Nasdaq em chamas: as duas ações de inteligência artificial que ainda parecem baratas
A Nasdaq está em um momento que chama atenção de todo mundo que acompanha o mercado de tecnologia. Nos últimos meses, as ações ligadas à inteligência artificial vêm registrando uma valorização expressiva, impulsionadas por um movimento simples, mas poderoso: os investidores estão enxergando com mais clareza o valor real que essas empresas entregam.
Receitas crescendo em ritmo acelerado, lucros que surpreendem trimestre após trimestre e uma demanda por infraestrutura de IA que parece não ter fim. E aí vem a parte que talvez surpreenda: mesmo com tanto crescimento no setor, ainda existem ações que apresentam valuations bastante atrativos.
Dois nomes se destacam nesse cenário, Nvidia e CoreWeave, empresas em estágios diferentes, mas com um ponto em comum: ambas parecem estar sendo negociadas abaixo do que o potencial delas sugere. 🚀
Por que a Nasdaq virou o palco principal da IA?
A Nasdaq sempre foi conhecida como o lar das grandes empresas de tecnologia, mas o que está acontecendo agora vai além do que qualquer ciclo anterior já mostrou. A corrida pela inteligência artificial criou uma nova camada de valor dentro do mercado, e as empresas que constroem, treinam e operam modelos de IA estão se tornando peças fundamentais da economia digital global. Não é exagero dizer que o que a internet fez nos anos 90 e 2000, a IA está fazendo agora, mas em um ritmo muito mais rápido e com impactos muito mais profundos em praticamente todos os setores da economia.
O que diferencia esse momento de bolhas anteriores é justamente a solidez dos números. As empresas que lideram esse movimento dentro da Nasdaq não estão apenas prometendo crescimento futuro, elas estão entregando resultados concretos agora. Margens operacionais em expansão, contratos de longo prazo fechados com gigantes do setor corporativo e governamental, e uma base de clientes que cresce trimestre a trimestre. Isso muda completamente a conversa sobre risco, porque o investidor não está mais apostando em uma ideia, ele está apostando em um negócio que já funciona e que tem uma pista de crescimento longa à frente.
Outro ponto que ajuda a explicar o movimento da Nasdaq é o fato de que a infraestrutura de inteligência artificial ainda está sendo construída. Estamos em um estágio parecido com quando a internet precisava de data centers, cabos de fibra óptica e servidores para funcionar em escala. Hoje, a IA precisa de GPUs, clusters de computação especializada e redes de baixa latência para operar com eficiência. E quem fornece isso está em uma posição extremamente privilegiada, porque a demanda existe, é real e cresce mais rápido do que a oferta consegue acompanhar. 📈
Nvidia: a ação barata que ninguém esperava
Pode parecer estranho chamar a Nvidia de ação barata. Afinal, o papel já subiu mais de 1.600% desde sua mínima em 2022, e a empresa se tornou a queridinha de qualquer portfólio que envolva inteligência artificial. Como a jogadora dominante no mercado de aceleradores de IA, a Nvidia é uma das ações mais procuradas da Nasdaq. Mas quando você olha o valuation com mais calma, a história muda de figura.
Atualmente, a Nvidia é negociada a um índice preço/lucro (P/L) de apenas 41. Sim, isso está acima da média do S&P 500, que gira em torno de 31. Porém, quando você compara esse múltiplo de lucros com o ritmo de crescimento da empresa, o número se torna bastante razoável e, na verdade, atrativo. O segredo está na relação entre o que você paga e o que a empresa entrega em termos de expansão de receita e lucro.
Resultados que falam por si
No ano fiscal de 2026, encerrado em 25 de janeiro, a Nvidia registrou 216 bilhões de dólares em receita, o que representa um crescimento de 65% em relação ao ano anterior. E mesmo diante dos custos crescentes para atender uma demanda que parece insaciável, a empresa ainda conseguiu gerar 120 bilhões de dólares em lucro líquido, também um aumento de 65% na comparação anual. Esses não são números de uma empresa em fase de promessas. São os resultados de uma máquina de fazer dinheiro que está operando em plena capacidade.
Mas então, se o crescimento é tão expressivo, por que o valuation não é mais alto? A resposta provavelmente está no tamanho da Nvidia. A empresa atingiu um valor de mercado de 4,9 trilhões de dólares, o que a coloca como a maior empresa de capital aberto do mundo. E aí entra uma barreira psicológica interessante: se a ação dobrar de valor, o market cap vai para 9,8 trilhões de dólares. Nenhuma empresa sequer chegou perto da marca dos 6 trilhões ainda. Isso cria uma espécie de teto mental entre os investidores, que começam a questionar se existe espaço para mais crescimento.
