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A NVIDIA virou sinônimo de inteligência artificial, mas a verdadeira oportunidade pode estar em outro lugar

A NVIDIA virou sinônimo de inteligência artificial nos últimos anos, e é difícil abrir qualquer site de tecnologia ou finanças sem esbarrar no nome da empresa. Os resultados são espetaculares, o domínio no mercado de chips para IA é incontestável, e o preço das ações reflete esse status de protagonista absoluta. Mas tem uma coisa que muita gente esquece quando olha apenas para os gráficos da NVIDIA: cada GPU que sai da linha de produção precisa de um servidor para rodar, uma rede para se comunicar e um data center para existir.

É exatamente aí que entra a HPE, a Hewlett Packard Enterprise, uma das peças mais importantes e menos comentadas de toda essa engrenagem de infraestrutura de inteligência artificial que está crescendo em ritmo acelerado. Enquanto as fabricantes de chips capturam as manchetes e os múltiplos mais altos do mercado, as empresas que constroem a camada de infraestrutura surfam a mesma onda de IA por uma fração da valorização. E a HPE é, possivelmente, o nome mais subestimado dentro desse grupo.

Enquanto o mercado ainda está de olho fixo nas fabricantes de chips, a HPE vem entregando números surpreendentes quase em silêncio. Com uma valorização de 15,8% no acumulado do ano até o fechamento de 20 de abril de 2025, quando a ação encerrou o pregão cotada a US$ 27,81, a empresa está contando uma história que vai muito além do hardware tradicional. Uma aquisição bilionária que mudou seu perfil de receita, margens em expansão acelerada e um fluxo de caixa que acabou de virar positivo de forma expressiva completam um cenário que poucos portfólios de longo prazo parecem ter percebido até agora.

Vamos destrinchar o que está acontecendo com a HPE, por que o segmento de Networking virou o motor do negócio, como ela se compara com concorrentes como a Dell Technologies, e o que os indicadores financeiros estão dizendo sobre o valor real dessa empresa dentro do ecossistema de IA. 👇

A HPE no centro da infraestrutura de IA

Quando a gente fala de inteligência artificial em escala empresarial, é quase impossível não esbarrar na HPE em algum ponto da cadeia. Servidores de alto desempenho, sistemas de armazenamento distribuído, redes de alta velocidade e plataformas de orquestração de workloads — tudo isso passa pelas mãos da Hewlett Packard Enterprise antes de chegar a quem realmente usa IA no dia a dia. A empresa ocupa um espaço estratégico que poucos concorrentes conseguem preencher com a mesma profundidade técnica e amplitude de portfólio. E o mais interessante é que ela faz isso de forma quase discreta, sem o glamour das fabricantes de chips ou das big techs que dominam as manchetes.

O papel da HPE dentro do ecossistema de IA ficou ainda mais evidente quando a demanda por infraestrutura começou a explodir junto com o crescimento dos grandes modelos de linguagem e das plataformas de machine learning corporativo. Cada cluster de GPUs da NVIDIA que uma empresa instala em seu data center precisa de servidores robustos, redes de baixa latência e altíssima largura de banda, além de sistemas de gerenciamento que consigam lidar com o volume brutal de dados que circula nessas operações. A HPE entrega exatamente esse conjunto, com soluções que vão desde o hardware físico até o software de gerenciamento inteligente da infraestrutura. Isso cria uma dependência muito clara: onde tem IA em produção em escala, tem HPE em algum ponto do stack.

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O que torna esse posicionamento ainda mais valioso é a longevidade do relacionamento que a HPE constrói com seus clientes. Não é uma venda pontual de equipamento — é uma parceria de infraestrutura que dura anos e que cresce junto com a maturidade digital de cada organização. Quando uma empresa começa a escalar seus projetos de inteligência artificial, ela naturalmente precisa de mais capacidade de processamento, mais armazenamento e, principalmente, mais networking para sustentar a troca de dados entre os nós do sistema. Esse ciclo de expansão contínua é exatamente o tipo de receita recorrente e crescente que analistas adoram ver nos balanços financeiros, e que a HPE tem entregado com consistência.

Networking: o segmento que mudou o jogo

Se tem um segmento que catapultou a HPE para outro patamar dentro da conversa sobre infraestrutura de IA, esse segmento é o de Networking. A empresa concluiu a aquisição da Juniper Networks por US$ 13,4 bilhões em 2 de julho de 2025, e os resultados já começaram a aparecer nos números financeiros de forma bastante impactante. A Juniper trouxe consigo tecnologia de roteamento e switching de alto desempenho, uma base instalada expressiva em grandes empresas e operadoras de telecomunicações, e a plataforma de redes baseada em IA chamada Mist AI, que usa machine learning para automatizar operações de rede e antecipar problemas antes que eles causem impacto.

