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Inteligência Artificial está consumindo trilhões de dólares ao redor do mundo, e Arthur Hayes, ex-CEO da BitMEX e cofundador da firma de investimentos em cripto Maelstrom, tem uma visão bem particular sobre para onde tudo isso vai.

Pra quem não conhece, Hayes é uma das vozes mais respeitadas — e polêmicas — do universo cripto. Não é o tipo de pessoa que fica em cima do muro, e dessa vez ele foi direto ao ponto respondendo perguntas da CNBC na Gamma Prime Investing Conference, em Singapura: a humanidade está desperdiçando trilhões de dólares construindo data centers de IA, e isso vai acabar do jeito que sempre acaba nas grandes ondas tecnológicas da história. Com excesso de capacidade, uma queda brusca e, no fim, um bailout — e quem estiver posicionado em criptomoeda vai colher os frutos disso.

Parece familiar? É porque já vimos esse roteiro antes. 📈

O Ciclo de Sempre: Boom, Colapso e Resgate

Hayes não está falando de ficção científica. Ele está comparando o momento atual com ciclos históricos bem documentados. Nas palavras dele, se você estudar a história financeira e cada grande lançamento tecnológico, sempre existe uma construção exagerada, sempre existe uma queda e sempre existe um resgate. É um padrão que se repete com uma consistência quase incômoda. A bolha das empresas ponto-com, no final dos anos 90, é o exemplo clássico: bilhões foram jogados em infraestrutura de internet que o mercado simplesmente não conseguia absorver naquele ritmo. Empresas abriram capital, captaram fortunas e sumiram do mapa em questão de meses. A infraestrutura ficou, os investidores choraram — mas quem sobreviveu ao caos e se posicionou certo saiu na frente quando a internet finalmente mostrou seu verdadeiro potencial anos depois. A história tem uma memória curiosa: ela repete os mesmos erros com roupagens diferentes, e o mercado de inteligência artificial parece estar seguindo esse mesmo caminho com uma velocidade impressionante.

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A diferença agora é a escala. Quando falamos de data centers para suportar cargas de trabalho de IA, estamos falando de investimentos que ultrapassam facilmente centenas de bilhões de dólares, com empresas de tecnologia numa verdadeira corrida para garantir o poder de processamento necessário para desenvolver e rodar modelos de IA cada vez mais avançados. São construções físicas gigantescas, cheias de GPUs caríssimas, que precisam de energia elétrica equivalente a pequenas cidades para funcionar. E tudo isso está sendo erguido numa velocidade que pode estar bem à frente da demanda real que o mercado consegue gerar em receita. Segundo Hayes, toda essa expansão vai, no fim das contas, tornar o poder de computação poderosa extremamente barato e extremamente abundante — o que é ótimo a longo prazo, mas devastador para quem apostou pesado no timing errado.

Hayes argumenta que esse descompasso entre oferta e demanda vai gerar, inevitavelmente, uma concentração enorme de capacidade ociosa. Quando isso acontece em setores estratégicos — e a IA claramente é um — governos historicamente entram em cena. O termo técnico é bailout, mas na prática significa que o dinheiro público vai ser usado para salvar o que o capital privado construiu de forma desordenada. E é exatamente nesse ponto que o raciocínio de Hayes começa a fazer muito sentido para quem acompanha o mercado de criptomoeda e entende o papel que os ativos digitais podem desempenhar num cenário de expansão monetária acelerada.

Quem Está Puxando a Demanda — e Quem Ainda Não Lucra

Um ponto curioso levantado por Hayes é sobre quem são os grandes consumidores desse poder de processamento. Ele cita nomes de peso como SpaceX, OpenAI e Anthropic entre os principais usuários finais que impulsionam a demanda por computação poderosa. O detalhe interessante? Segundo ele, nenhuma dessas empresas dá lucro ainda. Isso levanta uma bandeira importante: assim que os data centers que estão sendo construídos agora ficarem prontos, os fornecedores de infraestrutura vão querer ser pagos pelo processamento que essas empresas se comprometeram a usar.

E quando essa conta chega? Hayes aponta para um período entre o final de 2027 e 2028, momento em que boa parte da nova capacidade de data centers deve estar entregue e operacional. É aí que a pressão por receita real vai bater na porta, e as empresas que não conseguirem transformar tecnologia em lucro vão sentir o baque. Por outro lado, existe o cenário otimista que o próprio Hayes reconhece: se a IA se tornar tão útil ao longo dos próximos doze meses a ponto de a demanda crescer o suficiente para tornar essas empresas lucrativas, o jogo muda completamente. É um equilíbrio delicado entre utilidade real e expectativa inflada.