Também é pouco provável que vejamos outro salto de 1.600% no preço da ação no curto prazo. Isso é apenas matemática. No entanto, se a Nvidia conseguir manter um crescimento de lucros na casa dos 65%, ela tem tudo para continuar superando o mercado por uma margem considerável. E isso pode fazer com que o papel se torne cada vez mais atraente para investidores com perfil mais conservador, enquanto investidores de crescimento mais agressivos busquem retornos maiores em empresas menores.
No fim das contas, para quem quer retornos acima da média do mercado com um valuation relativamente baixo para o setor, a Nvidia segue sendo uma das melhores barganhas em inteligência artificial disponíveis na Nasdaq. 💡
CoreWeave: a nova força da infraestrutura de IA
Se a Nvidia é o nome estabelecido, a CoreWeave é a protagonista emergente que mais tem chamado atenção dentro do universo de ações ligadas à inteligência artificial na Nasdaq. Com um valor de mercado de 61 bilhões de dólares, ela é apenas uma fração do tamanho da Nvidia, mas isso não diminui em nada a relevância do que está construindo.
A empresa opera como uma provedora de infraestrutura em nuvem especializada em computação de IA, basicamente oferecendo acesso a clusters massivos de GPUs para empresas que precisam de poder computacional para treinar e executar modelos de linguagem de grande escala e outras aplicações de IA intensivas em recursos.
O que diferencia a CoreWeave dos gigantes da nuvem
Aqui está o ponto crucial que faz a CoreWeave se destacar: ao contrário de provedores de nuvem como a AWS da Amazon ou o Azure da Microsoft, a CoreWeave projetou toda a sua infraestrutura de nuvem especificamente para lidar com workloads de inteligência artificial. Isso dá a ela e a seus pares do segmento de neocloud uma vantagem competitiva sobre os players maiores e mais estabelecidos, que precisam atender a uma gama muito mais ampla de necessidades de computação.
Essa especialização permite uma otimização de infraestrutura e custos que as plataformas generalistas ainda não conseguem igualar. Para uma empresa que precisa treinar um modelo de IA de grande porte, a diferença de performance e custo entre usar uma nuvem genérica e usar a infraestrutura dedicada da CoreWeave pode ser significativa. E quando estamos falando de operações que custam milhões de dólares em computação, cada ganho de eficiência importa.
Recuperação impressionante após o IPO
A CoreWeave abriu seu capital recentemente e, como acontece com muitas empresas de tecnologia em suas estreias na bolsa, enfrentou um pullback considerável logo após o IPO. Mas a recuperação foi rápida e expressiva: as ações da empresa já subiram mais de 60% no ano, mostrando que o mercado está reconhecendo o valor da tese de infraestrutura especializada em IA.
A empresa já possui contratos de longo prazo firmados com clientes de peso, incluindo grandes players do setor de tecnologia que dependem de capacidade computacional contínua para seus produtos de IA. Esses contratos criam uma previsibilidade de receita que é bastante valorizada pelo mercado, especialmente em um segmento ainda em formação como o de infraestrutura especializada em IA. Isso diferencia a CoreWeave de muitas outras empresas que estão apenas surfando a onda da IA sem um modelo de negócios sólido por baixo.
O crescimento da CoreWeave também reflete algo maior que está acontecendo no mercado: a demanda por infraestrutura de computação especializada em IA está crescendo mais rápido do que a oferta consegue se organizar. Isso coloca a empresa em uma posição de escassez relativa, onde a capacidade que ela oferece tem um valor cada vez maior para os clientes. Com a expansão contínua dos modelos de inteligência artificial, especialmente os grandes modelos de linguagem que exigem cada vez mais poder de processamento para treinamento e inferência, a necessidade de parceiros de infraestrutura confiáveis e especializados só tende a aumentar. 🔍
O que une Nvidia e CoreWeave nesse momento
Apesar de estarem em estágios completamente diferentes de maturidade como empresas, Nvidia e CoreWeave compartilham algo fundamental que as conecta diretamente ao movimento atual da Nasdaq: ambas estão no centro da cadeia de valor da inteligência artificial. A Nvidia fabrica o hardware que torna a IA possível em escala, enquanto a CoreWeave disponibiliza esse hardware de forma organizada, eficiente e acessível para empresas que não têm condições ou interesse em construir sua própria infraestrutura. É uma relação quase simbiótica, e o crescimento de uma tende a alimentar o crescimento da outra, criando um ciclo virtuoso dentro do ecossistema de IA.