O impacto financeiro dessa aquisição foi imediato e impressionante. O segmento de Networking da HPE registrou um crescimento de receita de 151,5% na comparação anual no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, atingindo US$ 2,706 bilhões. Mas o número que realmente chama atenção é o de Data Center Networking, que cresceu 382,6% na comparação anual, alcançando US$ 444 milhões. A empresa projetou um crescimento anual para o segmento de Networking entre 68% e 73% para o ano fiscal completo. Esses são números de empresa de hipercrescimento, não de fornecedora de hardware legado.

O que torna esses dados ainda mais relevantes é o perfil de margem que o segmento de Networking carrega. Software e serviços gerenciados de rede têm estrutura de custo muito diferente de hardware puro, e isso se reflete diretamente na lucratividade. A HPE foi rápida em aproveitar essa alavancagem, expandindo as ofertas baseadas em modelo de assinatura para redes, o que cria previsibilidade de receita e aumenta o valor do ciclo de vida de cada cliente. Esse modelo de receita recorrente é exatamente o que o mercado quer ver em empresas de infraestrutura que querem ser avaliadas com múltiplos mais generosos.

Existe ainda uma dimensão técnica nessa história que merece atenção especial. Redes de inteligência artificial modernas são muito diferentes das redes corporativas tradicionais. Elas precisam lidar com tráfego massivo entre GPUs, latências extremamente baixas para garantir que o treinamento de modelos não fique esperando dados, e topologias específicas como fat-tree e redes de interconnect de alta velocidade baseadas em Ethernet de 400G e 800G. A HPE, com a tecnologia herdada da Juniper e com suas próprias soluções de fabric para data centers de IA, está bem posicionada para atender exatamente essa demanda técnica que vai crescer de forma exponencial nos próximos anos. Cada novo cluster de GPUs da NVIDIA instalado em qualquer data center do mundo é, na prática, uma oportunidade de negócio para o segmento de Networking da HPE. 🚀

HPE contra Dell: margens contam uma história diferente

Uma comparação que ajuda muito a entender o posicionamento diferenciado da HPE é olhar para a Dell Technologies, que também está surfando a onda de servidores otimizados para IA. A Dell reportou um crescimento impressionante de 342% na receita de servidores otimizados para IA no quarto trimestre do ano fiscal de 2026, atingindo US$ 8,95 bilhões. São números de fazer qualquer analista prestar atenção. Mas volume, nesse caso, veio acompanhado de um custo importante: a margem bruta GAAP da Dell foi comprimida para 20,2%, caindo de 23,7% no mesmo período do ano anterior. O motivo é que boa parte desse crescimento veio de servidores commodity de margem baixa, onde a competição por preço é brutal.

A HPE, por outro lado, está seguindo o caminho oposto. Sua margem bruta GAAP atingiu 35,9% no primeiro trimestre do ano fiscal de 2026, uma expansão de 670 pontos-base na comparação anual. Isso acontece porque a receita de networking e software de maior margem está reformulando completamente o perfil de lucratividade da empresa. A administração da HPE projetou um crescimento do lucro operacional não-GAAP entre 32% e 40% para o ano fiscal completo. Esse é o tipo de alavancagem operacional que transforma uma empresa de infraestrutura em uma geradora de valor consistente para os acionistas.

Essa diferença de trajetória nas margens é fundamental para entender por que a HPE pode ser uma oportunidade mais interessante do que parece à primeira vista. Crescer receita é importante, mas crescer receita com margens em expansão é muito mais poderoso do ponto de vista de geração de valor. A Dell está vendendo muito volume, mas está deixando margem na mesa. A HPE está construindo um mix de receita que favorece segmentos de maior valor agregado, e isso tende a se refletir na valorização da ação ao longo do tempo.

O que os números estão dizendo sobre valorização

Aqui é onde a história fica realmente interessante para quem olha para os fundamentos. A HPE negocia com um P/L futuro de aproximadamente 11 vezes, com um valor de mercado na faixa de US$ 37 bilhões. Compare isso com a Dell, que tem valor de mercado de cerca de US$ 135 bilhões e P/L futuro de 15 vezes, e com a NVIDIA, cujo múltiplo premium já embute anos de domínio futuro nos preços. O múltiplo da HPE praticamente não incorpora o potencial de crescimento que o segmento de networking de IA está trazendo para os resultados da empresa.

