ambientes onde os ciclos de entrega são curtos e a pressão por qualidade é constante.
Outro avanço interessante é a capacidade do Test Cloud de misturar abordagens manuais e automatizadas. Segundo a UiPath, agora os engenheiros podem pedir que a própria plataforma execute os testes que eles desenvolveram manualmente. E, para completar, um novo agente de inteligência artificial chamado UiPath Delegate assume tarefas administrativas, como a preparação de resumos de testes de interface. Ou seja, aquele trabalho burocrático que ninguém gosta de fazer passa a ficar nas mãos da IA. 💡
Essa combinação entre testes manuais e automatizados é valiosa porque nem toda situação pode ser totalmente automatizada. Alguns cenários exigem o olhar e a sensibilidade de um profissional experiente. Ao permitir que os dois mundos convivam na mesma plataforma, a UiPath oferece flexibilidade sem forçar as equipes a escolherem entre um caminho e outro.
Integração com aplicativos e agentes de IA
O terceiro grande foco dos anúncios foi o UiPath Integration Service. Esse serviço fornece conectores que permitem aos workflows de automação conversarem com aplicativos de terceiros. E, dessa vez, a empresa ampliou bastante esse leque de possibilidades.
Agora é possível integrar os fluxos de trabalho com bancos de dados e com ferramentas de agentes de inteligência artificial baseadas no protocolo MCP. Outra novidade é o Relay, um recurso que conecta a plataforma a cargas de trabalho que rodam localmente, dentro da infraestrutura da própria empresa, o que costuma ser chamado de on-premises.
Um detalhe que vai agradar bastante os administradores de sistemas é a nova forma de lidar com credenciais. Os clientes podem armazenar os dados de login usados pelos workflows para acessar aplicativos externos diretamente nos seus cofres de segredos já existentes. Isso elimina a necessidade de manter uma cópia separada dessas credenciais dentro da UiPath, o que simplifica a gestão e reduz riscos de segurança. Menos duplicação de dados sensíveis significa menos pontos de falha e uma superfície de ataque menor.
Governança e mais poder para os desenvolvedores
A UiPath também aproveitou o evento para lançar uma série de outras melhorias na plataforma. Entre elas, estão novos controles de governança, pensados para ajudar as empresas a garantir que os componentes de IA dos seus workflows de automação operem de forma confiável. Esse ponto é cada vez mais importante, já que a inteligência artificial está assumindo decisões dentro dos processos, e ninguém quer que um agente autônomo tome rumos inesperados sem supervisão.
Outra novidade relevante é o UiPath Coding Agents, que fez sua estreia original em março e agora chegou à disponibilidade geral. Esse recurso permite que os desenvolvedores criem workflows de automação usando ferramentas de IA, como o Claude Code. Na prática, isso significa que construir automações fica mais parecido com conversar com um assistente inteligente do que com programar linha por linha do zero.
Essa mudança acompanha uma tendência forte no setor de tecnologia. Cada vez mais, as ferramentas de desenvolvimento incorporam assistentes de inteligência artificial que aceleram a criação de soluções e reduzem a curva de aprendizado para quem está começando. A UiPath claramente quer estar na dianteira desse movimento, oferecendo aos seus milhões de desenvolvedores um caminho mais rápido para transformar ideias em automações funcionais.
O que essas novidades representam na prática
Olhando para o conjunto de anúncios feitos na FUSION, dá para perceber uma direção bem definida. A UiPath está apostando pesado na combinação entre automação e inteligência artificial como o caminho para resolver problemas reais do cotidiano corporativo. Não se trata apenas de adicionar recursos por adicionar, mas de atacar gargalos que engenheiros, analistas e administradores enfrentam todos os dias.
O Cartographer, por exemplo, encurta drasticamente a fase mais demorada de qualquer projeto de automação, que é entender o processo antes de automatizá-lo. Os avanços no Test Cloud são especialmente relevantes para equipes de desenvolvimento que precisam entregar com velocidade sem abrir mão da qualidade. E as novas integrações com agentes de IA e bancos de dados sinalizam que a plataforma está se posicionando como um verdadeiro hub central para qualquer processo que envolva tanto tarefas estruturadas quanto decisões baseadas em linguagem e contexto.
Para quem acompanha o universo da inteligência artificial e da automação, esses movimentos mostram como a linha entre robôs de processo e agentes inteligentes está ficando cada vez mais tênue. A tendência é que, num futuro próximo, automatizar uma tarefa seja tão simples quanto descrever o que se deseja alcançar, deixando os detalhes técnicos por conta da IA. A UiPath parece decidida a liderar esse caminho, e as novidades da FUSION são um passo concreto nessa direção. 😉
