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Casa Branca aprova US$ 9 bilhões para agências de espionagem correrem atrás do prejuízo em Inteligência Artificial

A Inteligência Artificial já não é mais um projeto de futuro para as agências de espionagem americanas — ela está no centro das operações de hoje.

Mas tem um problema sério travando tudo isso: a C.I.A. e a N.S.A. simplesmente não têm chips suficientes para rodar os modelos mais avançados disponíveis no mercado.

Não é falta de vontade, nem de tecnologia.

É falta de infraestrutura — e esse gargalo está custando caro para a segurança nacional dos Estados Unidos.

Para resolver isso, a Casa Branca acaba de aprovar um investimento secreto de US$ 9 bilhões voltado à aquisição dos chips de última geração que as agências precisam para finalmente colocar em prática o potencial real da IA nos sistemas classificados. A informação foi revelada por atuais e ex-funcionários do governo americano em reportagem do The New York Times.

É muito dinheiro, sim.

Mas quando a corrida tecnológica envolve espionagem, inteligência militar e ameaças cibernéticas, o custo de ficar para trás pode ser ainda maior. 🔐

O problema que ninguém queria admitir

Durante anos, a narrativa oficial era de que as agências americanas de inteligência estavam sempre um passo à frente tecnologicamente. E em muitos aspectos, isso ainda é verdade. Mas o avanço da Inteligência Artificial generativa e dos grandes modelos de linguagem — os famosos LLMs — escancarou uma fragilidade que ficou escondida por tempo demais: a infraestrutura de hardware das agências simplesmente não acompanhou o ritmo da inovação.

Enquanto empresas como a OpenAI, Google e Anthropic constroem clusters com dezenas de milhares de chips de alta performance, a C.I.A. e a N.S.A. operam em ambientes altamente restritos, onde cada peça de hardware precisa passar por rigorosos processos de aprovação, auditoria e certificação de segurança antes de chegar às instalações.

Os novos modelos de IA consomem quantidades enormes de capacidade computacional — mais do que muitos especialistas em tecnologia previam até mesmo um ou dois anos atrás. Essa realidade alimentou preocupações tanto na Casa Branca quanto no Congresso de que a escassez de chips está fazendo com que as agências de inteligência fiquem para trás na hora de testar e implantar essas ferramentas para trabalhos de espionagem ultrassecretos.

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O resultado prático é claro: analistas da C.I.A. e da N.S.A. até têm acesso a ferramentas de IA, sim — mas versões limitadas, rodando em infraestruturas defasadas, com capacidade muito abaixo do que o estado da arte permite. Em uma área onde cada detalhe importa e onde a velocidade de processamento pode significar a diferença entre antecipar ou reagir a uma ameaça, esse gap tecnológico é mais do que um inconveniente: é um risco real para a segurança nacional americana.

Como bem resumiu Vinh Nguyen, ex-cientista-chefe de dados da N.S.A. e pesquisador sênior sobre IA no Council on Foreign Relations: Nossa comunidade de inteligência precisa da fronteira — os melhores chips de IA, modelos, sistemas e talentos — em um cronograma que acompanhe a ameaça.

O que muda com US$ 9 bilhões em chips

O investimento aprovado pela Casa Branca não é um cheque em branco para qualquer fornecedor de tecnologia. O pedido de US$ 9 bilhões foi pensado em parte para ampliar a disponibilidade de infraestrutura capaz de suportar o superchip Grace Blackwell da NVIDIA, que exige data centers com capacidade de fornecer quantidades enormes de energia elétrica e sistemas especializados de resfriamento líquido.

O Congresso americano ainda precisa aprovar esse financiamento. Porém, a administração já está remanejando US$ 800 milhões para uma aquisição mais rápida de capacidade computacional enquanto o processo legislativo avança. E especialistas apontam que somas ainda maiores provavelmente serão necessárias no futuro.

Na prática, o que se espera com essa expansão de infraestrutura é que a C.I.A. e a N.S.A. consigam operar modelos de IA de forma muito mais robusta dentro de suas redes privadas e isoladas — os chamados air-gapped environments, que são sistemas completamente desconectados da internet pública por razões de segurança. Nesses ambientes, rodar um modelo de linguagem avançado ou um sistema de reconhecimento de padrões em dados de inteligência exige que toda a capacidade computacional esteja disponível localmente, sem a possibilidade de recorrer a nuvens públicas.

Atualmente, as agências rodam seus modelos de IA classificados principalmente nas redes de nuvem da Amazon Web Services. A Amazon anunciou no ano passado um esforço de US$ 50 bilhões para atualizar seus serviços de computação em nuvem para o governo. Ainda assim, mesmo que o dinheiro fosse aprovado imediatamente, haveria um atraso significativo antes que as redes de nuvem classificadas operadas pela AWS e outros provedores conseguissem construir data centers equipados com os Grace Blackwells. 🖥️

Isso acontece porque os data centers que hospedam a nuvem classificada são fisicamente separados das redes não classificadas e seguem protocolos de segurança muito mais rigorosos. As empresas não conseguem simplesmente atualizar data centers comerciais ou não classificados para atender ao trabalho governamental classificado da noite para o dia.

