Gestão de risco, automação e IA em terceiros com monitoramento contínuo
Gestão de risco com inteligência artificial, automação e monitoramento contínuo de terceiros deixou de ser papo distante e virou uma demanda bem concreta para quem vive o dia a dia de construção, logística e manufatura, lidando com prazos apertados, orçamentos sob pressão e uma cadeia enorme de fornecedores. Em ambientes em que qualquer desvio operacional pode gerar multas, atrasos críticos, retrabalho e até ruptura de contrato, a velha lógica de checar documentos uma vez por ano e torcer para nada dar errado simplesmente não fecha mais a conta. O risco hoje se movimenta em tempo real, e é exatamente por isso que a forma de enxergar e tratar esse risco também precisa sair do modo analógico e migrar para um modelo mais vivo, conectado e inteligente.
Nesses setores, em que praticamente tudo depende de parceiros externos, uma falha simples de compliance de um fornecedor, uma documentação vencida de uma transportadora ou uma não conformidade de segurança em um subcontratado pode virar um efeito dominó pesado. Isso estoura o orçamento, paralisa obras, segura produção em linha e, em casos mais extremos, pode até travar a operação por meses, puxando a reputação da empresa para baixo junto com o caos operacional. Nesse contexto, falar de gestão de risco não é mais só mapear planilhas e registrar ocorrências, mas construir um sistema vivo de análise, resposta rápida e prevenção, com visão completa da cadeia de terceiros e capacidade de agir antes que o problema estoure.
É nesse vácuo entre o modelo tradicional e a necessidade real de visibilidade constante que surge a Parakeet Risk, plataforma criada para funcionar como uma espécie de central nervosa da gestão de risco em terceiros. A solução usa agentes de IA capazes de aprender com o trabalho de gestores de risco humanos e imitar sua forma de analisar, decidir e agir, automatizando due diligence, cruzando dados de múltiplas fontes e mantendo um fluxo diário de verificação. Em vez de depender só de auditorias pontuais e checklists estáticos, esse tipo de solução cria um monitoramento contínuo em cima dos fornecedores, sinalizando comportamentos suspeitos, alertando sobre documentos e licenças, analisando risco financeiro e operacional e ajudando as empresas a tomarem decisões com base em informação atualizada, e não em um retrato velho tirado meses atrás.
De uma ideia pessoal a uma plataforma global de gestão de risco
A Parakeet Risk nasceu oficialmente em 2024, mas a história começou bem antes, com a trajetória do seu fundador, Jowanza Joseph. Depois de mais de uma década atuando no mercado de tecnologia, com passagens por empresas como ZAGG, Adobe e Finicity, ele já tinha um currículo sólido como engenheiro e líder técnico. O ponto de virada veio quando deixou a Finicity para trabalhar em uma startup fundada por um ex-chefe. Foi aí que bateu a percepção de que, além de construir produtos, ele queria construir uma empresa do zero.
Segundo Joseph, ele já tinha sido engenheiro fundador e colaborador inicial em outros negócios, mas nunca, de fato, o fundador que assume todo o risco e direciona a visão. Ele descreve esse momento como aquele desejo de colocar todas as fichas na mesa e apostar em algo que fizesse sentido com seus valores e habilidades. Para chegar nesse ponto, começou a buscar problemas reais em setores que não dominava, o que o levou para um universo bem distante do padrão tech tradicional: construção, manufatura e indústrias pesadas.
O interesse pela região do Caribe, de onde vêm seus pais, também influencia a história. No começo, a ideia era criar algo que ajudasse profissionais e empresas da região, então ele foi buscar um símbolo que dialogasse com esse contexto. Chegou ao periquito, pássaro muito comum na área, pequeno, resistente, presente em todo lugar. Com o passar do tempo, o nome ganhou outro significado: os periquitos são ótimos em imitar vozes e instruções, conseguem memorizar centenas de palavras e aprender com repetição, o que encaixa perfeitamente com o objetivo da plataforma.
Na visão de Jowanza, seus agentes de IA funcionam como esses pássaros digitais: observam como os gestores de risco trabalham, aprendem a rotina, absorvem padrões de análise e depois passam a imitar esse comportamento em escala, com consistência e velocidade. Daí veio a metáfora interna da empresa: em vez de um time sobrecarregado tentando olhar tudo, você tem uma frota de periquitos virtuais voando pela base de dados, checando documentos, cruzando informações e avisando quando algo foge do esperado.