O PEG ratio de 0,851 reforça essa tese. Um PEG abaixo de 1,0 geralmente indica que o mercado ainda não ajustou o preço da ação ao ritmo de crescimento dos lucros. Em outras palavras, o crescimento está correndo na frente da avaliação — e esse tipo de descompasso costuma ser corrigido quando os investidores institucionais começam a prestar atenção nos números trimestre a trimestre.

Talvez o dado mais revelador de todos seja a trajetória do fluxo de caixa livre. A HPE saiu de um fluxo de caixa livre negativo de US$ 877 milhões para um fluxo positivo de US$ 708 milhões em um único trimestre. E a empresa projetou um fluxo de caixa livre de pelo menos US$ 2,0 bilhões para o ano fiscal completo. Essa inflexão de caixa é o tipo de sinal que investidores de longo prazo procuram, porque fluxo de caixa robusto sustenta dividendos, recompras de ações e investimentos em crescimento sem depender de endividamento adicional. O mercado ainda não precificou completamente essa virada, e isso representa uma janela de oportunidade. 📊

Por que a HPE merece mais atenção do ecossistema de tecnologia

O ecossistema de inteligência artificial tem uma tendência natural de concentrar holofotes sobre as camadas mais visíveis da stack tecnológica: os modelos de linguagem, as interfaces de usuário, as plataformas de desenvolvimento e, claro, os chips que fazem tudo funcionar. A NVIDIA captura boa parte dessa narrativa com maestria, e com razão, porque as GPUs são realmente o componente mais escasso e mais crítico para treinar e rodar modelos de grande escala. Mas o que acontece debaixo dessa camada — a infraestrutura física que sustenta toda essa operação — raramente recebe o mesmo nível de análise e discussão. É um ponto cego que pode fazer com que empresas extremamente bem posicionadas passem despercebidas até que os números simplesmente se tornem impossíveis de ignorar.

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A HPE é um exemplo perfeito dessa dinâmica. Ela não fabrica chips, não desenvolve modelos de linguagem e não tem uma interface de usuário que o consumidor final vai interagir. Mas sem ela, ou sem empresas com o seu perfil, nada disso funciona em escala empresarial. Os data centers que rodam os modelos mais avançados do mundo dependem de infraestrutura confiável, de redes que não caem, de servidores que conseguem lidar com workloads absurdos sem comprometer a performance. Esse papel de bastidor é estratégico e, em muitos aspectos, insubstituível no curto prazo, porque trocar uma infraestrutura inteira de Networking e servidores não é algo que acontece de um dia para o outro.

Para investidores que buscam exposição ao crescimento da inteligência artificial sem pagar os múltiplos premium que acompanham nomes como a NVIDIA, a HPE oferece uma alternativa concreta. A tese é simples: a empresa está posicionada no centro de um ciclo de investimento em infraestrutura de IA que ainda está nos estágios iniciais. A aquisição da Juniper Networks ampliou significativamente o alcance e a relevância técnica da HPE no segmento de redes para data centers de IA. As margens estão expandindo, o fluxo de caixa virou positivo de forma expressiva e os múltiplos de avaliação ainda não refletem essa nova realidade.

O que esperar daqui para frente

Olhar para a HPE dentro do contexto do crescimento de IA é olhar para a infraestrutura como um ativo estratégico de longo prazo. Cada expansão de capacidade de IA que uma empresa realiza — seja um banco que está automatizando análise de crédito, uma operadora que está usando machine learning para gerenciar a rede, ou uma indústria que está implementando visão computacional na linha de produção — representa uma oportunidade concreta para que a HPE entregue servidores, switches, roteadores e plataformas de gerenciamento.

O mercado de infraestrutura de inteligência artificial ainda está nos estágios iniciais de um ciclo de crescimento muito longo, e a HPE, com seu portfólio expandido pela integração da Juniper, suas margens em trajetória ascendente e uma geração de caixa que finalmente decolou, está posicionada para capturar uma parcela relevante desse crescimento por muitos anos à frente.

Os indicadores financeiros atuais da HPE contam uma história de transformação que o mercado parece estar percebendo aos poucos. Uma empresa que cresce receita a três dígitos em seu segmento mais estratégico, que expande margens em centenas de pontos-base, que gerou uma inflexão de mais de US$ 1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em um trimestre, e que negocia a 11 vezes os lucros futuros, é o tipo de ativo que tende a atrair cada vez mais atenção conforme os resultados se consolidam. A HPE pode não ter o brilho da NVIDIA, mas no jogo da infraestrutura de IA, ela está jogando uma partida silenciosa e cada vez mais convincente. 💡

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