O papel da Anthropic e o contrato com a N.S.A.

Para contornar a escassez de chips enquanto os investimentos de longo prazo não se materializam, a Casa Branca encontrou uma solução provisória bastante interessante. Susie Wiles, chefe de gabinete da Casa Branca, autorizou a N.S.A. a continuar usando um modelo avançado de IA criado pela Anthropic — mesmo que o Pentágono tenha designado a empresa como uma ameaça à cadeia de suprimentos.

Segundo funcionários do governo americano, a Anthropic e o governo estão finalizando um contrato classificado que permitirá à N.S.A. manter acesso aos produtos da empresa. O novo modelo da Anthropic, conhecido como Mythos, roda de forma mais eficiente nos chips mais recentes, mas também consegue funcionar em uma geração anterior de chips — o que é justamente o que torna ele viável para as agências no momento atual.

Esse arranjo não veio sem controvérsia. No início deste ano, o Departamento de Defesa exigiu autoridade para empregar a tecnologia da Anthropic para qualquer uso legal, o que gerou um embate entre as duas partes. O novo contrato não inclui essa linguagem.

Além disso, o contrato terá uma cláusula específica para garantir que o modelo de IA não seja utilizado em dados de cidadãos americanos. Funcionários da Casa Branca querem que esse contrato sirva como modelo para acordos com outras empresas de tecnologia.

Atualmente, o contrato da OpenAI com o Pentágono não inclui a N.S.A. Então, além de resolver a questão dos chips, a OpenAI e o governo precisam chegar a um acordo separado para que a agência de espionagem possa usar tecnologias como o ChatGPT. Autoridades de inteligência esperam que o contrato com a Anthropic abra caminho para um acordo semelhante com a OpenAI.

A corrida tecnológica por trás da segurança nacional

Seria ingênuo pensar que os Estados Unidos são os únicos nessa corrida. A segurança nacional de praticamente todas as grandes potências do mundo passou a depender, em graus variados, da capacidade de processar e interpretar dados com auxílio de Inteligência Artificial. China, Rússia, Israel e vários países europeus têm seus próprios programas de IA voltados à inteligência e defesa, e o nível de investimento nesses programas tem crescido de forma consistente ao longo dos últimos anos.

O ponto central aqui é que a disputa por chips avançados deixou de ser apenas uma questão econômica ou comercial. Ela virou uma questão de poder geopolítico. Não é por acaso que os Estados Unidos têm implementado restrições cada vez mais rígidas na exportação de semicondutores de alta performance para determinados países. A classe Blackwell de chips da NVIDIA, lançada no ano passado, atualmente tem exportação proibida para a China. Controlar quem tem acesso aos chips mais avançados é, na prática, controlar quem consegue desenvolver as aplicações de IA mais poderosas.

A N.S.A., em particular, tem um histórico de operações que dependem fortemente de processamento massivo de dados — desde a análise de metadados de comunicações até o monitoramento de redes e a detecção de ameaças cibernéticas em escala global. A tecnologia de IA já tem ajudado as agências militares e de espionagem a filtrar quantidades enormes de dados de inteligência, sendo particularmente valiosa para tarefas como encontrar comunicações interceptadas que passaram despercebidas por analistas humanos.

Modelos de linguagem de grande escala estão sendo integrados a sistemas como o Maven, que ajuda militares a escolher alvos em campo de batalha — embora o Pentágono não tenha explicado com precisão como a Inteligência Artificial foi usada para encontrar alvos no Irã ou em outros locais. 🛡️

As alternativas e seus riscos

Diante da escassez de chips nos sistemas classificados, as agências têm algumas alternativas, mas nenhuma é ideal. Uma delas é trabalhar em certos problemas nas redes não classificadas, que rodam na mesma internet e nos mesmos data centers comerciais que o público em geral utiliza. Porém, fazer isso poderia arriscar a exposição de informações classificadas, segundo ex-funcionários de inteligência.

A escassez do novo modelo de IA Mythos da Anthropic, lançado em abril, adicionou ainda mais urgência ao cenário. Esse modelo é considerado tão eficaz em encontrar e explorar vulnerabilidades de segurança cibernética que inicialmente foi compartilhado apenas com um número reduzido de agências governamentais, bancos e outras empresas nos Estados Unidos e no Reino Unido. Até o momento, ele ainda não foi disponibilizado para uso mais amplo.