Descobrindo o problema central: risco em terceiros na veia
Para chegar ao recorte atual de atuação, Joseph passou boa parte de 2023 conversando com profissionais de campos nos quais ele era totalmente outsider. Sua esposa tinha contato com muita gente de construção, manufatura e setores industriais, o que abriu portas para entrevistas, visitas e um bom tempo acompanhando de perto a rotina de quem vive na prática as dores da operação. Ele passou a fazer o básico bem feito: escutar, anotar, perguntar, observar processos e tentar entender o que realmente tirava o sono desses gestores.
No começo, como ele próprio admite, não era o jeito mais direto de formar um produto, porque vieram respostas de todo tipo. Só que, ao colocar tudo no papel, um padrão ficou claro: gestão de risco e engenharia de risco apareciam sempre como temas críticos. São setores que operam com margens apertadas e dependem de tudo dar certo. Quando o fluxo roda redondo, os números fecham. Quando um único evento sai do controle, o resultado pode ser devastador para o caixa e para a própria sobrevivência da empresa.
Para enxergar de dentro, Joseph passou a acompanhar de perto a rotina de gerentes de risco e de compras, especialmente em construção e manufatura. Ele viu de perto como era fazer due diligence de fornecedores, checar seguros, confirmar identidades, buscar referências, validar licenças, acompanhar status de apólices e lidar com renovações dispersas em e-mails, planilhas e sistemas desconectados. Foi aí que ficou claro o espaço para criar uma plataforma que reduzisse o custo e a fricção dessas atividades, com uma abordagem de três frentes principais: automação de obtenção de seguros, verificação de identidade e coleta de referências de terceiros.
Os dados que ele encontrou reforçaram a urgência. Um único incidente mal gerido na relação com terceiros pode custar, em média, algo em torno de 260 mil dólares para uma empresa, sem contar casos em que multas de não conformidade passam facilmente da casa de 2,5 milhões de dólares. Em muitos cenários, o tempo de recuperação completa de um baque desses fica entre 18 e 36 meses, o que é eterno em um setor que depende de giro constante de contratos, obras, entregas e cronogramas. A conclusão era direta: sem um sistema capaz de manter esse risco em cheque o tempo todo, operações inteiras ficavam vulneráveis.
Exemplo prático: visibilidade e compliance em uma rede de mais de 100 fornecedores
Um dos primeiros grandes clientes da Parakeet Risk foi um fabricante global com sede em Trinidad e Tobago, no Caribe, região que tem um peso pessoal para Joseph por ser a origem de sua família. A empresa trabalha com uma base extensa de prestadores de serviço, incluindo contratados, encanadores, eletricistas e outros profissionais especializados que entram e saem de suas instalações com frequência. Cada um deles precisa estar com seguros e documentos de responsabilidade em dia, porque qualquer acidente em campo pode virar um problema jurídico sério se os registros estiverem vencidos ou inconsistentes.
Antes da Parakeet Risk, o processo para manter o controle disso tudo era desgastante. A equipe precisava correr atrás de documentos, cobrar atualizações, conferir validade manualmente e tentar garantir que, sempre que alguém entrasse na planta, sua apólice de seguro e demais comprovantes estivessem válidos. Era um ciclo de estresse constante. Quando a plataforma entrou em cena, assumiu a tarefa de onboarding dos fornecedores, coleta de documentação, organização das informações e monitoramento das datas de vencimento.
Ao estruturar esses dados dentro do sistema, a plataforma identificou quase 60 prestadores em algum estágio de expiração de seguro ou documentação. Em vez de descobrir isso só depois de um incidente, a empresa passou a receber alertas diários, em uma espécie de batimento cardíaco digital da operação. Todos os dias, a equipe via um resumo do que podia virar problema, quais contratos precisavam de atenção imediata e onde o risco estava crescendo de forma silenciosa. Na prática, esse cliente saiu de um cenário de não saber exatamente quanto risco estava correndo para uma situação de visibilidade completa sobre a sua exposição em terceiros.
Automação, IA e monitoramento contínuo: o novo básico da gestão de risco
A combinação de automação, inteligência artificial e monitoramento contínuo que sustenta a Parakeet Risk mostra um caminho bem claro para onde a gestão de risco em terceiros está indo. Agentes de IA atuam como entidades de software autônomas, que percebem o ambiente, analisam objetivos complexos e tomam decisões com interferência mínima de humanos. Eles assumem tarefas que antes eram totalmente manuais, como buscar documentos, validar informações, acompanhar vencimentos e consolidar dados espalhados em diferentes sistemas.