Outro ponto em comum entre as duas é que ambas estão se beneficiando de uma tendência que ainda está no começo. A adoção empresarial de inteligência artificial em processos de negócios, atendimento ao cliente, análise de dados, desenvolvimento de produtos e dezenas de outras aplicações ainda está nos estágios iniciais. À medida que mais empresas de todos os tamanhos começarem a integrar IA em suas operações de forma mais profunda, a demanda por chips como os da Nvidia e por infraestrutura como a que a CoreWeave oferece vai continuar crescendo. Esse é o tipo de vento a favor que os analistas chamam de tailwind secular, uma tendência de longo prazo que empurra o crescimento independentemente dos ciclos econômicos de curto prazo.
O ecossistema CUDA e o fosso competitivo da Nvidia
Um aspecto que merece destaque quando falamos sobre o valuation da Nvidia é o ecossistema que a empresa construiu ao longo dos anos. O CUDA, que é a plataforma de computação paralela da empresa, está tão enraizado no fluxo de trabalho de desenvolvimento de IA que migrar para uma alternativa não é uma decisão simples, mesmo que outra empresa lance um chip tecnicamente competitivo.
Isso cria um fosso competitivo enorme, porque o custo de troca para os clientes é altíssimo, tanto em tempo quanto em recursos humanos e financeiros. Desenvolvedores que aprenderam a trabalhar com CUDA, bibliotecas inteiras de software otimizadas para a arquitetura da Nvidia e pipelines de treinamento que levaram meses para serem calibrados não são coisas que se abandonam da noite para o dia. É o tipo de vantagem que tende a se manter por muito tempo e que sustenta margens de lucro elevadas mesmo em um cenário de concorrência crescente.
Por que essas ações ainda parecem baratas
A pergunta que não quer calar é: como é possível que empresas tão evidentes no mercado ainda apresentem oportunidades de entrada favoráveis? A resposta está em uma combinação de fatores que o mercado ainda está processando.
No caso da Nvidia, o tamanho descomunal do market cap assusta muitos investidores. Existe uma percepção difusa de que uma empresa de quase 5 trilhões de dólares simplesmente não tem mais espaço para crescer de forma significativa. Mas essa percepção ignora que o crescimento de lucros da empresa tem sido tão forte que o múltiplo P/L se mantém contido. Em outras palavras, os lucros estão crescendo tão rápido quanto o preço da ação, o que mantém o valuation em patamares razoáveis.
Já no caso da CoreWeave, a volatilidade pós-IPO criou uma janela de entrada que pode não durar muito. A recuperação de mais de 60% no ano mostra que o mercado está começando a precificar o potencial da empresa, mas o segmento de neocloud ainda é pouco compreendido por muitos investidores institucionais. Conforme mais dados de receita e contratação forem divulgados, a tendência é que essa lacuna de percepção se feche, potencialmente levando as ações a patamares mais altos.
O que observar nos próximos trimestres
Para quem acompanha as ações na Nasdaq e quer entender para onde o mercado de tecnologia está caminhando, observar de perto os movimentos de Nvidia e CoreWeave é quase obrigatório. Não porque sejam as únicas empresas relevantes nesse espaço, mas porque elas funcionam como termômetros do apetite do mercado por inteligência artificial.
Quando essas ações se movem, é porque algo significativo está acontecendo no setor, seja uma nova rodada de contratos, um avanço tecnológico relevante ou uma sinalização de que a demanda por computação de IA continua superando todas as expectativas.
Pontos importantes a serem observados nos próximos meses incluem:
- A evolução da receita do segmento de data centers da Nvidia, que é o coração do negócio de IA da empresa
- O ritmo de fechamento de novos contratos de longo prazo pela CoreWeave com clientes corporativos
- A capacidade da Nvidia de manter margens de lucro elevadas conforme a concorrência no mercado de chips de IA se intensifica
- O progresso da CoreWeave na expansão da sua infraestrutura para atender à demanda crescente
- Sinalizações regulatórias que possam impactar o setor de semicondutores e computação em nuvem
E por enquanto, os sinais continuam apontando para cima. O mercado de inteligência artificial não dá sinais de desaceleração, a infraestrutura ainda precisa ser massivamente expandida, e as duas empresas que mais se beneficiam desse cenário continuam apresentando fundamentos sólidos a valuations que, dado o contexto de crescimento, ainda podem ser considerados atrativos. 🚀