Enquanto isso, a Anthropic também tem enfrentado problemas do outro lado da moeda. A empresa sofreu quedas de serviço em seu chatbot Claude e em alguns momentos foi forçada a limitar a oferta durante horários de pico — algo parecido com uma empresa de energia fazendo apagões programados para lidar com a demanda de eletricidade.

A postura da Casa Branca e o contexto político

Em um comunicado duro, a Casa Branca se recusou a discutir a escassez de chips ou seus esforços para resolvê-la. Steven Cheung, porta-voz da Casa Branca, declarou: Deliberações sensíveis de segurança nacional são conduzidas com a seriedade que exigem — não vazadas para repórteres e reembaladas por meio de alegações seletivamente atribuídas e não verificadas, projetadas para gerar manchetes em vez de verdade. O fato é que os Estados Unidos estão liderando o mundo em tecnologia e estão bem preparados para lidar com uma variedade de questões que possam surgir.

A Inteligência Artificial também tem sido cada vez mais um foco da administração Trump. Na última quinta-feira, a Casa Branca cancelou abruptamente uma cerimônia de assinatura de uma nova ordem executiva sobre IA poucas horas antes do início previsto. O presidente Trump disse a repórteres que não gostou de alguns aspectos do documento.

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A ordem buscava formalizar um processo para que empresas de IA compartilhassem seus modelos com o governo — incluindo agências de segurança nacional — antes de serem lançados publicamente, em reconhecimento à ameaça potencialmente ampla que esses modelos representam para a segurança cibernética.

No início deste mês, o Pentágono anunciou que havia fechado acordos com algumas das maiores empresas da indústria de tecnologia para expandir as capacidades de IA dos militares e aumentar o número de empresas autorizadas a operar em redes classificadas. As empresas concordaram em permitir que o Pentágono empregasse sua tecnologia para qualquer uso legal — o padrão que a Anthropic resistiu inicialmente.

Enquanto funcionários do Pentágono consideram esse padrão importante para dar ao militar máxima flexibilidade no uso de modelos de IA, funcionários da Casa Branca não o viram como necessário para as agências de inteligência. A N.S.A. e a C.I.A. são proibidas de coletar inteligência dentro dos Estados Unidos e significativamente restritas em como coletam informações sobre americanos no exterior. Por esse motivo, as agências de espionagem se sentiram confortáveis em aceitar as limitações propostas pelas empresas de IA para impedir que suas tecnologias fossem usadas para vigilância de cidadãos americanos.

O que esse movimento revela sobre o futuro da IA governamental

Quando agências como a C.I.A. e a N.S.A. conseguem um aporte de quase US$ 9 bilhões em chips para Inteligência Artificial, o recado vai muito além do investimento em si. Esse tipo de decisão sinaliza uma mudança estrutural na forma como os governos enxergam a IA — não mais como uma tecnologia auxiliar ou experimental, mas como infraestrutura crítica, tão essencial quanto satélites, bases militares ou sistemas de criptografia.

Essa mudança de perspectiva tende a se espalhar rapidamente por outros departamentos e agências do governo americano, criando um efeito cascata que pode transformar profundamente a forma como o Estado opera nos próximos anos.

Outro ponto importante é o que esse movimento representa para a indústria de semicondutores. Um contrato governamental dessa magnitude, voltado especificamente para chips de alta performance para IA, é exatamente o tipo de demanda que sustenta ciclos inteiros de desenvolvimento e produção. A NVIDIA normalmente lança um novo chip a cada ano com o objetivo de oferecer capacidade de processamento mais forte para modelos de IA de ponta. Empresas como NVIDIA, Intel e AMD — além de fabricantes como a TSMC — têm interesse direto em garantir que suas tecnologias atendam aos padrões exigidos por esse tipo de cliente.

E quando o cliente é uma agência de inteligência com requisitos de segurança extremamente específicos, o nível de customização e colaboração técnica exigido pode resultar em inovações que eventualmente chegam ao mercado comercial também.

Representantes da AWS, OpenAI e Anthropic se recusaram a comentar devido à natureza classificada do trabalho. A NVIDIA não respondeu a pedidos de comentário. O Escritório do Diretor de Inteligência Nacional, a C.I.A. e a N.S.A. também se recusaram a comentar.

No fim das contas, o que estamos vendo é a consolidação de um novo paradigma: a Inteligência Artificial como pilar da segurança nacional. E para que esse pilar se sustente, ele precisa de hardware robusto, moderno e disponível em quantidade suficiente. Os chips aprovados nesse investimento não são apenas peças de silício — são a base sobre a qual as próximas gerações de ferramentas de inteligência vão ser construídas. A C.I.A. e a N.S.A. sabem disso. E agora, com esse aporte bilionário, elas finalmente têm os recursos para agir de acordo com o que já sabiam ser necessário há algum tempo. 🚀

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