Por Que a Cripto Entra Nessa Equação

A lógica de Hayes é direta: quando governos precisam salvar setores inteiros da economia, eles imprimem dinheiro ou expandem crédito de formas que historicamente enfraquecem o valor das moedas fiduciárias. Isso já aconteceu em 2008 com o sistema financeiro e em outros episódios ao longo das últimas duas décadas. Quem entende esse mecanismo sabe que ativos com oferta limitada — como o Bitcoin — tendem a se valorizar justamente nesses momentos, porque funcionam como uma espécie de proteção contra a diluição do poder de compra das moedas tradicionais. Não é uma aposta no vácuo; é uma tese construída em cima de padrões históricos repetidos.

Nas palavras do próprio Hayes, felizmente temos o Bitcoin e outras criptomoedas para absorver esse excesso de liquidez, e por isso já sabemos qual ativo vai performar melhor quando o resgate chegar. A recomendação dele para quem quer surfar essa onda é curta e grossa: basta ter paciência. ⏳ O investimento em infraestrutura de IA também tem uma dimensão geopolítica que não pode ser ignorada. Estados Unidos e China estão numa corrida aberta para liderar o desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial e garantir o controle sobre a computação poderosa necessária para rodar os modelos mais avançados. Isso significa que parte do dinheiro que está sendo despejado nessa infraestrutura não vem apenas de decisões de mercado — vem de estratégias nacionais onde o governo é o agente. E quando o governo é o agente, a conta no final sempre é paga de alguma forma pelo conjunto da sociedade.

Vale destacar que Hayes não é fã de apostar na queda dos preços nem de fazer short nas empresas de IA. Ele mesmo classifica essa estratégia como não sendo uma boa oportunidade de investimento, apesar de reconhecer que grandes lançamentos tecnológicos historicamente são superdimensionados. Ou seja, ele acredita na queda, mas prefere se posicionar pelo lado construtivo da equação, mirando no resgate e na valorização dos ativos digitais depois que a poeira baixar.

O Que Isso Significa na Prática

Traduzindo tudo isso para o mundo real: estamos num momento em que o volume de investimento em inteligência artificial e na infraestrutura que a sustenta está criando uma pressão enorme no mercado global de chips, energia e construção civil especializada. E nem tudo é só prejuízo por enquanto — Hayes reconhece que algumas empresas que alimentam esse boom já estão ganhando dinheiro de verdade, citando especificamente os fabricantes de chips de memória e a Nvidia. A grande questão para os investidores, segundo ele, é se estão pagando o múltiplo certo pelos lucros futuros dessas empresas. É aí que mora o perigo e também a oportunidade.

Mas Hayes não está pregando pessimismo — muito pelo contrário. A visão dele é que esse ciclo vai acontecer, vai doer em quem estiver nos lugares errados, e vai criar oportunidades históricas para quem estiver bem posicionado. A computação poderosa que está sendo construída hoje vai ser usada, assim como os cabos de fibra ótica da bolha ponto-com foram usados — só que anos depois, por empresas que nem existiam quando esses ativos foram construídos. O problema não é a tecnologia em si, é o ritmo e o volume de capital sendo alocado antes que a demanda real esteja madura para absorver tudo isso de forma sustentável e lucrativa.

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Flop: A Aposta de Hayes no Futuro dos Agentes de IA

E não para por aí. Toda essa abundância de poder de processamento gerada pela construção massiva de data centers está por trás da mais nova aposta de Hayes no mundo cripto: um projeto chamado Flop, voltado para pagamentos entre agentes de IA, com lançamento previsto para o primeiro trimestre de 2027. A lógica é elegante na sua simplicidade. Se a computação poderosa vai ficar mais barata e abundante, os agentes de IA vão se multiplicar rapidamente — e eles vão precisar de uma forma de pagar pelo que consomem.

O Flop pretende criar um mercado à vista de poder de processamento, onde os participantes são recompensados com tokens Flop por fornecerem GPUs e executarem inferências de IA. Hoje, segundo Hayes, não existe uma rede de pagamentos pensada especificamente para agentes de IA, e é esse buraco que o projeto quer preencher. Nas palavras dele, se os agentes conseguirem converter uma moeda diretamente em processamento — que é o que eles comem e consomem —, então eles vão usar essa moeda. Essa é a aposta. 🤖

Para quem acompanha o mercado de criptomoeda e está pensando em como se posicionar diante desse cenário, a mensagem central de Hayes é clara: entenda os ciclos, entenda onde o dinheiro vai quando os sistemas entram em colapso, e esteja lá antes que todo mundo chegue à mesma conclusão. 🚀 A inteligência artificial vai mudar o mundo — isso não está em discussão. A questão é quem vai pagar a conta do caminho até lá, e quem vai estar no lugar certo quando a poeira baixar.

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