Na prática, esses agentes operam como cópias digitais do raciocínio de um gestor de risco experiente. Ao serem treinados com processos reais de análise, eles aprendem não só o que checar, mas a ordem de prioridade, os critérios de corte, os tipos de exceção aceitáveis e o que deve gerar alerta imediato. Isso cria uma espécie de frota de periquitos virtuais que executa as tarefas conforme a empresa realmente precisa, repetindo o padrão desejado com consistência, em escala e sem parar.
O ganho está em vários níveis. Primeiro, na redução brutal do esforço repetitivo. Em vez de gastar tempo buscando certificado em anexo de e-mail, o time passa a atuar quando o sistema já sinalizou que algo está fora da curva. Segundo, na melhoria de qualidade, porque a IA não sofre com o cansaço que leva a erro humano, como digitar datas erradas ou ignorar um documento pouco legível. Terceiro, na velocidade de reação, já que, com alertas estruturados, uma mudança de status em um fornecedor crítico não se perde em meio a um mar de planilhas, mas aparece de forma clara, com contexto e prioridade.
Cultura, time distribuído e crescimento acelerado
Por trás da tecnologia, existe também o desafio humano de montar um time que consiga acompanhar o ritmo da empresa. A Parakeet Risk nasceu global desde cedo. Embora Joseph seja, hoje, o único membro baseado em Utah, a equipe se espalha por diferentes países, incluindo América do Sul e Europa. Um dos exemplos é Andrés Ramos, em Monterrey, no México, ex-desenvolvedor de software logístico que assumiu o papel de engenheiro full stack de IA e tecnólogo de produto na empresa.
Ramos veio de um cenário em que ajudava a mover cargas pelo mundo e topou migrar para a Parakeet Risk, mesmo sem experiência prévia direta em gestão de risco, motivado pela clareza da missão e pela forma direta com que Joseph aborda problemas. Ele resume bem o objetivo do produto: reduzir o número de pessoas que podem se machucar na operação e diminuir quanto dinheiro é desperdiçado em incidentes evitáveis. Com essa visão, ficou mais simples fazer a transição de um ambiente puramente logístico para um negócio de IA aplicada a risco.
No começo, como o próprio fundador admite, a empresa não investiu tanto tempo em alinhar todo mundo em relação ao panorama completo de mercado, posicionamento e visão de longo prazo. Esse aprendizado veio rápido. Hoje, a rotina inclui encontros semanais para discutir artigos do setor, analisar novos casos, revisar como o produto se encaixa em diferentes cenários e reforçar o entendimento coletivo de onde a plataforma gera mais valor. Esse tipo de ritual se tornou peça central para garantir que todos caminhem na mesma direção, independente do fuso horário ou da formação original.
Os números de crescimento refletem o encaixe do produto com a dor do mercado. A Parakeet Risk fechou o primeiro ano com cerca de 2 milhões de ARR (receita recorrente anual) e triplicou esse volume no segundo ano de operação. Para frente, as metas seguem agressivas, com plano de multiplicar novamente a receita nos próximos ciclos, chegando à casa dos 30 milhões em poucos anos. Para suportar isso, a empresa já se prepara para dobrar o time e ampliar ainda mais sua atuação com grandes indústrias que enxergam a gestão de risco em terceiros como peça estratégica e não mais como atividade auxiliar.
Propósito, tecnologia e o futuro da gestão de risco
No fim das contas, a história da Parakeet Risk também é uma história de propósito. Joseph costuma dizer que encontrou o tema no qual consegue trabalhar pelo resto da vida, um espaço em que convergem tecnologia de ponta, impacto concreto em segurança de pessoas e sustentabilidade financeira de empresas. Ao mesmo tempo em que automatiza tarefas, a plataforma ajuda negócios reais a evitarem prejuízos gigantescos e acidentes que podem mudar a vida de famílias inteiras.
Quando gestão de risco, automação e inteligência artificial se encontram de forma aplicada, como no caso da Parakeet Risk, a conversa deixa de ser sobre buzzword tecnológica e passa a ser sobre continuidade de operação, proteção de pessoas e perenidade de empresas. Em um cenário em que cadeias de suprimentos são cada vez mais complexas e interligadas, contar com agentes de IA que funcionam como periquitos atentos, aprendendo continuamente e imitando o melhor do trabalho humano, tende a deixar de ser diferencial para virar, simplesmente, o novo básico da gestão de terceiros.
